ICM-PES entra com ação contra o WORDPRESS

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Processo: 0034701-92.2014.8.08.0035 Petição Inicial: 201401167297 Situação: Distribuído
Vara: VILA VELHA – 5ª VARA CÍVEL
Data da Distribuição: 02/09/2014 17:38 Motivo da Distribuição: Distribuição por sorteio
Ação: Procedimento Sumário Natureza: Cível Data de Ajuizamento: 02/09/2014
Valor da Causa: R$ 1000
Assunto principal: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E DO TRABALHO – Liquidação / Cumprimento / Execução – Obrigação de Fazer / Não Fazer

Partes do Processo

Requerente

IGREJA CRISTA MARANATA – PRESBITERIO ESPIRITO SANTENSE

Requerido

WORDPRESS. COM
COURT-ORDERS@WORDPRESS. COM

Andamentos do Processo

11/09/2014 Petição recebida no cartório
201401203492 VILA VELHA – 5ª VARA CÍVEL
10/09/2014 Petição Protocolada
201401203492 Petição (outras)
09/09/2014 Petição recebida no cartório
201401190391 VILA VELHA – 5ª VARA CÍVEL
05/09/2014 Petição Protocolada
201401190391 Petição (outras)
03/09/2014 Autos recebidos em cartório
VILA VELHA – 5ª VARA CÍVEL
02/09/2014 Autos carga
VILA VELHA – 5ª VARA CÍVEL
02/09/2014 Processo distribuído
(Classe Procedimento Sumário cadastrada sem guia de custas vinculada)

0034701-92.2014.8.08.0035
 - Último andamento em 11/09/2014 – Petição recebida no cartório
Ação: Procedimento Sumário
Vara: VILA VELHA – 5ª VARA CÍVEL
Situação: Distribuído
Petição Inicial: 201401167297
Requerente: IGREJA CRISTA MARANATA – PRESBITERIO ESPIRITO SANTENSE
Requerido: WORDPRESS. COM
Como ja é de conhecimento Público, a liderença investigada e denunciada pelo MP, procuram sempre achar um  jeito de querer calar a boca dos que denunciam.
Já tentaram entrar com processos contra o Google, Faceboock.Yahoo, e agora a mais nova dos meia solas, querem processar o WordPress.com.
Sabem o motivo?
É no WordPress que se encontram os blogs que denunciam as heresias e as mentiras da obra imaculada do Lider primaz.
São vários Blogs, tem https://cavaleiradaverdade.wordpress.com que é o meu blog. tem o do Cavaleiro Veloz  cavaleiroveloz.wordpress.com ; e tem o de Antonio Marques  que é   obramaranatarevelada.wordpress.com.
Usam um dinheiro que não é deles para ficar gastando com Advogados.
Para isso que serve o seu dinheiro suado dos dizimos, para massagear o ego da liderança corrupta que teima em querer esconder dos membros todos os seus ilícitos.
Interessante, elaboram doutrinas onde dizem ter a revelação, onde dizem ter os meios de graça, mas na hora que precisam recorrem a justiça, nem eles acreditam nos seus ensinamentos.
Onde está a fé que tanto pregaim?
São uns fariseus mesmo, não vivem o que pregam.
Mas um processo que irão perder,mas tambem o que importa, eles não gastam dos seus bolsos, tem um povo que sustenta.
Podem abrir processos a vontade, se não escrevermos aqui; destribuiremos planfletos, falaremos nas rádios, nas ruas, nas praças, não nos calaremos!
0034701-92.2014.8.08.0035 - Último andamento em 11/09/2014 – Petição recebida no cartório
Ação: Procedimento Sumário
Vara: VILA VELHA – 5ª VARA CÍVEL
Situação: Distribuído
Petição Inicial: 201401167297
Requerente: IGREJA CRISTA MARANATA – PRESBITERIO ESPIRITO SANTENSE
Requerido: WORDPRESS. COM

ICM E SEU CONCEITO DE “REVELAÇÃO”

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“A nossa curiosidade nos embaraça, muitas vezes, na leitura das Escrituras; porque queremos compreender e discutir o que se devia passar singelamente. Se queres tirar proveito, lê com humildade, simplicidade e fé, sem cuidar jamais do renome de letrado.” Thomas de Kempis

Umas das características mais notórias da ICM é seu alto grau de exclusivismo religioso. Uma índole negativa que é cultivada dentro do seio institucional de que a ICM foi agraciada desde sua fundação às suas práticas doutrinárias com “segredos” ou “elementos” concedidos pelo próprio Deus que nenhuma outra denominação religiosa recebera ao longo da história da Igreja Cristã.

Um sentimento de exclusivismo, de eleição, é cultivado no coração dos membros. Pretensioso. Arrogante. Altivo. Por isso, um diligente ou versado cristão ao aferir, sobriamente, o teor dos discursos exclusivistas dos membros, percebe que isso não passa de um feroz argumento propagandista e marqueteiro para enaltecer a ICM e desfazer das demais igrejas cristãs, muitas vezes, até involuntariamente em razão de estarem tão açulados pela paixão à “Obra Maravilhosa”.

No seu alto grau de presunção, a ICM tende a ser de forma obstinada contrária a todo e qualquer ensino ou prática das outras Denominações, ainda que as tais tenham, de fato, pertinência bíblica. Mas não é isso que, a priori, a ICM está interessada. Se é bíblico ou não, não importa! Ao analisarmos a situação fria e clinicamente, percebemos que tudo que a ICM faz, faz no intento de ser contrária ou inovadora àquilo que já existe ou que é comum em outras instituições religiosas, na pretensão vaidosa de ser “diferente”, ou melhor, “única”. O importante é ser do contra – pensa a liderança.

Não estamos se referindo a heresias ou doutrinas sem amparo bíblico que hoje existem no meio “evangélico” ou “católico”, aliás, é devido rechaçarmos preceitos extra bíblicos. Essencialmente, o intento da ICM não é isso, verdadeiramente, embora combata tais heresias também. Como já dizia o apóstolo: verdade é que também alguns pregam a Cristo por inveja e porfia, mas outros de boa vontade; uns, na verdade, anunciam a Cristo por contenção (disputa), não puramente… (Flp 1.15-16).

A ICM faz algo muito semelhante às palavras de Paulo. Embora a ICM, em seus seminários escarneça e expõe ao ridículo todas as outras Denominações irresponsavelmente, sem desconsiderar nenhuma, haja vista que não estão elas sob o domínio do Presbitério (PES), a verdade é que, hipocritamente, ela faz exatamente o mesmo, costurando novos ensinos, particulares e diferentes de suas concorrentes, mas com o mesmo objetivo final – marketing religioso – novas engrenagens doutrinárias que supostamente “facilitam” a comunhão ou aquisição de bênçãos de Deus. Um chamariz para seduzir novos membros.

São as suas próprias invencionices forjadas na pretensão de confirmar o seu exclusivismo e se auto-afirmar perante as outras Denominações. De tal sorte que, ao se deparar com essas “novidades” e “sofisticações” doutrinárias, muitos neófitos, em sua ingenuidade e desinformação bíblica, acabam se deixando levar, crendo que, por isso, há autoridade espiritual e piedade genuína na ICM. Um desses ensinos que é incutido na mente dos membros é a tal da “Palavra Revelada” ou “Além da Letra”.

Ao primeiro momento quando se escuta tal expressão, de logo, vem em mente o fascínio. Cativante. Sedutoramente espiritual, que, naturalmente, faz o ouvinte a associar, de pronto, a algo arrebatadoramente divino – “A Palavra Revelada… Segredos dessa Obra!” Altamente piedoso.

Espetacularmente espiritual. Suspirante. É Santo! E é exatamente isso que os líderes querem que os inocentes e desavisados neófitos acreditem. Quanto mais seduzidos e fascinados ficam, inebriados e empolgados se tornam ao ouvirem exaustivamente expressões revestidas de uma sensação de pretensa piedade “exclusivista” e “sofisticada”. Por isso, para os neófitos e inocentes, mais fácil é de suas faculdades racionais ficarem tímidas e inertes, implicando, efetivamente, no perigo da manipulação através da indução e de reações impulsivas e emotivas.

É sabido que as instituições ou grupos religiosos contraditórios utilizam exaustivamente a palavra “revelação” justamente para dar um ar de autoridade espiritual ao líder e ao grupo religioso, de modo a, invariavelmente, inibir qualquer senso crítico ou racional por parte de uma pessoa que estar a ser recrutada pelo grupo. São promovidas emoções, intuições, revelações e conhecimentos místicos acima da palavra objetiva e das decisões sóbrias e moderadas.

Tudo na vida do neófito, sejam decisões seculares, espirituais ou matrimonias, enfim, tudo, agora, passa a ser tomado sob um alto apelo de “espiritualização”. Ou seja, decisões e tarefas forçadamente “espiritualizadas” ficam mais importantes que conclusões objetivas, sensatas e lógicas através da racionalidade dada por Deus ao ser humano. Até mesmo o cerne e a primariedade da mensagem que fora revelada nas Escrituras ganha sentido secundário para dar evasão à “espiritualização”.

Pensamento crítico, lógico, honesto, cauteloso, moderado e independente de um exemplar cristão, inspirado pela sabedoria do Espírito, é desencorajado, e pode ser visto como egoísta, pois o intelecto racional é mal, é “razão”, agora tudo tem que ser pretensamente “revelado”- “consulta ao Senhor” ou “revelação do Senhor”.

Evidentemente, para uma pessoa despreparada, se deparando com esses ensinos, infantilmente abraçará essas conclusões, porque tais ensinos, por si mesmos, traduzem em credibilidade espiritual. Logo, a primeira sensação de uma pessoa que estar a ser arregimentada por um grupo dessa natureza é um conflito existencial que impregnaram em sua mente, o sentimento de culpa em relação à dualidade “Revelação x Razão”; que, tendenciosamente, quer dizer: ou escolhe “a verdade”, “a revelação”, a “orientação do Senhor” e se dará bem ou escolhe a sua “razão humana”, “filosófica”, “teológica” ou vai se dá mal etc.

Aparentemente tudo parece revestido da mais pura honestidade, mas por trás disso há um ardiloso interesse de manipulação e controle fácil sobre a vida alheia, retirando a responsabilidade racional que perfaz o ser humano criado por Deus. A fé deixa de ser racional e sóbria e passa a ser baseada na “revelação” (leia-se, baseada em reações emotivas, irracionais, impulsivas e, sobretudo, na obediência cega e subalterna à liderança). Tudo não passa de uma manobra puramente humana e maligna para atingir objetivos puramente pessoais e, assim, os líderes infantilizam as ovelhas, logo, numa posição privilegiada, eles acabam isentos de qualquer argüição pela Palavra de Deus, senão livres para exercer o mando e desmando a bel-prazer.

Dessa forma, com o tempo, a pessoa fisgada passa a enxergar como “revelação” tudo aquilo que sai da boca da liderança do grupo exclusivista e “razão” tudo aquilo que é dito por outros cristãos e líderes de outras igrejas, e “letra” tudo aquilo que está primariamente e objetivado nas Escrituras. Ou seja, as palavras de seus pastores tomou o lugar da Bíblia e da cautela cristã devida a todo servo de Jesus, e passou a ser a fonte e o árbitro de toda a vida do crente que se apequenou diante dos homens. Portanto, não é surpreendente ouvir, à exaustão, essa expressão “Palavra Revelada” lá na ICM.

É inclusive um DIVISOR de águas entre os que a “possuem” e os que “não a tem”. É um “requisito” imprescindível para quem almeja galgar funções e cargos, sobretudo para “ungidos” e pastores que necessitam dominar muito bem essa “habilidade” da “Palavra Revelada” para serem considerados “na revelação”.

Mas, o que seria dentro do “entendimento de Obra” essa expressão? Nós, como fomos membros lá durante muitos anos da vida, começamos a buscar entender isso. Após um período não curto de observações, estudos e orações em busca de sabedoria divina, chegamos a uma conclusão.

1) ALEGORIA BÍBLICA x ALEGORIZAÇÃO DA BÍBLIA

Em sua pretensão exclusivista, a ICM tende a rotular suas doutrinas com expressões bem originais, jargões próprios, que remetem a um apelo de espiritualização, logo, credibilidade espiritual, àquilo que, claro, pertence a ICM. Um marketing bem elaborado, mas tendencioso. A “Palavra Revelada” não é nada de novo e muito menos é um “segredo dessa Obra”. Embora muitos membros da ICM comprem essa idéia que lhe vendem, a famigerada “Palavra Revelada” é um método muito antigo de se ver as Escrituras. Historicamente, a alegorização teve sua origem na Grécia (século IV a.C.), influenciou o judaísmo através de Filo em Alexandria (século II a.C.) e só depois veio para o cristianismo através de teólogos cristãos, tais como Jerônimo, Orígenes e Agostinho. Nos meados do século XX alavancou popularidade no seio pentecostal com o chinês Watchman Nee, cujas obras literárias seduziram e influenciaram por demais os fundadores da ICM, principalmente o primaz, na elaboração das mensagens tipológicas da ICM.

O problema da ICM é essa sua obstinação de querer arrogar para si a “invenção da roda” ou a “descoberta da pólvora”. No intento oportunista e avarento de seduzir os visitantes e novos convertidos para si, a ICM tenta trazer para si a glória de ter “descoberto” esse método de interpretar as Escrituras, dogmatizando, agora, isso de “Palavra Revelada Além da Letra! Segredos dessa Obra!”.

Só que todas as demais Denominações cristãs, na pessoa de seus líderes, conhecem a teologia de alegorizar os Escritos Santos. Sabe que isso é antigo. Entretanto, não a denominam com um termo pretensamente espiritual – “palavra revelada” -, mas simplesmente com aquilo que ela sempre foi e é: alegorização ou espiritualização das Escrituras. Simples. O caso da ICM seria como aquele episódio que anos atrás ocorreu entre Brasil e Japão a respeito do suco de assaí. O Japão queria patentear como propriedade de suas fábricas a descoberta de tal suco, que é originariamente brasileiro, do Pará. Claro não teve sucesso judicial.

É a mesma coisa que ocorre com a ICM e a alegorização das Escrituras. A ICM apresenta e vende o produto como um “segredo da Obra”, muda só o “rótulo do vidro” e coloca lá a marca “Palavra Revelada”, mas o conteúdo é o mesmo. Alguns ingênuos, acomodados e ignorantes na Palavra, compram a idéia e retransmitem para outros, e esses outros, retransmitem para outros. Sim, é um tipo de pirataria teológica. Percebemos o exclusivismo pretensioso da ICM? Jogada marqueteira. Porém, a alegorização ou espiritualização das Escrituras, seja o que a ICM e as outras denominações fazem, não é algo eminentemente positivo e salutar para a vida do cristão e da Igreja.

É justamente por causa da alegorização dos Escritos bíblicos que muitas heresias surgem a torto e a direito, através de sentidos totalmente descontextualizados que fogem radicalmente do objetivo central do ensino das Escrituras. Pastores empavonados, ávidos por reconhecimento e aplausos, costuram mensagens espetaculosas, cheias de malabarismos e arranjos coloridos, de modo a tanto elevar o ego do pregador à glória, como seduzir a uma manada de ouvintes da igreja. 

E, além do mais, esse método de alegorizar as Escrituras, quer queira quer não – por fugir das instruções ou lições primárias e centrais da mensagem de Deus – não tem nenhuma aplicabilidade concreta na vida cristã, mas sim o ouvinte escuta um calhamaço de divagações tipológicas que não lhe trazem nenhum preparo consistente para os desdobramentos da vida, tampouco um alimento denso para o preenchimento da alma.

De fato, é vazio, oco e tedioso as mensagens, as aulas, as pregações da ICM, a partir do momento em que você percebe que a tal da “revelação” gira em função de tipologias e simbologias. Entretanto, não há como negar que os escritores bíblicos mencionam e usam alegorias, figuras, metáforas ou parábolas. Isto é um fato inegável. Aliás, lançar mão desses recursos é pertinente a todo e qualquer pregador ou professor secular. Não precisa ser muito inteligente ou metido a “espiritual” para saber que é muito pedagógico utilizá-las. Afinal, em todo o ramo de ensino se usa o mecanismo das metáforas, das parábolas ou das ilustrações para imergir mais facilmente o ouvinte no resultado prático que a mensagem quer alcançar.

No entanto, usar uma parábola (linguagem figurada) para ensinar, ilustrar ou destacar uma verdade é bem diferente de ficar procurando, por exemplo, obstinadamente figuras, tipos, números, significados sobre isso e aquilo em toda e qualquer versículo, para toda e qualquer situação, para toda e qualquer pregação, desviando daquilo que a mensagem de Deus quer nos atingir, ingressando no perigoso campo da especulação e da inverificabilidade que o “varão da mensagem” sugere ter “alcançado” a “verdade escondida” que ele diz estar “além da letra”. O “servo da mensagem” foge do conteúdo primário da mensagem bíblica e cai no campo da especulação, e, arrogantemente, assevera que aquilo é “revelação além da letra”. Ou seja, notemos as sutilezas, muitas vezes imperceptíveis para nós: o pretensioso pregador eleva a sua interpretação alegórica como a mais pura Verdade Absoluta – “a revelação” – e, indiretamente, inferioriza as Escrituras Sagradas.

Além de ser uma postura de falsa humildade, demagógica, desacata e destorce a Palavra de Deus, embora cheias de aparentes boas intenções a postura do “varão valente”. Por isso, cabe distinguir a alegoria propriamente bíblica da alegorização das Escrituras. O uso literário da alegoria dever ser distinguido do método de interpretação (bíblica) chamado “alegorização” (ou alegórico). Este método é caracterizado pela busca de um significado dito mais profundo nas declarações literais de um texto, que diz não está facilmente visível – que a ICM dogmatizou isso de “revelação além da letra”.

Por isso, do perigo. Porque método freqüentemente indica mais os padrões de pensamento do intérprete do que do autor original. Nesse método, o significado histórico, instrutivo, objetivo é negado ou desprezado, de tal modo que a tônica central e real das Escrituras recai inteiramente em um sentido secundário, e a alegorização ou a “Palavra Revelada”, oriundo da cabeça do intérprete, ganha uma importância primária e falsamente real da mensagem bíblica – “a verdade oculta” que somente os “campeões de Deus” que detêm a “Palavra Revelada” é que serão os portadores da interpretação verdadeira da Bíblia.

Percebemos o caminho sutil e tenebroso que o homem vaidoso e soberbo religioso procura de tal forma a desembocar nas heresias?

“Existe [...] uma liberdade ilimitada para a fantasia, basta que se aceite o princípio, e a única base da exposição encontra-se na mente do expositor.” Angus & Green.

O grande perigo do método alegórico é que ele não interpreta as Escrituras. Ele vai justamente “além da letra” segundo a opinião e sugestões do pregador, subjetivando e especulando uma “verdade oculta” que ele diz que encontrou, mas que tais conclusões são impossibilitadas de serem testificadas. Assim, a Igreja passa a ver a Bíblia não como autoridade maior da doutrina de Deus, mas sim a “revelação” (interpretação) que a liderança detém da Bíblia. “Afirmar que o principal significado da Bíblia é um sentido secundário e que o principal método de interpretação é a “espiritualização” é abrir a porta a imaginação e especulação praticamente desenfreadas. Por essa razão, insistimos em que o controle na interpretação se encontra no método literal“. Angus & Green.

A autoridade básica da interpretação deixa de ser a Bíblia e passa a ser a mente do intérprete, sob a qual não há meios de provar as conclusões do intérprete. Ora, como corruptível o homem é, sua interpretação pode então ser distorcida por suas posições doutrinárias, por seus preconceitos, estado de espírito, tradições e costumes da Instituição Religiosa à qual ele pertence, por seu ambiente social, interesses e por sua formação ou por uma enormidade de fatores. Portanto, não procede de forma alguma a pretensão infantil e irresponsável de defender a tese de que o que o “varão da mensagem” falou foi uma “revelação do Senhor”. Quem nos garante? Prove! Como irá a provar, se não há base bíblica? Como irá provar, se fugiu da primariedade daquilo que a Bíblia assevera? Logo, se não está na Bíblia é o quê? Estão vendo o perigo dos ensinos da ICM nas nossas vidas?

Assim, os grandes perigos inerentes a esse sistema são a eliminação da autoridade das Escrituras, a falta de bases para averiguar as interpretações da “Palavra Revelada”, a redução das Escrituras ao que parece razoável ao intérprete e, por conseguinte, a impossibilidade de uma interpretação verdadeira das Escrituras. No frigir dos ovos, a verdade passa não está mais naquilo que as Escrituras e o Espírito, pela leitura, dizem na intimidade ao servo de Cristo, mas naquilo que a liderança, numa posição de mediadora, diz a respeito daquilo que ela entende por verdade ao servo, que ele, portanto, deve cumprir. No caso, na ICM, a verdade – “a revelação” – passa a ser tudo aquilo que o PES diz e entende; ao passo que tudo aquilo que as Escrituras dizem em seu sentido objetivo, primário e real é “letra”, é “razão”, é “teologia”, é “sem-revelação”.

Percebamos a que ponto chega a obstinação, o fanatismo, a arrogância de permanecer no erro, de defender o indefensável? A ponto de desacatar, inferiorizar, diminuir, relativizar e blasfemar dos ensinos de Deus.

Por incrível que pareça, como mais um exemplo de distorção bíblica, a ICM procura justificar essa atitude com textos bíblicos como o de 2 Coríntios 3:6b, em que Paulo fala: “…pois a letra mata, mas o espírito vivifica”. Basta lermos o contexto desta passagem para concluímos que “a letra” da qual Paulo esta reprovando não é aplicabilidade central, literal, primária, simples e objetiva do contexto das Escrituras, mas a observância da Lei de Moisés, em seus ritos e cerimônias, como um fim em si mesmo; inúteis para a vida cristã, a qual é dependente tão-só do Espírito de Deus. É exatamente a falta de entendimento espiritual, da carência de humildade para com as Escrituras Sagradas, que faz com que o homem não creia na singeleza de Jesus, e ignore essa prescrição de Paulo: E eu, irmãos, apliquei estas coisas, por semelhança, a mim e a Apolo, por amor de vós; para que em nós aprendais a não ir além do que está escrito, não vos ensoberbecendo a favor de um contra outro. 1 Coríntios 4:6

2) O OBJETIVO DA “PALAVRA REVELADA”

Ouve-se enfadonhamente o Panteão de Vila Velha gabando-se de ter “alcançado” a “revelação” das Escrituras. Mas eles só falam é porque tem uma geração que lhe dá crédito. Infelizmente nos deparamos com uma geração analfabeta de Bíblia. Os crentes querem sentir, mas não pensar. Querem sentir arrepios, mas não querem estudar a Bíblia com dedicação. Querem bater no peito de orgulho (por serem da “Obra”), mas não querem pôr a prova o que lhe vendem. Tudo o que é falado em nome de Deus, estas pessoas aceitam. Basta ter o carimbo do clichê “o-siô-mostrô” ou “o-siô-revelô” que está tudo bem, acreditam. Ou basta dizer que quem falou foi um “ungido do sinhô” que está tudo certo também, defendem. E tudo que eles ouvem, repetem como um gravador – a síndrome do Papagaio. Um dos maiores perigos é quando nos acostumamos com afirmativas que, de tanto ouvi-las, acabamos condicionando-as como verdades absolutas e imutáveis. Correndo o risco de sermos reputados como “sem revelação” ou “letrista”, gostaríamos de questionar o uso de algumas “figuras” que nos são apresentadas na ICM e em outras denominações. Cremos que uma figura só é válida quando se aplica a todas as situações e pode ser levada às últimas conseqüências. Vejamos alguns exemplos:

a) Egito é figura do mundo. Todos nós já ouvimos ou até mesmo já dissemos esta frase. Mas será que uma palavra que é usada em um lugar com um sentido tem o mesmo sentido em outro texto e contexto? Quando fugiam da ira de Herodes, para onde José e Maria levaram Jesus? E aquele texto que diz: “Do Egito chamei meu Filho?” (Mt 2:15). Perguntamos: Egito aqui pode significar o mundanismo?

b) O Barco é tipo da “Obra” ou do “Corpo”. Também todos nós escutamos essa tipologia, inclusive utilizada muito em “visões” no “culto-profético”. É uma pregação muito tendenciosa da ICM sobre o episódio em que Jesus caminha sobre as águas e encontra Pedro e os demais num barco no mar da Galiléia. A ICM para defender o seu exclusivismo e isolacionismo sócio-religioso, apregoa que Pedro, ao sair do barco em direção a Jesus, afundou devido ao fato de que “saiu do corpo”, “da Obra”, e afundou porque sua fé só tem aplicabilidade no “corpo”, “na Obra”. Perguntamos: Pedro saiu do barco foi por rebeldia ou foi por que Jesus o chamou? Pedro afundou foi por ele não confiar, seguramente, nas palavras de Jesus ou foi por ele ter saído do barco, no caso, “do corpo” (Mt 14:29-31)?

c) Faraó é figura do diabo. Esta é outra afirmação que já ouvimos bastante, mas que não se encaixa bem, pois, se assim fosse, em Gênesis 47:7 veríamos Jacó abençoando o maligno!

Com isso, vemos inúmeras mensagens dos mais variados tipos, para todos os gostos, para as mais diferentes pessoas. Pastores, diáconos e obreiros embalados no afã da vaidade de serem reverenciados como um servo com “palavra revelada” ou que “alcançou a revelação” usam o texto bíblico como querem, e vêem nas Escrituras, aquilo que Jesus e nem os apóstolos viram, tampouco os renomados estudiosos ao longo do tempo da Igreja. Em obras literárias vendidas no “Maanaim”, cujos autores são da ICM, observamos os arranjos carnavalescos que fazem com as Escrituras, sem nenhuma responsabilidade.

Tais como: Juízes 15: 14 ao 19 Vers. 15 – queixada fresca dum jumento. Queixada – direção do Espírito Fresca – precisamos buscar diariamente às revelações para vencermos os filisteus (mundo) Jo 6: 35, 57. Jumento - animal pequeno, aparentemente frágil, mas que suporta grande carga, fala da obra do Espírito (I Reis 1:33 ao 35). A palavra nos diz que a entrada do Senhor Jesus em Jerusalém foi triunfal (Mt. 21:5,9). Ele entra montado num jumento, mostrando toda a humildade, beleza e mansidão do seu caráter (semelhança do Pai), um Rei que veio para servir, e levar os nossos fardos, nossos problemas, nossas enfermidades – Is. 53:4,5 – Fil. 2:5 ao 9. Através da obediência e humildade ao “PAI”, JESUS pode vencer o mundo (os filisteus) Jo 16:33.

Quando Sansão se apodera da queixada fresca dum jumento, ele se apodera da revelação dada ali no momento (fresca), segundo à sua necessidade; mostrando que a revelação tem que ser uma constante na vida do servo. Dia a dia, enfrentamos lutas, dificuldades, as mais variadas e vamos precisar da orientação do Senhor para resolvê-las, para vencê-las. Vers. 16 – Sansão conta a vitória que teve sobre os filisteus. Vers. 17 – Acaba de falar, “lança à queixada” – Lançar a queixada é o que geralmente acontece com nossas vidas, nos esquecemos muito facilmente das bênçãos recebidas, logo estaremos diante de outras lutas, e não podemos deixar à revelação. Vers. 18 – Sansão teve grande sede, e clama - Isso nos fala da dinâmica da nossa salvação.

As lutas são constantes, elas não cessam, não há tréguas, por isso Sansão mal vence uma luta, já está com sede (justiça), e, ao clamar vemos que no vers. 19 Deus responde fendendo a caverna (Jo 4:10,14). A água (revelação) estava oculta (na caverna) foi necessário a ação do Senhor de (fender, abrir, revelar) e a ação de Sansão de buscar (clamar). (grifos nossos) Isto é uma falta de respeito ao Texto Sagrado. Isto é torcer as Escrituras e interpretá-las sem nenhum critério. Uma das regras fundamentais de uma boa exegese bíblica é: a Bíblia diz justamente o que ela quis dizer.

O pregador não cria a mensagem, ele a transmite. A mensagem emana das Escrituras, e não de sua habilidade de deturpá-la. A Bíblia diz aquilo que realmente ela nos quer dizer, nos transmitindo uma simples lição de vida, seja por testemunhos de episódios históricos, seja por prescrições diretas. A Bíblia mediante o seu CONTEXTO como todo, nos responde qual fora o ensino prático do episódio de Sansão. Queixada – direção do Espírito. De onde tiraram essa pérola? A queixada foi um instrumento de luta, uma arma. Ela jamais poderia “dirigir” Sansão. Ele é que a manipulou com tal habilidade e força, que obteve vitória sobre os inimigos. Sansão USOU a queixada. Sansão MANIPULOU a queixada, e não o contrário. Como é que ela pode, mesmo assim, ser comparada à direção do Espírito? Em nenhum momento, Sansão caiu em transe e deixou-se levar pela mandíbula de um animal.

NÃO somos nós que manipulamos o Espírito de Deus, mas Ele que nos inspira. O ensino da “palavra além da letra” inverte os valores e pretende anular a PROMESSA de Deus que repousava sobre a vida de Sansão, ao designar-lhe para julgar o povo de Israel. A direção do Espírito residia na própria mente de Sansão, e ele agia com confiança total no Senhor, que lhe garantia o sucesso. Se não fosse assim, ele jamais teria enfrentado tantos soldados treinados para a guerra sozinho e apenas com a mandíbula de um asno.

A propósito, a ICM também defende a alegorização de que as CINCO PEDRAS que Davi pegou no ribeiro são tipo dos “meios de graça” (da ICM, claro). Ora, se ele acertou Golias com a primeira pedra, o que Davi fez com as outras?

Jogou fora? Foram inúteis? Prestemos atenção numa coisa: A ICM dá mais importância aos objetos, ao ritualismo, do que o feito do servo de Deus guiado pelo Espírito Santo. É através dessa “alegorização” irresponsável e sem critério nenhum que surgem as heresias. O erro da ICM de espiritualizar objetos bíblicos, como que em si mesmos eles detivessem uma aura de poder ou superstição, levou-a conseqüentemente por espiritualizar “arranjos de flores” sobre o púlpito (julgado como tipo do Espírito Santo, dos dons espirituais); os “maanains” (chácaras da ICM) – “santo lugar”, “onde Deus opera de forma especial”, atribuindo-os como um local espiritual onde a “Obra tem mais alcance”; assim também é o livro (estrutura e organização) da Bíblia que fora espiritualizado para jogar bibliomancia; e diversos outros objetos como seus templos (a “Casa de Deus”), púlpitos (só varões podem estar sobre ele e só se pode prostrar-se em direção ao mesmo), horários (madrugadas), recitação de frases (“clamor”) etc. Observemos que a ICM desviou a fé, pois a confiança, agora, em Deus ficaram condicionadas não de ser através da fé em Cristo – “o justo viverá pela fé” –, mas sim na superstição.

Para ser fiel e receber bênçãos, venha à “madrugada”, recite o “clamor”, faça mutirões, venha ao templo, vá aos “maanains”. Enfim, tudo iniciado por querer encontrar “pêlo em casca ovo” nos versículos bíblicos, nos quais, simplesmente, era uma simples lição de vida quando o servo é dependente tão-só da fé no Senhor. Um “abismo leva a outro abismo”. Como os católicos, tiveram as experiências, e resolveram dogmatizar os objetos como meios espirituais para se alcançar bênçãos e esqueceram-se da fé no Abençoador. Querem as bênçãos, mas não querem a verdade do Abençoador.

Feito essas colocações, reparemos nisto, se estamos nós errados: os estudos considerados como “Grandes Revelações da Obra” estão sempre contidas no Antigo Testamento. Será que já refletimos acerca de tal fato? 2.1. “Palavra Revelada” no Antigo Testamento. É claro que nem todos os estudos deles estão no Velho Pacto, porém, digamos, que a maioria esmagadora das aulas de seminários, reuniões de jovens, obreiros e professoras são amparadas em exemplos tirados sempre dos escritos veterotestamentários.

Por que será? A ICM como uma igreja cristã, não deveria concentrar-se mais especificamente nos ensinos de Jesus como, por exemplo, o SERMÃO DO MONTE e as PARÁBOLAS? Já nas cartas apostólicas, não podiam focar o motivo de Paulo, João, Tiago e Pedro terem redigido as cartas às igrejas da região da Palestina, Ásia Menor e parte da Europa? Até porque são cartas cujos ensinos e prescrições são para a edificação de congregações de cristãos e vida individual em Cristo. Percebemos o contra-senso?

Todos nós sabemos que o Antigo Testamento nada mais é para nós – CRISTÃOS – que o cumprimento das coisas futuras. E, que atualmente serve para nós apenas como relatos históricos, lições através de servos de Deus que perseveraram em momentos de luta (testemunhos ) em demonstrações de muita fé e também a fim de que vejamos o simbolismo de todo dogmatismo judaico cumprindo-se EXCLUSIVAMENTE na pessoa do Senhor Jesus, ou seja, o Messias, o Cristo. NUNCA, jamais como FONTE DOUTRINÁRIA, uma vez que NÃO SOMOS JUDEUS. Se não, vejamos o que disse o próprio Paulo: “Mas os seus sentidos foram endurecidos; porque até hoje o mesmo véu está por levantar na lição do velho testamento, o qual foi por Cristo abolido;” 2 Coríntios 3:14 Enfim, todo o seu simbolismo judaico nada mais é que isso: “SOMBRA DAS COISAS FUTURAS”. Alguns devem saber disso, outros não. As Sagradas Escrituras homologa nossa afirmativa: “Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados, que são sombras das coisas futuras, mas o corpo é de Cristo.” Colossenses 2:16-17 (Leiam o capítulo inteiro para entender)

Todos esses elementos ritualísticos e costumeiros são pertinentes à cultura hebraica ou ao judaísmo, as quais foram todos abolidos por Deus, mediante Cristo para nós, os gentios. Em outros termos, não são mais aquilo que há de cumprir-se ainda em nosso tempo, mas sim do que já cumpriu – EM CRISTO – no tempo de Jesus. Porém, “o segredo” da “ICM-Obra” não é convergir todo Antigo Testamento em Cristo, como se deve, mas sim encontrar cumprimento em SI MESMA. Ainda que façam de maneira superficial para remeter a Cristo, em sua grande maioria, quase todo seu conjunto dogmático, doutrinário e costumeiro é alicerçado e defendido pela alegorização do Velho Testamento.

O povo sem conhecimento da Palavra é levado a entender que “A OBRA” (A própria ICM e seu arcabouço de doutrinas) é tudo aquilo que está simbolizado na Escritura, principalmente no Antigo Testamento. Muitos ficam extasiados e impressionados com tamanhas “correlações” doutrinárias da ICM com o Antigo Testamento. E o pior, é que acham isso positivo. Vários estudos divulgados maciçamente em seminários, por períodos distintos, baseados à exaustão no Velho Testamento, são destinados a justificar as heresias da “Obra”, a exaltá-la e glorificá-la como uma denominação escolhida de Deus (“Igreja Fiel”), e, por fim, a fazer o paralelo entre a ICM e as outras denominações, afirmando que as demais não “alcançaram a revelação. Segredos DESSA Obra!”.

Alguns desses estudos apesar de não mais serem parte integrante do roteiro de um Seminário, ainda são repassados nas congregações, sejam em aulas, reuniões ou diluídos em pregações com o foco de reforçar a doutrina. Isso é feito comumente até hoje. Alguns desses estudos citamos abaixo, para relembrar os que já o assistiram em algum momento:

VIRAI-VOS PARA O NORTE;

O USO DO ARCO;

OBRA NA ARCA;

ECUMENISMO;

HISTÓRICO DA OBRA;

FUNDAMENTOS DA OBRA;

OBRA DE DAVI E OBRA DE SAUL;

TABERNÁCULO;

A CRIAÇÃO;

MESCLA;

OBRA COMO FORMA DE VIDA;

VIVA O REI;

CANTARES;

OS VALENTES DE DAVI;

LIMITES DO ESPÍRITO SANTO;

E muitos outros. Muitos. Mas por que não focam estudos nas cartas apostólicas, dirimindo as circunstâncias e os problemas que levaram Paulo a redigirem-nas a determinadas igrejas, e a dos outros apóstolos? Exceção a carta de Judas, que, aí sim, eles focam, mas de uma forma deliberadamente distorcida e oportunista em favor dos interesses da ICM. Explicaremos mais adiante. Então, percebemos como a discrepância é gritante? Poderíamos dizer que a ICM seria uma denominação de judeu-messiânicos? Ou de gentios que querem ser judaizantes, mesclando a doutrina do judaísmo (com alterações próprias, com algumas conveniências e adaptações), mas com o reconhecimento de Jesus Cristo e Seu Espírito? É justamente através desses estudos e de outros que a ICM ampara toda a sua política administrativa e sua doutrina religiosa. Atos como:

Censo da Instituição;

Exclusão de membros;

Isolacionismo ou sectarismo;

Exclusivismo religioso;

Autoritarismo religioso;

Punição de membros;

Aquisição de imóveis;

Consulta a Deus;

Usos e costumes;

Sacralização de objetos e patrimônios;

Levantamento para funções;

Organização de cargos e funções;

Estrutura doutrinária;

Enfim, tudo isso é baseado e justificado pelas doutrinas do Antigo Testamento, adaptadas do judaísmo para o tempo presente segundo as conveniências e entendimentos da liderança para o regime da ICM. Quando lermos o Velho Testamento, é possível notarmos algumas semelhanças entre essas duas categorias citadas – o judaísmo e o “icemitismo”, Em contrapartida, o Novo Testamento já não é tão fácil fazer distorção, visto que o mesmo já está exposto de forma CLARA e OBJETIVA evidenciando CRISTO e Sua Doutrina. Sendo assim, qualquer desvio logo é identificado, reputando-se sem dúvida como uma heresia. O Novo testamento é simples, conciso e sólido quanto ao fazer e o não fazer, cumprir e o não cumprir, enfim, o ser ou não ser. Por isso, os membros e líderes da ICM não conseguem justificar o seu arsenal doutrinário através da Sã Doutrina (Novo Testamento), senão com os desvios convenientes e especulativos lá dos obsoletos costumes judaicos do Velho Testamento. Com efeito, eis o motivo da ICM focar tanto o Velho Testamento: “A PALAVRA REVELADA” dentro desse contexto da ICM é nada mais nada menos que conseguir justificar sua doutrina própria e particular em textos bíblicos vétero-testamentários, ainda que para isso seja necessário isolá-los de seus contextos, forçando sua alegorização para que no fim possam “explicar” o porquê de suas práticas, usos e costumes, e até mesmo julgarem-se a parte central de um grande “PROJETO” (como sempre dizem). Abrimos aqui um parêntese para explicar algumas práticas, usos e costumes da ICM pautadas na alegorização do Antigo Pacto, para melhor proporcionar a compreensão do leitor. Vejamos:

a) “CONSULTA À PALAVRA”: justificada no Urim e Tumim. Ressalte-se que nem a Torá (V.T) era usado dessa forma bibliomântica pelos profetas, sacerdotes, reis ou pelo povo judeu;

b) “NÃO TOQUEIS NOS MEUS UNGIDOS”: justificar o autoritarismo e a intocabilidade (leia-se inquiri-los segundo as Escrituras) em seus pastores. Regressam ao judaísmo para se tornarem sacerdotes, reis e profetas de Deus na prerrogativa de serem inquestionáveis;

c) “MESCLA”: Deus proibia a “mistura” dos judeus com os gentios (pagãos). A ICM, então, por suas torpes conveniências, justifica que seus membros não podem ouvir, assistir, congregar, relacionar com os cristãos de outras denominações, ainda que os tais sejam cristãos de fino trato e de bons procedimentos em Cristo. Ou seja, como os membros da ICM fossem o atual povo escolhido (judeus) e os outros cristãos fosse a gentalha espiritual (gentios). Afinal, todos já devem ter escutado, nos seminários, o espantoso jargão: “Assim como Israel foi escolhido entre as nações, a Obra foi escolhida entre as denominações”.;

d) “CLAMOR PELO SANGUE DE JESUS“: Aqui realizam uma verdadeira bananada de doutrinas. Misturam o holocausto do Antigo Testamento com o Holocausto do Novo Testamento (o Sacrifício do Senhor). Explicamos: Enquanto o holocausto judaico cessava-se na medida do tempo, à medida que o povo caía em pecado, e Deus, em tese, o perdoava através da oferenda de sacrifícios de animais, ou seja, um holocausto imperfeito, no Novo Testamento, o Senhor mesmo se fez como Holocausto, Cordeiro Eterno, para o perdão de todos aqueles que nEle cressem, não precisando mais de oferecer sacrifícios periódicos, senão o crente estaria negando a eficiência completa e perfeita do Cordeiro Eterno. Porém a ICM diz que não é bem assim, pois segundo a “Palavra Revelada”, agora, o crente (da ICM), em vez de sacrificar animais, deve “clamar pelo poder do sangue de Jesus” para que Sacrifício do Senhor (Novo Testamento) tenha efeito sobre a vida do crente. Não basta apenas crê e se arrepender, mas também de recitar essa frase par ser perdoado, mas também para recorrer de Deus proteção e livramento. Isto é, a primariedade do poder do perdão de Deus não está mais na Sua misericórdia pelo Sacrifício do Filho, senão no mérito do crente (da ICM) recitar a frase do “clamor”, pois uma oração sem o devido “clamor” não teve efeito. Um engodo!

e) “JACÓ E RAQUEL”: Justifica esse enlace para que seus jovens só procurem namoro na ICM, ou seja, como eles dizem: “Namorem membros da nossa parentela, dessa “Obra”;

f) “OBRA DE DAVI E SAUL”: Aqui tentam incutir na mente do auditório que a “Obra de Saul” são as demais denominações religiosas, de aparências, muitos membros, mas “sem revelação” e “obediência”. Ao passo que a “Obra de Davi”, são eles, da ICM, obedientes, que não olham para o homem (segundo eles) e vivem sempre “na revelação”.

De todos os disparates destacamos estes dois:

A deturpação no Antigo Testamento do trecho de Joel 2, sobre o advento do Espírito Santo – fato esse cumprido no dia de Pentecostes entre os

discípulos do Senhor e os primeiros seguidores da doutrina cristã, lá em Jerusalém, e desde esse dia o Espírito vem operando aqui na vida dos cristãos. Só que a ICM, inclusive registrou em seu site (e repete em outras várias ocasiões verbais: seminários) que a instituição ou seu sistema religioso é o próprio cumprimento dessa profecia relatada pelo profeta Joel. Como se o profeta estivesse profetizando sobre a fundação da denominação Igreja Cristã Maranata. Se disserem que não é bem isso que queriam ou querem dizer, então rebatemos afirmando que a frase da maneira que é lida soa de uma forma muita capciosa e gera essa margem de entendimento, induzindo o leitor/ouvinte a pensar isso que relatamos. Se não, vejamos na íntegra a descrição da fundação, atentando ao último parágrafo, para ver quem a fundou, segundo eles: Igreja Cristã Maranata A Igreja Cristã Maranata emergiu no seio da comunidade evangélica mundial como resultado de um acontecimento previsto na Bíblia para o tempo presente, como se lê em Joel 2:28 que diz: “E há de ser que nos últimos dias derramarei o meu Espírito sobre toda a carne. E vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos velhos terão sonhos, os vossos mancebos terão visões.” Fundador e fundamento O fundador e o fundamento se identificam na pessoa do Senhor Jesus Cristo. Não há, portanto ênfase a outro nome ou nomes já que a sua existência é parte do plano profético de Deus para os nossos dias. A existência de quem? Quem eles estão se referindo nesse último grifo? Arrogar para si o cumprimento de tal trecho bíblico é pausar a história do cristianismo em praticamente 2000 anos. E ainda complementam que a ICM é um plano profético de Deus para os últimos dias. É de uma presunção sem tamanho. Absurdo! Outro ponto que eles normalmente baseiam tal “profecia” de sua fundação é neste versículo: “Vede entre os gentios e olhai, e maravilhai-vos, e admirai-vos; porque realizarei em vossos dias uma obra que vós não crereis, quando for contada.” Habacuque 1:5 Se alguém se der ao trabalho examinar as Escrituras nesse livro do profeta Habacuque, verá logo no versículo subseqüente, que essa “obra que vós não crereis” se refere, sim, à opressão que a terra de Judá sofreria nas mãos dos caldeus. Logo, o Senhor não está se referindo, através do profeta, sobre a fundação da ICM lá no futuro, no ano de 1968, d.C, numa nação chamada Brasil.

Aliás, para todo e qualquer versículo que contém a palavra “obra”, seja o versículo do livro de Neemias, sejam os versículos que escolheram e escolhem

para ser o “lema do ano”, sempre fazem questão de escolherem os tais que tenham menção da palavra “Obra” dada à obsessão exclusivista em arrogar para si, por ilustrações e alegorias, as passagens para o que eles vivem. Justamente para cultivarem cada vez mais e enaltecerem “essa Obra” que eles vivem, chamada Igreja Cristã Maranata, ratificando o exclusivismo no coração dos inocentes membros. Quanto às pregações que entregam no dia a dia em cultos diários, aulas dominicais e de jovens, a grande parte das mensagens estão em textos do Antigo Testamento, a fim de expor à congregação as simbologias, tipologias, alegorias com cores, e demais outros comentários que não tem proveito espiritual (amor e fé) nenhum para os desdobramentos da vida cristã. Não obstante, fascinam e cativam os novos convertidos com essa pseudo sabedoria de busca de mistérios nas Escrituras ainda a “serem revelados” só a eles. Prestemos atenção numa coisa: SEMINÁRIOS é um foco; CULTOS é outro. Em seminários são onde demonstram todo o espírito faccioso e exclusivista deles, expondo esse emaranhado doutrinário do Velho Testamento convergindo na “Obra” quase que em todas as aulas. Não se sentem nenhum pouco constrangidos em tocar trombeta para si mesmo. O exclusivismo e sectarismo são escrachados mesmo! Ao passo que em cultos, como não é possível doutrinar visitantes num primeiro momento e também para fugirem de um possível embaraço público, claro, diminuem essa ênfase exclusivista a si mesmo pelo Velho Testamento, embora não deixem pregar sob o mesmo. Nos cultos, buscam simbolizar e alegorizar todas as passagens da Velha Aliança em Jesus Cristo, mas com pitadas sutis exclusivistas e pretensiosas subtendendo que só eles “alcançaram” essa “revelação” de enxergar Jesus profetizado nos simbolismos veterotestamentários. Quando recorrem ao Novo Testamento, mesmo sendo ele coeso e objetivo, tentam fazer o mesmo, sobretudo nos evangelhos. Já nas cartas apostólicas pescam versículos isolados, fugindo e ignorando todo o contexto. Dessa forma, fogem da literalidade que é tão maravilhosa, que fala sobre o amor, a fé, para costurar significados sem finalidade de crescimento espiritual nenhum. Quanto mais se consegue “MARANATIZAR” a Palavra, então mais “revelação” se tem, segundo esse conceito. Tiram o foco de CRISTO, e sutilmente acabam por substituí-Lo pela DENOMINAÇÃO ou “OBRA” (seu sistema de doutrinas), como queiram. Como dissemos, isso ocorre demasiadamente em seminários, não tanto como nos cultos para não “escandalizar” os visitantes. Tanto que, é muito comum escutarmos isto: “Aqui, no maanaim, falamos sobre coisas que não podemos falar nos templos para não escandalizar os visitantes”.

Claro, as defesas das doutrinas esdrúxulas e da explícita demonstração do exclusivismo e sectarismo intenso só podem ser feitos às escuras,

para os membros já efetivos, jamais diante de visitantes ou novos convertidos, para não espantá-los ou até a ICM passar vergonha como uma indagação aguda em público ou o abandono imediato em pleno culto de algum visitante após alguma heresia apregoada, ou mesmo a ciência da comunidade cristã sobre o teor da ICM. A Palavra de Deus, como deve ser pública, diz: “Antes, rejeitamos as coisas que por vergonha se ocultam, não andando com astúcia nem falsificando a palavra de Deus; e assim nos recomendamos à consciência de todo o homem, na presença de Deus, pela manifestação da verdade.” 2 Coríntios 4:2 E: “Mas nada há encoberto que não haja de ser descoberto; nem oculto, que não haja de ser sabido.” Lucas 12:2 Enfim, e de tempos em tempos surge um novo “estudo”. E sempre encontram um “cumprimento” da Palavra na “OBRA” em si mesmo. Os mais velhos REJUBILAM, orgulhosos. Os mais novos suspiram de vaidade, os aprendizes que num futuro próximo estarão repassando tudo que hoje lhes é transmitido. Disse Jesus: “Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim (de JESUS CRISTO, e não de uma denominação) testificam” João 5:39 2.2. A “Palavra Revelada” No Novo Testamento Nos comentários acima apresentamos alguns títulos de estudos embasados na Antiga Aliança, dentre os quais sempre buscam encontrar um “GANCHO” pra enaltecerem “A OBRA”, bem como justificar essa “IMPORTÂNCIA” de sua “MENTALIDADE”. Porém, ao menor sinal de esforço da nossa memória recordamos de alguns estudos da Nova Aliança, ou seja, do Novo Testamento, que são usados não na intenção de “promover a Obra”, mas sim de confirmá-la ou reprovar as outras agremiações ou tudo aquilo que possa prejudicar seus interesses institucionais. Eis alguns: a) IGREJA CORPO DE CRISTO:

Pelo conteúdo do estudo o título não faz jus. Deveriam atualizar, abstendo-se do sentimento cínico, para ICM como o CORPO DE CRISTO, pois esse estudo nada mais é que uma APOLOGÉTICA a doutrina “revelada”, bem como a auto-afirmação de que O CORPO DE CRISTO é a própria “OBRA” – Igreja Cristã Maranata. Sempre procuram alguma passagem de Jesus Cristo e seus discípulos, ou alguns textos das cartas apostólicas para justificar a distorção de que Corpo de Cristo se traduz no enclausuramento diário dentro dos limites da denominação, para

não perder a comunhão com o “corpo” – “o sangue não circula” – justificam. Uma das grandes heresias desse estudo é dizer que as bênçãos de Deus, como o amor fraternal, a fé, são só eficazes e condicionados se estiverem no “Corpo”, isto é, na ICM. b) ENFERMIDADE NO CORPO ou SÍNDROME DA QUEDA ESPIRITUAL: Um apanhado de exemplos que intimidam qualquer pessoa, em qualquer instância. Discordar, contestar, questionar ou debater acerca das “pseudo-revelações/orientações” da liderança é terminantemente proibido. A regra é “OBDC” as ordenanças dos líderes e cumprir com fidelidade os dogmas e costumes da ICM, sob pena de ser rotulado de “enfermo”, se assim não proceder. Esse é um dos métodos mais eficazes para intimidar e alienar um membro, concedendo-lhe o MEDO, um aperto opressor no coração, angústia, dado o sentimento de culpa que brota no coração depois de ouvir essas famigeradas aulas. Testado com sucesso e aprovado (salvo raras exceções – como é o caso de nós – Graças a Deus!). c) CARTA DE JUDAS A referida carta foi redigida com o objetivo de alertar o povo cristão a não serem tragados pelos ímpios e incrédulos que tentam levar as ovelhas do Bom Pastor para a dissolução e libertinagem. Esse é o foco dessa carta. Então, em vez de usarem de forma HONESTA e JUSTA o conteúdo de tal carta, descontextualizam-na direcionando a “religião” e aludindo às pessoas que saíram da ICM. E evidentemente que a “Obra” é isenta de tudo aquilo reprovado na carta. Os textos que convém aplicam em favor da “OBRA”. Notem que a carta de Judas, ao contrário das demais cartas apostólicas, ela é amplamente utilizada pelos mestres da ICM, sobretudo esta passagem: “Estes homens são como rochas submersas, em vossas festas de fraternidade, banqueteando-se juntos em qualquer recato, pastores que a si mesmo se apascentam¹; nuvens sem água impelidas pelos ventos²; árvores em plena estação dos frutos³, destes desprovidas, duplamente mortas, desarraigadas, ondas bravias do mar, que espumam as suas próprias sujidades, estrelas errantes, para as quais tem sido guardada a negridão das trevas, para sempre.” Judas 12

Portanto, pelo primeiro grifo eles atacam os desertores da ICM, chamando de ovelhas que se perderam na libertinagem e foram para o orkut, o que é uma inverdade visto que muitos ainda servem ao Senhor Jesus, inclusive muito mais felizes do que nos idos da ICM, onde eram eles sufocados e oprimidos pelo autoritarismo, sectarismo e heresias. Pelo segundo grifo, atacam as outras agremiações alegando que os pastores e os membros não possuem a água para se

ou seja, o Espírito de Deus. E o terceiro, de resto, dizem que eles não dão frutos para o Reino de Deus. Por outro lado, a “Obra” é perfeita, completa e maravilhosa, sem nenhuma mácula, diferente da “religião” e dos “caídos da Obra”, que tudo formam a apostasia. E “Obra”, diga-se de passagem, adivinha quem É ou quem TEM? Nem responderemos…

d) APOCALIPSE

Além da “salada” que fazem nesses estudos (como a mais escandalizável e absurda das heresias da ICM, que é o estudo das trombetas, que só falta a quarta trombeta tocar) sempre querem encontrar profecias que apontem pro advento “desta Obra”. Mas o mais evidente é nas últimas partes do livro, que convergem a Noiva, a Igreja, o corpo de Cristo que será arrebatado à IGREJA FIEL, ou seja, nada mais nada menos que a própria denominação Igreja Cristã Maranata. Uma pretensão digna ser estudada pelos psicólogos como “complexo de messias”. E igreja INFIEL, quem é? Claro, todos os restantes das denominações religiosas… Muito confuso e tendencioso.

e) VINHO NOVO E ODRE VELHO

Por fim, no Novo Testamento outra forçação de barra é descontextualizarem o trecho de Mateus 9:16-17, que fala do remendo novo em pano velho e vinho novo em odres velhos. Usam tal passagem para enaltecerem a ruptura de seus fundadores com o “tradicionalismo” presbiteriano, e, assim, num pano novo, ou odre novo, darem início “a Obra”. O título desse estudo é HISTÓRICO DA OBRA. Para nós cada um desses estudos foi como o soar de um badalo que nos fez despertar de um sono profundo. Em vez de prolongar o nosso coma, acabou por nos despertar.

3) CONCLUSÃO

A multidão, nos seminários, que foi doutrinada à inércia do senso crítico, já não sabe discernir o certo do errado, vai ao êxtase quando se deparam com essa brincadeira cheia de picardia com as Escrituras. Embasbacados, olham uns para os outros e dizem: “Meu Deus, que palavra revelada! Que revelação! Que varão valoroso!” Mas não são como os bereianos, que a cada dia, examinavam as Escrituras (At 17:11). Não podemos misturar ou deturpar aquilo que é Escritura, com conhecimento secular, histórico, enciclopédico, muito menos com nossas opiniões e divagações em prol de nossas paixões e conveniências ao grupo religioso, e a favor de nossas vaidades e egocentrismos de adquirir destaque e aprovação no sistema.

Onde a Bíblia afirma taxativamente uma figura podemos e devemos entender como tal, mas devemos cuidar para não distorcer o sentido original da verdade que o autor queria transmitir. O que é bíblico é bíblico (Rm 5:14; 1 Co 10:6-11; Gl 4:24; Hb 9:9; Hb 9:23-24; Hb 11:19; 1 Pe 3:21; 1 Co 10:4; Jo 3:14), não podemos descumprir a orientação paulina de irmos além do que está escrito (1Co 4:6). Podemos afirmar categoricamente a favor dessas figuras arroladas acima porque a Bíblia as cita expressamente. Foi o Espírito Santo que usou estas alegorias. Vemos, então, que às vezes os autores bíblicos usam alegorias para ilustrar algumas verdades. Onde isto é feito devemos, observando o texto e o contexto, respeitar a intenção do autor. Não fazer isso seria um tipo de desonestidade hermenêutica. Porém, o contrário também é verdade. Não podemos, a nosso bel prazer, alegorizar um texto literal, pois estaríamos fazendo o autor dizer o que ele não disse. Isso fica mais sério, quando lembramos que por trás dos autores humanos estava o Espírito Santo e que Ele é o verdadeiro autor da Bíblia. Contudo, temos visto na ICM, com preocupação, pessoas querendo achar figura para quase tudo na Bíblia, e o pior, para justificar suas doutrinas sem autoridade escriturística. Isto sem falar na numerologia que atribui significado especial a todo e qualquer número que aparece na Bíblia. Infelizmente, pastores e membros da ICM foram doutrinados pela liderança a não pensar de forma humilde e singela a respeito do conhecimento das Escrituras. Poucos são aqueles que lá estão dispostos a dedicar tempo ao estudo sistemático e profundo da Palavra. E principalmente pouquíssimos se dão ao trabalho de ler o texto bíblico, honestamente, dentro do contexto, quando estão preparando suas mensagens, a fim de que sejam, realmente, alimento para os ouvintes. Estão mais preocupados em dar espetáculos: arrancar suspiros, revirar os olhos da igreja e adquirir aplausos e tapinhas nas costas. Aliás, alguns nem sequer preparam suas mensagens. Em sua pretensão e soberba espiritual, a idéia daquela falsa humildade de “abra sua boca que eu a encherei” é seguida literal e bitoladamente, implicando de fato numa tentação contra o Senhor – como Deus fosse coagido a sempre ceder aos oportunismos e comodismos do pretensioso “servo da mensagem”.

Alguns chegam a gabar-se do fato de terem mudado a mensagem na última hora, dizendo: “O sinhô acabou de me revelar que eu não devo pregar o que havia preparado. Alcancei uma nova revelação!”. Ora, parece que o Espírito não sabia o que a sua Igreja precisava ouvir até a hora do culto. Se crermos que, de fato, o Espírito Santo age desta maneira, mudando o sermão no último minuto, então é sinal de que não estamos buscando a sua direção diligentemente na hora de preparar a mensagem ou estamos negando a onisciência de Deus. Mas eles ainda não perceberam tal paradoxo, e preferem endossar essa tese a fim de facilitar a ostentação e o exibicionismo de sua “espiritualidade”.

O povo da ICM é induzido a entender que o mais espiritual é aquele que permite que o “Espírito fale” por meio dele, no momento em que ele ocupa o púlpito, ao passo que aquele dedica ao conhecimento e à preparação de uma mensagem, pela inspiração do Espírito, é visto, no mínimo, como um “letrista”, “teólogo”, ou qualquer outro rótulo pejorativo. O Espírito Santo de Deus conhece as necessidades de sua Igreja e sabe exatamente que ela precisa ouvir muito antes do pregador subir a púlpito para pregar. Se este ouvir atentamente a sua voz enquanto prepara o sermão, não haverá motivo para mudanças radicais de último minuto. Não é dessa forma simplista e “espetacularmente de reviravoltas espirituais” que necessariamente as coisas de Deus funcionam. Isso soa mais como falsa humildade e soberba espiritual. Pode acontecer ou não. Não podemos é viver assim, como um dogma fosse, colocando o nosso Deus preso no canto da parede, através de uma fé exagerada, mas comodista e pretensiosa, como o crente que mandasse em Deus – “Deus vai fazer! E pronto!” Senão viver por uma fé singela, confiante, por meio da qual o servo humildemente se prepara, sente pelo tocar do Espírito, qual a mensagem deve oferecer à Igreja, seja hoje, amanhã, no fim de semana que vem, daqui a um mês, enfim. Deus não está preso a métodos, fórmulas e tempo. Ele faz quando, como e onde quiser. Nosso relacionamento com Deus é como Ele estivesse nos olhando sobre os ombros e nos estimulando, nos ensinando com os desdobramentos e experiências de nossa vida, tanto espiritual como secular. E não nos controlando como marionetes ou carrinhos de controle remoto. O papel do Espírito de Deus não é de enxergarmos o oculto das Escrituras, mas sim nos fazer esvaziar-se para que tenhamos sede, desejo, para que a Palavra de Deus nos preencha e transforme, e, em seguida, nos disponhamos, com humildade, a aplicar os seus valores na nossa vida prática e real. Esse é o objetivo do Espírito Santo na vida do servo junto às Escrituras. Essa é a inspiração do Espírito de Deus em nossa vida. Não tem nada de enxergar coisas ocultas e encobertas que só os super-espirituais conseguem “alcançar a revelação”. Não podemos ler a Bíblia como se tivéssemos lendo um jornal, uma revista ou um periódico. Tampouco devemos ler a Bíblia desviando o seu objetivo principal e fundamental: “Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça; para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra.” 2 Timóteo 3:16-17

Este ensino bíblico não cita que as Escrituras são proveitosas para alcançar “palavra revelada” ou “além da letra”, mas sim todas elas são para instruir e preparar o servo de Deus em todas as implicações da vida, seja secular e espiritual (toda boa obra)

Tomar a Bíblia e lê-la com o objetivo de ficar desvendando mistérios e simbolismos para toda e qualquer passagem, para toda e qualquer situação, não trará sequer uma edificação para a vida espiritual do servo de Deus, mas só lhe trará empáfia e vaidade por supostamente ter “alcançado” aquilo que ninguém alcançou, delirando em suas especulações. “A Bíblia não nos foi dada para satisfazer a nossa vã curiosidade, mas para edificar nossas almas.” A.W. Pink E o maior o erro da ICM é insistir demasiadamente nisso, na pretensão de ostentação e elitismo espiritual, a ponto de DECRETAR – em alto e bom som – que pregar uma mensagem de Deus é só, e somente só, através da utilização da “palavra revelada” – “pregar na revelação” – o discurso carregado de metáforas, parábolas e tipologias, alegorizando e espiritualizando toda e qualquer passagem bíblica, ainda que seja tal passagem altamente enxuta, literal e objetiva. Na verdade, a falta de leitura com singeleza é a causa da difusão de tantas “doutrinas” perniciosas no seio da Igreja. Se os membros da ICM e de outras igrejas se dedicassem mais à leitura do Texto Sagrado, com certeza, não seriam tão facilmente enganados e nem participariam de “estórias” chamadas bíblicas. Urge a necessidade de surgir novos expositores da Palavra. Urge a necessidade desses jovens pregadores em vez de ficarem copiando as mensagens, tipos e simbolismos, no canto das páginas bíblicas, imitar as línguas estranhas, as vestes, até os tique nervoso dos pastores, deviam sim estudar mais e mais a Bíblia, submeterem ao ensino, amarem a sabedoria do Espírito, ler bons livros para não reverberarem seus pensamentos e idéias que não valem nada. Philip Brooks disse: “Pregação é uma verdade pregada com personalidade”. Se você é um eco, um clone, um papagaio, fique sentado. É a Escritura que deve ser pregada, e não as idéias e opiniões religiosas de seus líderes. Somente a Escritura. Nada mais que a Escritura, e não seus delírios, subjeções e especulações pessoais ou de seus mestres. Aos singelos expositores da Palavra, continuemos nossa missão. Preguemos a Palavra. Amemos a Palavra. Transpiremos a Palavra. Deus está “preso” a sua Palavra. Afinal, Ele é a própria Palavra. E não pode negar a si mesmo (2Tm 2:13).

Sugerimos aos leitores que procurem usar o método de interpretação literal-gramatical-histórico-lógico. Não falamos em fundamentalismo literal, senão haverá leitor achando que devemos cortar a mão e arrancar o olho para não pecar. Literalidade referente à mensagem real e primária que o ensino contextual das Escrituras quer passar. Ou seja, devemos procurar o sentido real da mensagem do texto, observar as regras gramaticais (significado das palavras, verbos, adjetivos etc.) e observar o momento histórico no qual ele foi escrito. Isso nos ajudará a entender e transmitir melhor as verdades bíblicas. A vantagem deste tipo de

interpretação é mesmo que quando o autor tiver usado alegorias nós as ensinaremos como tais. E não nos esqueçamos da inspiração e sabedoria do Espírito de Deus. Cremos que quando o Senhor decidiu “escrever” a Bíblia, Ele queria comunicar-se com os homens. Portanto, não faz sentido achar que por trás de versículos bíblicos há verdades ocultas que só podem ser descobertas através de figuras e alegorias. “As coisas encobertas pertencem ao Senhor nosso Deus, porém as reveladas nos pertencem a nós e a nossos filhos para sempre, para que cumpramos todas as palavras desta lei.” Deuteronômio 29:29 Sejamos simples. Roguemos ao Senhor que Ele nos dê sabedoria para entender a Sua Palavra da melhor forma possível para nossa edificação e instrução cristã.

“Jesus considerava ofensivas as pessoas pegarem as Escrituras, que tem o potencial de uni-las a Deus e aos outros, e as usarem para exercer poder.” Mark W. Baker Em nome de Jesus, reflitam! Mas temo que, assim como a serpente enganou Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos sentidos, e se apartem da simplicidade que há em Cristo. Porque, se alguém for pregar-vos outro Jesus que nós não temos pregado, ou se recebeis outro espírito que não recebestes, ou outro evangelho que não abraçastes, com razão o sofrereis. 2 Coríntios 11:3-4

Paz, no Espírito Santo a todos os irmãos

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Memórias de um pastor da “Obra Maravilhosa”LIVRO DE ATOS DOS PASTORES

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LIVRO DE ATOS DOS PASTORES

Memórias de um pastor da “Obra Maravilhosa”

“ESTAI, pois, firmes na liberdade com que Cristo nos libertou, e não torneis a colocar-vos debaixo do jugo da servidão.” Gálatas 5:1

É incrível perceber a trajetória clara, de certa forma previsível, e, inevitável que boa parte dos homens percorre ao ingressar e permanecer na ICM. Digamos que um homem casado e sem “marcas do passado”1 se converta dentro desse grupo, ou então um jovem, que cresceu e depois casou na “Obra”, qual seria a direção de sua vida e quais os caminhos que ele passará a trilhar?

1 1 Marcas do passado esse termo geralmente é usado pela seita “Obra” para rotular pessoas (membros) que tenham tido algum tipo de “problema” na sua vida pregressa. Há uma série de “problemas” que podem estar inseridos nesse famigerado pacote “marcas do passado”, porém, com certeza um dos mais utilizados é o fato do indivíduo (homem ou mulher) já ter tido um filho antes do matrimônio. Chegar na “Obra” trazendo um filho sem ser casado(a) (pai/mãe solteiro(a)) é uma “marca do passado” indelével, e será determinante para o futuro de tal membro em relação a sua “instrumentalidade” (ocupação de cargos e/ou funções) na “Obra”. Outra “marca” bastante latente é a relativa ao divórcio. Se tal indivíduo for divorciado não estará apto para ocupar determinados cargos no Sistema. Ainda que venha galgar algumas funções, todavia não chegará à “ponta da pirâmide”, nem a nível local, nem regional, nem nacional ou internacional. Não levam em consideração se tais ocorrências na vida dessas pessoas foram antes de um real encontro com Cristo, quando as mesmas ainda não tinham conhecimento do Evangelho, da Sã Doutrina, do conhecimento excelente de Cristo Jesus. Diz-nos a Escritura que “Deus não leva em conta o tempo de ignorância do homem”, conforme At. 17:13, porém o ídolo “Obra” é um algoz implacável que ignora esse “PEQUENO DETALHE” que nem o próprio Deus ignora. Não obstante julgar, esse ídolo através de seus adoradores condena aqueles que têm “marcas do passado”, a um status de “inativos” ou meros figurantes sem funções. Os textos de II Co. 5:17 que diz que “…se alguém está em Cristo é nova criatura, as coisas velhas se passaram e tudo se fez novo.”, e de Heb 10:17-18 “E jamais me lembrarei de seus pecados e de suas iniqüidades. Ora, onde há remissão destes, não há mais oblação pelo pecado”, são inválidos, na prática, por essa doutrina “marcas do passado”, pois subjetiva ser ineficaz o sacrifício de Cristo para PERDÃO dos pecados, e o ser uma NOVA CRIATURA, em Cristo Jesus. Muitos que foram usados para propagar o Evangelho nas Escrituras, se avaliados pela óptica da “Obra” seriam considerados inaptos para atuarem naquele Sistema. Como exemplo, poderíamos citar aqui alguns, tais como Maria Madalena, a ex-endemonhiada (e provavelmente ex-prostituta), Paulo, ou Saulo de Tarso, o perseguidor violento, comparsa dos extremistas que assassinaram o diácono cristão de nome Estevão. Zaqueu, o ex-fraudador e corrupto funcionário público. Entre outros tantos, esses poucos mencionados aqui já são exemplo suficiente para termos uma idéia do que é um passado antes de um encontro com Cristo. Todos esses tiveram um “antes e depois”, e não foram privados do “depois” por causa do “antes”. Só aí já temos uma diferença explícita do evangelho bíblico para a “doutrina da Obra”. Se no evangelho cristão o ser uma nova criatura traz a marca do sangue do Senhor Jesus Cristo sobre um convertido, na ICM (“Obra”) as marcas do passado são mais relevantes e determinantes, conforme o exposto. Porém, infantilizados, ainda justificam, mas a “Obra é dinâmica, ela muda… (por quê? onde tem isso?)

Foi baseado em experiências de pessoas que vivenciaram essa senda abaixo discriminada que nasceu um tópico na comunidade do Orkut “Já fui um Maranata”. A proposta era relacionar o passo-a-passo, o desdobramento da caminhada de um homem na ICM, desde a sua chegada, sem nenhuma atribuição, até ao nível de acúmulo de cargos, o que acaba levando muitos a uma sobrecarga e suas desastrosas conseqüências. Devido ao grau de esclarecimento do tópico,

resolvemos adaptá-lo para essa formatação de artigo para o Blog, a fim de que possa ser lido por quem não acessa o Orkut.

Para não citarmos nomes de pessoas e preservarmos a privacidade dos mesmos que contribuíram com suas experiências, usamos no texto um personagem fictício, cujo nome é João. Vejamos abaixo, então, como é a história desse(s) João (s) da vida:

1. João chega à ICM através de um convite de um amigo, recebe muito afago, contato físico e atenção demasiada, a qual, muitas vezes, notoriamente, forçada e artificial. Encanta-se com o ambiente: os membros solenemente bem vestidos lhe impressiona; fica seduzido com a atmosfera piedosa do recinto; à espera do início do culto, o louvor tocado brandamente pelo teclado, harmonioso, lhe deixa com uma paz interior; as pessoas dentro do templo, bem sérias e reverentes denotam, aparentemente, a ele santificação. Ele arremata: Deus aqui habita!

2. João estar a visitar à ICM em fins de semana. Obreiros e diáconos lhe assistem sempre expondo as qualidades da ICM em detrimento das doutrinas Denominações. João começa a refletir que realmente a ICM é diferenciada. São muitas qualidades, muitas virtudes. Seria a Igreja perfeita que ele tão sonhava? Depois de um tempo como visitante, João é insistentemente convidado para fazer parte de certo “Grupo de Assistência”, de modo que, constrangido, para não passar uma imagem de um crente frio, acaba aceitando, até para se sentir benquisto e aprovado no meio.

3. João se converte, deixa os vícios e maus costumes. Achava que era suficiente o abandono dos maus hábitos, dos costumes mundanos, mas com o tempo, ele ainda nota que é “diferente” ali dentro da “Obra”. Procura daqui e dali, eis que diante do espelho ele tem uma espécie de “revelação” – é o cavanhaque. Ele acha que já ouviu alguém dizendo que “servo desta Obra não usa cavanhaque e barba. É aparência e servo”. Acha um tanto quanto incoerente e ilógica essa “doutrina”. Resolve perguntar, mas obtém sempre a mesma reposta. Continua com suas incertezas, mas prefere ficar com o sentimento de “revelação” mesmo. Até porque, ele já vinha meio que se sentindo “um peixe fora do aquário”, com o peso de se sentir diferente, daí se “liberta” do “cavanhaque”. Acompanhado da “libertação” do cavanhaque, João começa a se vestir com roupa social, calça de pregas e camisa de botão, passada. Sua esposa, Maria, por sua vez, também por efeito de inclusão social, ou seja, psicologicamente se sentindo imposta e coagida pela atmosfera religiosa, “entende a revelação da saia”, isto é, ficou “liberta” da calça comprida e passa a usar somente saias e vestidos.

4. Com “aparência de servos”, João agora, notoriamente, passa a ser chamado pelos demais membros da igreja de “varão”, e Maria de “serva”, cujos epítetos,

por vezes, são acompanhados de “valente” ou “valoroso(a)“. João nota essa diferença de tratamento, reflete, mas deixa para lá.

5. Ao se batizar, imediatamente passou a participar de reuniões, antes não permitidas a João, como o famigerado culto profético, por exemplo (mesmo João não entendendo nada, vai participando…); e alguns períodos de Seminários, agora, estavam liberados para ele. João começa a se sentir privilegiado, como estivesse crescendo, se elitizando espiritualmente…

6. Porém, sua sede pela Palavra de Deus era cada vez maior. João desejava ler o máximo que podia, e imediatamente surgiam as primeiras dúvidas, logo, ficava bastante confuso.

7. João questiona constantemente aos pastores e diáconos, e isso, na “Obra”, sempre gera muito desconforto, logo, está crescendo um clima de insatisfação e desconforto entre João e eles; porque a única resposta que João obtém é que ele “tem que buscar a revelação”, “porque ele está muito na razão”, “não pode raciocinar porque dúvidas não vêm do Senhor”, “a letra mata, mas o Espírito vivifica” e “ninguém pode explicar as coisas da Obra na razão”, “deve apenas OBDC a revelação”. Essas frases começam a soar repetitivamente e fazer parte da cartilha que João passará a usar. João, então, fica com as dúvidas para dentro de si, porque, de certa forma, se sentiu até um pouco assombrado, quando o pastor lhe disse: “Varão, essa Obra é perfeita. Tudo é revelado. Não podemos questionar a revelação. O Senhor zela por sua Obra. Cuidado, varão. Falo para o bem do irmão, essa Obra é séria. Não podemos viver a razão. Não questione as revelações do Senhor! Entendemos o seu lado, mas o irmão quando alcançar a revelação e tiver uma experiência de salvação, não irá mais questionar as doutrinas da Obra. Olha… o irmão tem vindo à madrugada? Tem feito seminários? Irmão… pague um preço! O Senhor te dará uma bênção!”

8. Então, João começa a frequentar as madrugadas. Cético, João não consegue entender a implicação prática da madrugada, como a sua presença em um culto às 06h:00min, necessariamente, fará com que ele alcance a tal da revelação? Fica com isso para si, e deixa para lá. “Obedece a revelação”. Vamos ver o que vai dar – pensa João. Depois, após algumas semanas “pagando o preço”, João recebe estudos do responsável pelo do “Grupo de Assistência” do qual ele participa, especialmente: Meios de Graça, Clamor pelo Sangue de Jesus, Consulta à Palavra, entre outros básicos.

9. Durante esses estudos, novamente, João irá fazer vários questionamentos e receberá um bombardeio de marketing de um lugar chamado “Maanaim”, a saber, que este lugar é “sagrado”, que é impossível sair de lá sem Deus falar consigo, pois que lá “o Senhor opera de forma diferente”, porque é um “lugar separado” por Deus para sua adoração, que é um “pedacinho da Eternidade” e

todas suas dúvidas serão lá sanadas; por isso, “sairá de lá maravilhado, querendo permanecer e não sair mais de lá”. É isso que sempre dizem ao João.

10. Mais propaganda do “Maanaim” a João.

11. Em Seminários de Principiantes, no início, João ouve estudos sobre Bíblia: a Palavra de Deus, Clamor pelo Sangue de Jesus, Consulta à Palavra, Igreja Corpo de Cristo, Batismo com o Espírito Santo, Israel, Salvação, Dons Espirituais e, especialmente, o de Idolatria.

12. Durante todo seminário, João ouve falar sobre a “revelação”, que tem que obedecer à “revelação”, pois adorar a Deus e em espírito e verdade é “OBDC” à “revelação”, que tem que se curvar perante a “revelação”, que “revelação” é a Palavra de Deus, que a Palavra de Deus é revelada, e que para compreendê-la terá que ter “revelação”, e isto (revelação) será exemplificado pela história da forma que Jesus curou os três cegos.

13. No estudo de Idolatria, João ouve de forma sorrateira um texto bíblico que diz: “Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado” 1 João 1:7. Esse mesmo texto será usado de maneira distorcido, substituindo sorrateiramente uma palavra por outra a fim de endossarem a própria “Teologia da Obra”. Sendo assim, João mais uma vez ouve que Jesus é a revelação de Deus e que a luz é a “revelação”, então eles pedirão para João substituir a palavra “luz” por “revelação“, então o texto passará ter a seguinte conotação: “Mas, se andarmos na REVELAÇÃO, como ele na REVELAÇÃO está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado” 1 João 1:7.

14. Então, João agora está determinado a “OBDC” a qualquer custo essa tal “revelação”, a qual na prática é qualquer ordem do Presbitério e pastores, sob a pena de não estar obedecendo a Deus, porque eles “alcançaram e têm revelação” que João não tem, por isso João tem que obedecê-los cegamente. João começa a crer que os pastores da ICM são, de fato, especiais pois Deus constantemente está revelando a “revelação” para a Obra.

15. Ainda no estudo de Idolatria ouve que desobedecer a uma “revelação” é como pecado de idolatria, demonstrada na pessoa de Saul e que seu fim será fatalmente a feitiçaria com a pitonisa e a morte espiritual. João fica assombrado, e pensa: “Misericórdia! Jamais vou questionar a revelação do Senhor!”

16. Uma exemplificação da desobediência idólatra (segundo a Teologia da “Obra”) é feita contando de forma bem humorada quando um “varão” recebe uma “revelação” para ir “dar assistência” no interior, mas sua esposa questiona de

como será possível devido às outras responsabilidades familiares. Então, eles, os professores de seminário, simulam um diálogo em que ela diz que se ele for, ela irá para a “casa da mamãe”. Nesta hora a todos riem, e o neófito João, olha para lado e para outro, ri junto sem imaginar o que ainda lhe aguarda nesse trajeto “revelado”. Em seguida, o professor afirma que “desobedecer à revelação” para ouvir a esposa é uma “idolatria”. João meneia a cabeça, concordando com tudo.

17. João ouve inúmeras experiências maravilhosas, nesse sentido, que ocorreram há mais de 30 anos, o que, inclusive, contam o que ocorreu com um “varão valente”, obreiro, deficiente físico, que viajava quilômetros de ônibus e a pé todos os dias a uma cidade onde a “Obra” não havia chegado, e isso gerou grandes transtornos no seu matrimônio, devido a ausência no lar do varão, mas como ele era um “valente da Obra”, ele superou a sua mulher, dizendo ao Presbitério a respeito dela: “Ela não entendeu a Obra, pastor!” E todos dão “glória a Deus” nesse momento.

18. No final do seminário, João ouve uma mensagem sobre Apocalipse: “A revelação”; então, será contada uma história vivida somente pelo líder da “Obra”, esse professor, normalmente o próprio líder, irá chorar pela “Obra”, dará um espetáculo de autocomiseração, e João, comovido pelo contexto piedoso, ao ver todo o ambiente chorando, se deixa levar, e chora também. Ao final cantam o hino “Jesus, quero amar-te até morrer”.

19. João sai deste seminário dizendo que ama Obra; e que deve dar a vida por essa Obra; e que a agora a Obra é sua vida e sua vida é a Obra; e não há outro lugar para ir, senão for a Obra; e que não pode trocar essa Obra nem por sua família. Naquele momento, no Seminário, em seu subconsciente ele chega à conclusão de que JESUS = REVELAÇÃO = OBRA, e não conseguirá dissociar essas três coisas; assim, diz que amar a “revelação”, amar Jesus e amar a “Obra” é tudo a mesma coisa. Está muito confuso, porém, de certa forma, parece estar feliz, seguro por ter encontrado uma igreja tão “perfeita” e “completa”, que sabe de tudo; mas, ao mesmo tempo, encontra-se inseguro por tanta “perfeição” (?).

20. João fica encantado com os “segredos da Obra”. “É muita revelação!” – arremata João. Ele volta do “Maanaim” realmente contagiado e ansioso para poder divulgar tudo que lá ouviu e viu. Chega à igreja, e todos perguntam: “E aí, varão, o maanaim foi uma benção?!” João, meio que impulsivamente, sempre responde o mesmo de todos os demais: “Foi uma benção! Dá vontade de não sair mais de lá!”

21. João sente um enorme orgulho por fazer parte de um povo “ordeiro”, “organizado”, “nobre”, “fiel” “especial, que “sabe coisas que Deus revelou só

para eles”, que “receberam um chamado”, que detém “segredos da Obra”; por pertencer a esta “parentela”, ao mesmo tempo é acometido de uma sensação de que não é digno de tamanha confiança.

22. Após este contato inicial, João está freqüentando mais os “Maanains”, e, ouve, algo surpreendente de um Diácono: que lá no “Maanaim” de Vitória é super diferente, lá “a Obra tem mais alcance”, inclusive, anjos e querubins andam e sobrevoam aquele lugar, pois é um “pedacinho do paraíso na terra”. Nesses novos seminários, João é estimulado a se empenhar na “Obra”, ser um “valente de Davi”, e viver a “Obra como forma de vida” e entender “Os Limites do Espírito Santo”, lutar contra a “Síndrome da queda espiritual”.

23. Ao retornar de um desses encontros, João está empenhado em viver a “Obra como forma de vida” e deseja, ardentemente, ter experiências semelhantes às contadas no “Maanaim”.

24. Nas reuniões de “Grupo de Assistência” será convidado a chegar mais cedo ao templo para participar de trabalhos de limpeza e conservação, e também participar de “madrugadas” e “visitas no lar”, e então, numa oportunidade ele substituirá o responsável de grupo em algumas reuniões, aí ele começará a pegar gosto pela coisa, se sentido importante, um “valente”, um “nobre”.

25. É dito a João que haverá um culto especial, por isso, não pode faltar, o pastor vem à igreja, juntamente acompanhado de outro. Seu nome é dito no final do culto, ele meio que fica surpreso, é chamado à frente, e as senhoras começam a chorar. Agora, ele é chamado pelo título de “obreiro”, está usando terno e gravata, e fica na porta sempre que possível, todo orgulhoso, pois, agora, oficialmente, João é um “valente da Obra”.

26. Sua esposa, Maria, está participando da “reunião de senhoras” e foi “levantada” para o “Grupo de Louvor”.

27. Sua filha está aprendendo algum instrumento (normalmente o violão).

28. Assim, João está pronto para acompanhar diáconos em assistências no interior ou cidades próximas. Na verdade, ele é bastante útil, pois seu carro é usado para levar aquele diácono que ainda não tem veículo próprio.

29. João já está dirigindo o louvor e reuniões pela “madrugada”, vez por outra, entrega uma mensagem, no meio da semana, baseada em algumas mensagens pré-formatadas, entregues por seu pastor, ou anotações que faz numa agenda sempre que tem reuniões de obreiros do pólo ou em Seminários. Muitas dessas mensagens, senão quase todas, são baseadas tão-somente nos

livros de Êxodo, Josué, Samuel e Reis. No começo, quando começa a pregar, é supervisionado pelo pastor; depois não mais.

30. Sua sede pela Palavra é grande, e João vai ler a Bíblia, não compreenderá muita coisa do Antigo Testamento, e então parte para o Novo Testamento, logo, verá algumas coisas estranhas a que ele está vivendo – é diferente -, principalmente nas cartas de Paulo, e fica angustiado, irrequieto e inseguro. Mas procura fazer de conta que leu, e tenta fechar os olhos para esse conflito que está nascendo em si.

31. João vai questionar o responsável de grupo, o diácono, e até mesmo o pastor sobre o que ele leu na Palavra, então receberá, de novo, a mesma resposta de todos eles: “É que você esta lendo na “letra”, e a letra mata! Você precisa alcançar a revelação. Buscar a revelação além da letra! Essa Obra vive na revelação!”.

32. Como João “não tem” a tal “revelação”, fica preocupado, e como tem cultos todos os dias, João conclui que é melhor continuar indo à “igreja” sem faltar nenhum dia, para ouvir “a revelação” transmitida no púlpito, pois assim não corre o risco de morrer pela “letra”, como lhe ensinaram, e anota toda “revelação” nos cantinhos das páginas bíblicas ou na agenda.

33. Passou-se mais um tempo, e surgem alguns questionamentos, pois João vê algumas atitudes de pessoas, em especial de pastores, que o deixam um tanto quanto decepcionado. Imediatamente, João procura algum irmão com mais “tempo de Obra”, e pergunta o que a pessoa acha de tal atitude, ao que a resposta é rápida e pronta: “Você não pode olhar para o homem, tem que permanecer na revelação. Se olhar para o homem não conseguirá permanecer nesta “Obra Maravilhosa”. Porque na escola aprendemos o ABCD; na Obra, o nosso alfabeto é o OBDC. Não podemos falar do pastor, não podemos tocar nos ungidos do Senhor. Não podemos olhar para homem! Cuidado! Você está na razão!”.

34. Ao fazer uma visita a um enfermo com o pastor, João pensará que verá uma cura ou um sinal de maravilhas (até mesmo em virtude dos testemunhos no “Maanaim”) em um irmão com uma enfermidade grave. Entretanto, João, decepcionado, ouve o pastor dizer ao moribundo: “É, meu irmão, o importante é que na eternidade não teremos mais doenças”, ou então: “Varão, com a imposição de mãos, ele foi curado de sua enfermidade espiritual! Vamos orar mais, né!? Vamos colocar isso diante do sinhô!”;

35. Na congregação, ao assistir juntamente com o pastor certo obreiro que está com depressão, João ouve do pastor ao obreiro: “Meu irmão, isso é coisa do adversário, pois saiba que na “Obra” não temos tristeza. A “Obra” é de

descanso. Você está bem oprimido, hein? Sabe o que você precisa? Vou dizer: Você precisa de uma libertação! Depressão não é do Senhor! Isso é o Inimigo na tua vida! É melhor você ficar em casa para não contaminar os irmãos! Pensa bem o que as pessoas vão falar… Como vão pedir oração a você, se você vive com esse semblante depressivo, triste? Misericórdia… O sinhô está me dando uma revelação, agora! O sinhô está me dizendo que você tem que pagar um preço! Você tem que ter coração cheio de Obra! Tem que ter Obra no coração! Mentalidade de Obra! Se dedique mais aos mutirões de limpeza! Venha às madrugadas não só no dia do teu grupo, venha todos os dias! O irmão tem que se dedicar mais à Obra, senão ó… já sabe, né?

36. Durante toda a semana João sempre ouve mensagens pré-frabricadas, de enfoque motivacional, em resumo, sempre dizendo: “Nosso descanso é na eternidade, não podemos nos envolver, nem se preocupar com as coisas materiais.” Então, João conclui que só será feliz na eternidade, enquanto isso agüenta o inferno aqui na Terra, e, às vezes, nem se esforça para mudar certas situações ruins que ele e a família vivem.

37. Pelo entendimento “além da letra”, João ouve que tudo é espiritual: Pobre = pobreza espiritual; Fome = fome espiritual; Necessitados = necessitados espirituais; Enfermidade = enfermos espirituais, etc. João fica meio cético e decepcionado, mas “amém”, afinal, essa “Obra é revelada”, é o “projeto” de Deus – reflete João, que ainda não percebia que “espiritualizar” tudo era mais cômodo do que ter que resolver certas questões que requerem muito mais do que oração, requerem, sim, atitude!

38. João vê que a Palavra diz que temos que ajudar as pessoas, socorrê-las, mas aprende que na “Obra” isso se trata, na verdade, de entendimento “letra”, e as necessidades são espirituais, e que todas as necessidades físicas só serão supridas na eternidade. João aprende que quem gosta de cuidar e visitar asilos, mendigos, presidiários e carentes é a “religião”e os “movimentos” da “mescla”.

39. João, pestanejando, acha isso estranho, e começa a se questionar: “Bom, então a melhor coisa que eu posso fazer é me desejar a morte, já que tudo que eu posso fazer é agüentar, até chegar à eternidade.”, e a pergunta é: “Será que só eu estou vendo isso? Está tudo errado ou eu estou errado?”

40. Agora, João tem muitas dúvidas e questionamentos, e vai para o terceiro período do “Maanaim” onde receberá uma enxurrada de estudos carregados de experiências terríveis de pessoas que “saíram a Obra”, “falaram mal da Obra” e “discordaram e questionaram o ministério” – “tocaram nos ungidos do “Sinhô” -, e como elas acabaram e que fins trágicos tiveram por causa disso. Recebe o estudo “Síndrome da Queda Espiritual” e “Enfermidade no Corpo”, e vê que ele se encaixa na maior parte dos “sintomas” e “sinais”, logo chega à conclusão de que realmente o problema era ele, logo, fica muito grato à “Obra” por ter

paciência consigo, por lhe alertar. Por fim, agradecerá a Deus porque ninguém percebeu que ele, na verdade, estava com esta tal “doença”.

41. Ao ouvir o estudo “Histórico da Obra”, João chorou. Deixou-se levar pelo choro do professor e da platéia, e pede para que Deus nunca lhe tire “dessa Obra Maravilhosa”, que jamais tenha “dúvidas” acerca “dessa Obra”, que ele está disposto a morrer pela “Obra”, trocaria até sua família pela “Obra”, que a “Obra” é seu trem para a Eternidade, e é suscitado a perguntar a si mesmo: “Para onde eu irei, se só na “Obra” eu tenho a Salvação?” E que um dia ao falarem dele possam contar como viveu a “Obra”; e se ele vier a morrer, quem sabe, poderão contar a sua história, ou até testemunhar de como ele foi um “valente da Obra Revelada”.

42. Agora que já fez o terceiro período, João foi convidado a participar de uma equipe de “Maanaim” (Trânsito, Apoio, Hospedagem, Segurança, Cozinha, Grupo de Louvor, Limpeza ou alguma em que sua especialidade profissional seja útil – se for policial ou militar, prontamente será utilizado).

43. João faz viagens para assistência cada vez mais constantes.

44. Certo dia, João, no culto-profético, recebe uma “revelação” de uma senhora muito espiritual - ele será o “servo do portão”, e fica no portão recebendo os irmãos que vêm ao culto. Até que, momentos antes do culto iniciar, um senhor mendigo aparece no portão pedindo para adentrar e assistir ao culto. João, confuso, deixa-o adentrar. O “ungido” vendo aquilo, repreende João asperamente falando a respeito de “zelar a imagem da Obra”, pois aquele homem estava “oprimido”, e não estava “apto” para adentrar à “Casa do Senhor” com roupas maltrapilhas e de mau cheiro. João, então, é ordenando a “convidar” a que o mendigo se levante e se retire do templo, e volte mais adequado. O mendigo sai arrasado, e diz que não tem para onde ir, não tem outra roupa, e com lágrimas nos olhos e revoltado, pede uma ajuda a João, mas João diz que a “igreja” só oferece alimento espiritual, e diz que o máximo que ele pode fazer é orar por ele.

45. A cada quinze dias João está no “Maanaim” (como participante ou trabalhador).

46. Na segunda-feira João tem reunião do “Grupo de Assistência”.

47. Na terça, reunião com o “Grupo de Louvor”, para o qual foi recentemente levantado.

48. Na quarta, vai dar assistência em uma igreja de outro bairro.

50. Na sexta, é para dar atenção à família, mas João está esgotado de cansado, mas ouviu que tem obreiros displicentes que não estão fazendo o culto no lar na sexta, e ele não quer ser um desses.

51. No sábado à tarde, João está no “Maanaim” ou viajando para alguma “assistência”; nos sábados livres, João está fazendo reformas e mutirão na “igreja”, ou em algum ensaio de “Grupo de Louvor”; ou acompanhando a sua esposa no “Culto de Senhoras”, ou foi deixar a filha em outra “igreja da Obra” para o ensaio de “Grupo de Louvor do Maanaim”.

52. No Domingo pela manhã, culto; à tarde, visita ou evangelização; à noite, culto e assistência depois, ou quem sabe um culto na casa de um visitante, um enfermo, ou um novo convertido.

53. João é levantado para o “Grupo de Intercessão”: reuniões toda terça-feira, depois do “Grupo de Assistência”. Ele fica ao mesmo tempo cético, devido ao aumento de afazeres e responsabilidades na “Obra” e feliz pela confiança do “Senhor” nele. João finalmente vai saber o que se trata tanto lá, uma vez que é tudo muito secreto e oculto (como dizem), apesar de sempre vazar informações ditas “confidenciais”. Pelo menos agora ele saberia antes dos demais da congregação.

54. Maria é levantada à “professora de crianças” e para ser uma das senhoras responsáveis pelo “sagrado” arranjo de flores e toalha do púlpito.

55. Ao completar todos os períodos de “Seminários”, os oito, suportar as provações, após viver fanaticamente a “Obra como forma de vida”, João é “levantado” ao diaconato num encontro de batismo no “Maanaim”. Todos choram, e sua esposa recebe parabéns dos membros.

56. Além de tudo o que ele já conquistou na “Obra”, agora, a distinção do diaconato: João poderá impor as mãos nas orações. Com a sua subida na hierarquia, terá poder de mando sobre os “obreiros” e os demais, e só dará satisfação, agora, ao “ungido” e ao pastor.

57. No “Grupo de Intercessão”, João ouve histórias de problemas sérios de família, casais querendo se separar, filhos envolvidos com drogas, diáconos com problemas financeiros, pastores passando necessidades, mulheres de pastores “que são uma luta”, que certos membros não estão dando o dízimo, e ouvirá muita fofoca sobre a vida de cada membro, e o pastor estabelecendo que averigúem a vida de certos membros, e ficará muito confuso, assustado e decepcionado.

58. No “Grupo de Intercessão” toma conhecimento, através de uma “senhora linha de frente”, que a irmã dela, que é da Assembléia de Deus, e reside no mesmo condomínio do “obreiro” Fulano, disse-a que esse “obreiro” está indo, vez por outra, visitar a igreja dela (irmã), na qual o irmão do obreiro Fulano é diácono.

59. João fica espantado com a cena: as caras de escândalo e de assustados dos irmãos que compõe o “Grupo de Intercessão” ao descobrirem esse “sacrilégio” do “obreiro”. Parece que receberam uma notícia como alguém tivesse falecido. João olha imediatamente para o pastor, e percebe o rosto dele de decepção, ciúmes, de choque, e, ao mesmo tempo indignadíssimo, muita raiva. Imediatamente, um obreiro “usado”, muito querido pelo pastor, tem um “dom”: “Ele via que certo varão da “Obra” estava caminhando no deserto, com uma Bíblia e uma coletânea, e pisou numa areia movediça e começou a afundar, mas vinha anjo e descia um fio de prata para resgatar o varão, e o mesmo lhe entregava um bilhete no qual estava escrito: “Palavra Revelada”.

60. O “dom” é “consultado”, e João dá o “discernimento da visão”: “O varão é alguém da “Obra”, pois estava com a coletânea da “Obra”; o deserto é o mundo; a areia movediça são as doutrinas do mundo, e o afundamento é o resultado do que acontece com aqueles que escutam essas doutrinas da “religião”: é areia, fragmento de rocha, leva à morte espiritual, perde a salvação; mas um anjo do “Senhor” era enviado e salvava-o com um fio de prata, que é a salvação; o bilhete que tem escrito “Palavra Revelada” é que só a “Obra” possui, e nos leva à Rocha, é o Senhor Jesus”. O pastor e todos concordam consigo, e interpretam da mesma forma. Então, o pastor tem uma “revelação”, e diz que esse “varão” é o obreiro Fulano que está se misturando com a “religião” (no caso, visitando a Assembléia de Deus), e ele precisa de uma “libertação” e “provação”, por isso vai para o “banco”. Punição para o obreiro!

61. Mesmo no diaconato, é agora que João continua mais dedicado em participações em “reuniões de obreiros”, e ouve sempre as mesmas mensagens como: “Servo Devedor”, “Orkut”, “Mordomia”, “Apostasia e Heresia”, “Salvação: Ato e Processo”, “Mescla”, “Obra e Religião”, “Sansão e Dalila” etc.

62. João está cansado, exausto, faz anos que não passeia com sua esposa, nem com seus filhos, então vai para outra “reunião de obreiros” que o tema será: “Josué e Calebe”, “Há muita terra para conquistar”, “Valentes da Obra” e “Limites do Espírito Santo”. No final da reunião, todos cantam o hino “O estandarte desta igreja”, e sai super motivado a continuar. E um discurso fica reverberando em sua mente: “Essa Obra não é para fracos, se quiser sair pode sair. Não precisamos de covardes! O Senhor não precisa de você, pois se você sair, ele levantará três no seu lugar!” João está aterrorizado!

63. João recorda o que aprendeu: que “servo dessa Obra” não questiona, não murmura, não discorda, apenas cumpre e obedece a tudo – “Que a “Obra” não é para fracos e covardes!” Mesmo que o mandante esteja errado, é esse é quem dará conta a Deus, pois a “revelação” é inquestionável; que os líderes são quem devem pensar por ele, e que, de novo, “na escola ele aprende o ABC, e na “Obra” o “OBDC”.

64. João é “levantado” como professor de adolescentes, e, agora, às quartas, também, terá “reunião para busca de assuntos e também didática”. Sua mulher é levantada à “senhora linha de frente”.

65. João gradativamente foi se afastando de sua família (pais, irmãos, tios, avós etc.) porque ele cria que ela não tem “entendimento a Obra”, não sabe o que é ter “mentalidade de Obra”. Mesmo sendo evangélicos, coitados, estão na “religião”, no “movimento”, na “mescla”, na “tradição”, acredita João. Seus antigos amigos lhe chamam de fanático (não pela sua devoção a Deus, mas sim pelo seu comportamento obstinado, seco, intolerante e preconceituoso), porém João já estava “vacinado”, pois no “Maanaim” o preveniram de que isto aconteceria.

66. Depois de anos ouvindo piadas de humor negro de pastores sobre o diaconato, de receber ordens do pastor a pregarem para os jovens, realizar trabalhos para a “Obra” no interior, não perder nenhum mutirão no templo e no “Maanaim”, João continua como “diácono”, mas agora, como uma espécie de diácono responsável por um trabalho que está sendo aberto num determinado bairro.

67. Então, João começa a ser sondado pelo pastor sobre sua “unção” - “Queremos levar teu nome, então é melhor ver como está o crescimento do teu grupo”. E, logo João percebe, pela intimidade que adquiriu com o pastor, que a indicação de cargos e funções não passa de uma grande politicagem e empatia sobre as pessoas. Mas, mentindo para si mesmo, continua acreditando que é o Senhor quem “revela”;

68. João aprendeu que a “Obra” é de resultados, por isso seu grupo tem que crescer a qualquer custo; todo batismo tem que ter pelo menos algumas pessoas provenientes do seu “Grupo de Assistência”; ouvirá isso constantemente, e sairá como um louco dando um jeito de fazer o grupo crescer, até mesmo competindo com os outros capitães de grupo, afagando os visitantes fingidamente, no intento de cooptá-los ao seu grupo.

69. Agora João é responsável pelas inscrições de “Maanaim”, e terá que muitas vezes tirar dinheiro do próprio bolso para bancar a ida de pessoas do seu grupo que ainda “não se definiram na Obra” e tem que resolver isso.

70. João recebeu a “unção”, agora é “ungido do Senhor”, uma choradeira geral na igreja. Agora não é mais diácono, mas também não é pastor, não sabe muito bem o que pode ou não fazer, também não lhe será ensinado nada sobre isso; mas uma coisa é certa, ele será o maioral da igreja, depois do pastor, e poderá “exortar” e se impor sobre a igreja, e também não será mais objeto de piada de pastores por ser diácono.

71. Participa de “reuniões de pastores” e de reuniões sobre assuntos “confidenciais”.

72. Nos seminários e encontros, ele se sentará em lugar especial, tomará café e almoçará em lugar especial, comerá comidas especiais, terá alojamento especial, colocará seu carro em local especial, irá dirigir o louvor em algum desses encontros, e até ganhou uma igreja para cuidar, mas tem que fazê-la crescer – é o teste.

73. Surge o primeiro problema na igreja que João “está à frente”: certo obreiro apareceu de cavanhaque. Punição: “Banco”! O seu pastor apóia sua decisão! Cassa as funções do jovem, e determina que ele se assente no último banco do templo, e passe a ir à “madrugada” e consagre um jejum em um mês para se “libertar” dessa “opressão”! Assim como ele aprendeu, João “exorta” o obreiro que servo tem que ter aparência, tal como um soldado militar é bem arrumado e obediente, servo de Deus, também, deve ser.

74. Como sua dedicação está sendo em período quase integral, João foi negligente na sua vida profissional, sua produtividade baixou. Se é autônomo, pior ainda. Então, as lutas financeiras chegaram. João pensa em abrir sua situação na “reunião de pastores”, mas para piorar, sua filha foi vista de calça comprida, por isso lhe foi chamado à atenção, então melhor deixar esse assunto para depois.

75. As coisas pioraram, angustiado, morrendo de medo, mesmo assim João abriu a situação para o coordenador, o qual foi muito compreensivo e tranquilamente disse: “Isso é assim mesmo, varão! Você é “ungido”, e o período da “unção”, é período da “provação”. Não se preocupe, vamos orar com você na próxima reunião”.

76. João volta a se reunir com o coordenador e pastores, ao orarem tiveram um “dom”, que ele estava escalando uma montanha, estava cansado e machucado de modo que atrapalhava a sua subida, mas uma mão lhe levantava e lhe colocava no topo. João fica emocionado, mas algo lhe diz que achou muita coincidência o “dom” só após tem contado ao coordenador. Afinal, há tempos estava passando tais dificuldades, e só agora, depois que ele anunciou ao coordenador, é que Deus supostamente falou? João, reflete, mas deixa para lá – “o sinhô sabe todas as coisas”.

77. Profecia cumprida: João foi ordenado ao ministério da palavra. É isso mesmo. Agora João é um poderoso pastor. Agora é ele quem manda, quem dá as ordens, quem terá “obreiros” para lhe seguir; será respeitado, admirado, bajulado, servido, reverenciado, afagado, bajulado, servido, bajulado, servido, bajulado, afagado, bajulado, afagado, bajulado, servido, bajulado etc. Agora, todos os diáconos querem ser amigo e íntimo de João! Todos concordam consigo, jamais discordam de João. Sempre riem das piadas sem graça de João. Os obreiros, da mesma forma, sempre fazendo média com João. João gosta, fica envaidecido…

78. O obreiro “desacertado”, aquele do cavanhaque, não mudou. Agora, João como pastor faz o que tinha vontade de fazer antes, conforme a intolerância que fora doutrinado em Seminários e reuniões: acaba o namoro dele com a jovem professora. “O siô-mostrô que…” que o jovem está acometido com a “síndrome da queda”! Veio para igreja de cavanhaque, embora agora, com rosto feito, posto no “banco”, vindo às madrugadas e jejuando todos os dias, foi visto, segundo o que foi apurado na reunião do “Grupo de Intercessão”, de bermuda e chinela caminhando no shopping junto com a namorada professora de crianças. Ovelha não se deve misturar com um “bode”, justifica o pastor João, de novo, segundo o que lhe foi ensinado.

79. Sua dedicação aumenta, João é visto como exemplo, e agora ele cuida de umas três igrejas, além de ser o responsável por alguma equipe do “Maanaim”.

80. Mais um problema em sua igreja: o Diácono, que era seu braço-direito, está se separando da esposa. Motivo: A mulher não “entendeu a Obra”. Diácono dedicado, “com “Obra” no coração”, mas a esposa reclama de solidão, ausência, desatenção, frieza, diz que o marido a trocou pela igreja. João fala ao diácono: “Varão, é assim mesmo, as mulheres são uma luta. Mas se ela quer separar a culpa é sua, porque você não teve sabedoria em educar sua mulher”. Fim de casamento, diácono perde todas as funções e o “cargo” na igreja, mas permanece firme e forte na “Obra Maravilhosa”, “esperando no sinhô” uma nova “serva valorosa“.

81. Como a área está com alguns ministérios envelhecidos, e até de alguns “questionadores” e “rebeldes”, o coordenador pede para João ficar de “olho” e diz que está precisando trocar alguns pastores da supervisão de pólo.

82. João fica de “olho”, e rotineiramente entrega relatórios constantes sobre as atitudes de alguns pastores por questionar e desobedecer ao PES. Até mesmo os mais chegados e que confiavam nele, foram observados e relatados, visto que, como esses estão “sem Obra”, João tem que ajudar a preservar a “Obra Revelada”. Ele pensa: “Ah! Mas se a vida deles for destruída?” Porém, faz a ressalva: “O mais importante é a “Obra” ser preservada”.

83. Obediência cega = cargo garantido. João foi colocado como supervisor de pólo. Sim, João está acima de pastores mais antigos do seu pólo. Agora, eles terão que lhe obedecer. No começo ele está meio temeroso, por isso sempre pergunta a opinião dos outros, mas, com o passar do tempo, percebe que eles estão envelhecidos mesmo, e terão que compreender a “nova dinâmica da Obra“.

84. Que coisa maravilhosa: Segunda reunião com os pastores do pólo; terça “Grupo de Intercessão” de uma das igrejas; quarta “Grupo de Intercessão” de outra igreja; quinta “Grupo de Intercessão” de outra, essa que também trata de assuntos do pólo. A “revelação” dada ao PES é que as reuniões são para acabar às 21h:00min, mas é muito assunto, e o Senhor vai entender que é mais importante tratar os assuntos da “Obra”, então, normalmente, termina depois das 22h:00min. Afinal, não conseguem destrinchar a vida de todos os membros m pouco tempo.

85. Nesses dias da semana, normalmente, sua esposa e filhos voltam da igreja para casa mais cedo, enquanto João fica nas reuniões. Depois dos filhos dormirem cedo, para colégio de manhã cedo, que, aliás, João é quem vai deixá-los depois do culto da “madrugada”, antes de entrar no serviço. A esposa, porém, lhe espera voltar da igreja para pôr a sua janta, e depois ir dormir lá pelas 23h:30min. Quando resolvem ficar na igreja, a esposa e filhos ficam nas dependências do templo com as demais esposas e filhos dos outros pastores conversando sobre a vida de corre-corre dos maridos por sempre estarem comprometidos com a “Obra”;

86. Terça-feira, dia de reunião do “Grupo de Intercessão” de uma de suas igrejas: Fica sabendo que um jovem instrumentista foi visto no carro escutando música sertaneja; também, fica sabendo, por um diácono, que o outro diácono, o que faltou culto, aprecia muito as pregações de um pastor da “mescla”; e, por fim, toma conhecimento que há um novo visitante na igreja questionando muita a “Obra”. Dons surgem – para o primeiro caso: o jovem que escuta música do “mundo” precisa “pagar um preço”, precisa de uma “libertação”, está dando mau testemunho fora da igreja, vai para o “banco”; segundo: o diácono é repreendido, e fica impedido de subir a púlpito durante 02 meses; e, terceiro: determina-se ao “ungido” que repasse à igreja a não se aproximar mais desse homem “oprimido” e deixar ele falando sozinho.

87. Sexta–feira, dia de ir ao “Maanaim”, João vai direto do trabalho ou passa em casa rapidinho para pegar as coisas, nem chega ver a esposa e os filhos. Está na preparação do “Maanaim”, supervisionado sua equipe, e vendo as falhas das outras equipes para tratar na próxima reunião, e é claro, entregá-los para o coordenador, afinal, agora João é da confiança dele, o braço-direito.

88. No sábado de manhã, acorda no “Maanaim”, ou está ministrando aulas, ou assistindo vídeo conferência, ou na correria da sua equipe, e quase não falou com a esposa e a filha. Seu filho, com 10 anos, em tese, não pode ir ao “Maanaim”, segundo a “doutrina da Obra” – mas como João é pastor, ele tem moral, e seu filho vai muitas vezes, mas fica nos bucólicos alojamentos de pastores com os filhos dos demais pastores.

89. No domingo, novamente, “Maanaim”. Pela manhã está participando de batismos, ministrando ou assistindo aulas. À tarde, sua esposa e filha voltam para casa, permanece no “Maanaim” junto com os outros pastores e “ungidos” para preparar os assuntos da próxima “reunião de obreiros”, ou reunir sobre algumas outras questões, ou sobre o que levarão na reunião com o coordenador da área.

90. Domingo à noite tem culto, antes, João tem um importantíssimo assunto para tratar com os jovens – orkut e internet ou namoro na “Obra” (sempre os mesmos assuntos) -, às 18h, e percebe que está difícil encontrar um dia para ele fazer uma vigília.

91. João soube que está tendo um desentendimento das irmãs responsáveis pelas “senhoras linha de frente”, e elas estão há 02 meses querendo falar consigo. Então, pede-as para o procurarem no intervalo do seminário de 7º período da semana quem vem.

92. João já não conhece mais as pessoas da sua igreja, mas chama os diáconos, e lembra-os de que são a extensão do ministério e que confia neles.

93. Ah! Seus problemas financeiros ainda não acabaram, desde o período da “unção” estão cada vez maior.

94. No sétimo período, João ouve o “presidente da Obra” dizendo que o problema da “Obra” são os pastores que não amam suas ovelhas, são duros, não sabem assistir. Que as ovelhas têm que denunciá-los! Logo, ele fica com medo, receoso, ao mesmo tempo confuso, pois em reuniões, pelos testemunhos dos líderes e nos próprios seminários e reuniões de pastores são instruídos a serem bem severos com “murmuradores”, “enfermos” e “questionadores” da “Obra Revelada”. Mas, deixa para lá, faz de conta que está tudo bem.

95. João comenta com sua esposa, voltando para casa no domingo à noite, que deseja estudar para algum concurso público, porque sua vida estaria estabilizada, para viver a “Obra como forma de vida” com mais tranqüilidade. A esposa ri alto, e se chateia: “Se você não tem nem tempo para a família, vai ter tempo para estudar?! Tem que estudar sabia, disso? Em vez de se preocupar com estudos, devia se dedicar ao trabalho e à família, e parar de se dedicar

tanto à “Obra”, pois estou exausta e angustiada há muito tempo por tanta solidão e dificuldade financeira. A Igreja não vai colocar comida na boca dos teus filhos e nem pagar as tuas contas!” João apenas responde: “Você me respeite! Você é uma serva! Eu sou cabeça da casa! Você tem que ter “mentalidade de Obra”! Misericórdia! Como pode falar assim da “Obra”! Bem que o pastor GDT falou, que a maior “luta” para o ministério são as esposas que acabam jogando culpa da atual situação do casamento na “Obra”.”

96. Na última reunião de pastores um “companheiro” abriu um assunto particular – casamento -, e foi tratado com certa dureza pelo coordenador, João não concordou com aquilo. Mas ponderou consigo, porque o coordenador deve saber o que está fazendo, afinal, tem mais “experiência de Obra”.

97. João sabe que tem outro pastor com sérios problemas conjugais, tem outro que o filho esta namorando uma menina “do mundo”, o outro tem uma filha “desacertada” que só anda de calça comprida, a esposa do outro é uma problemática, fofoqueira, autoritária e petulante com as ovelhas do marido. Fica sabendo, ainda, que há vários pastores endividados, ouviu até uma história que há outro que já dorme em cama separada da esposa. E aí, João pensa: “Meu Deus quanta tribulação a “Obra” está passando!”;

98. João está preocupado com estes pastores, afinal de contas, alguns deles foram seus amigos, lhe assistiram, lhe instruíram e lhe prepararam. Tem dois deles até que foram seus amigos antes de se converterem, mas João conclui que é melhor não se envolver muito, para ver o que vai acontecer;

99. João sabe que são pessoas de boa índole, sinceros, honestos, éticos, mas outro pastor, recém ordenado, os “entregou”, e foram expostos diante dos demais pastores, e se sentiram humilhados. O coordenador pegou pesado, julgou-lhes! Gritou com eles! Mas João sabe que não é assim, mas teve “dons”, então tem que se calar, afinal, “o sinhô sabe todas as coisas”.

100. Um destes “companheiros” está no seu pólo, então, João é orientado, pelo coordenador, a observá-lo. João viu que esse pastor está em dificuldade, está errando, mas não tem tempo para se envolver e ajudá-lo. Esse pastor diz a João que precisa de alguém, de um amigo, para conversar, desabafar, de um socorro, mas a situação dele é difícil; então, “por amor à Obra”, ele passa relatórios ao coordenador de como o pastor está se comportando, “está sendo covarde, não está sendo valente”, e não se envolve para não se contaminar com a “síndrome” desse pastor, também, porque isso pode por em risco seu prestígio com coordenador.

101. Esse pastor é mandado para uma igreja menor, ou de preferência para ficar junto de outro pastor “com o coração cheio de Obra”. Esse pastor, lá, é orientado a não usar o púlpito por um tempo.

102. João se sente culpado, fica com o coração pesado pelas restrições que esse pastor amigo dele está submetido, mas pela “Obra” João faz qualquer coisa, afinal, ele aprendeu: “A Obra é minha vida. A minha vida é a Obra. Não podemos trocar essa Obra, nem pela nossa família!”

103. Bom, como João não tem tempo para mais nada, que dirá para estudar a Palavra, como no começo quando almejava seguir a Cristo, e, a propósito, até esqueceu que é para isso que as Escrituras servem: instruir ao Evangelho. Mas, não importa, tem que obedecer a “revelação”, obedecer, obedecer e obedecer! Mas João continua o que sempre aprendeu: pregar exatamente o que vem nas circulares do Presbitério (PES). Até porque para que perder tempo lendo a Bíblia, se o PES já manda tudo “mastigadinho, bem quentinho, direto da eternidade”, através de “apostilas reveladas”, áudios e vídeos para imitá-lo? Há muitos estudos e pregações que João recebe, chegam sempre para ele por e-mail, de irmãos que receberam de outros, que receberam de outros irmãos, que são ligados a alguém do PES, e assim vai. Vários estudos têm até o timbre do PES.

104. No último “Maanaim” fizeram algumas perguntas bíblicas que nenhum pastor soube responder, algumas perguntas foram até ignoradas, fizeram até de conta que não ouviram. Então, João pensou que era um absurdo. Mas ele ficou aliviado, pois não perguntaram para ele. Se João já tinha um sentimento de culpa, este sentimento é ainda maior.

105. Na reunião de pastores, certo pastor questionou algumas atitudes arbitrárias e orientações despóticas do Presbitério, conseqüência: foi esculachado por palavras pesadas e humilhado. João presencia o coordenador dizer veementemente: “É por isso que você está cheio de dificuldades. Vamos orar!”. Mas veio um dom: “Tinha uma nuvem negra na cabeça desse pastor, mas veio um vento e soprou ela dali.” O coordenador continua e aponta: “Por isso que nossa região não cresce, não podemos ter “murmuradores” em nosso meio. Questionadores! Que tocam na “Obra”, ferem o Corpo, discordam do Presbitério!”

106. “Reunião de obreiros”, assunto: “Essa Obra é para valentes”. Após a “reunião de obreiros”, outra “reunião de pastores”. Assunto: Vamos intensificar o trabalho, a “religião” e os “movimentos” não têm “revelação”, mas estão crescendo. Como nós da “Obra Revelada” não estamos? A quem enviarei?”

107. Daqui duas semanas vai ter “reunião de pastores” no Presbitério, João tem que apresentar os relatórios de crescimento. Então, reúne os obreiros e pede para por em ordem os “mapas dos Grupos de Assistência”.

108. Para sua surpresa, o número caiu, resultado: “reunião de obreiros”! João, desesperado e angustiado, grita, vocifera, esbraveja e pede que revejam o que está acontecendo: “Que infidelidade é essa? Ninguém tem Obra no coração? Essa Obra é nossa vida, devemos dar a vida por essa Obra! Visitem as pessoas que não estão vindos nos cultos, façam evangelizações, convidem seus vizinhos, familiares e colegas de trabalho e de faculdade! Não que estamos preocupados com números… Mas temos que encher a igreja! E acertem o relatório!”

109. Relatórios arrumados, sua área cresceu 30% (virtualmente é claro), mas o que importa é o relatório, afinal de contas, o Senhor muito abençoou a Davi quando fez o censo de seu exército. Está na Bíblia, não está?

110. João e outros pastores estão prontos a ir ao Presbitério. Então, João começa a ter dor de barriga, crises de ansiedade, caspas no coro cabeludo, insônia, aftas, déficit de atenção, mas acha que é por causa do jejum de 18 horas que está fazendo a semana inteira.

111. Na dita reunião o “presidente da Obra” está lá, o qual começa falar sobre o momento atual da “Obra”, sobre a posição da “Obra”, sobre certas situações da “Obra”, sobre como devem amar essa “Obra”; que a “Obra” é filho único… ; que a “Obra” é dinâmica… ; que a “Obra” anda na velocidade da luz… ; que a “Obra” é nossa vida, a nossa vida é a “Obra”… ; que a “Obra” é nosso trem para eternidade… ; que a “Obra” não é religião… ; que a “Obra” não tem teologia… ; que a “Obra” é profética… ; que a “Obra” é a vinha… ; que a “Obra” é nossa herança… ; que se Paulo fosse vivo, seria da “Obra”… ; que a “Obra” é perfeita e completa… ; que na “Obra” na há dedo do homem, tudo é revelado… ; que não pode desobeder ao Presbitério… ; que devemos comer “Obra”, dormir “Obra”, trabalhar “Obra”…; que a “apostasia”…. ; que as “heresias”…. ; os “hereges” no meio da “Obra”… ; que os caídos da Obra… ; que os pastores adúlteros, aldrões… ; que a “religião”, a “mescla”, a “filosofia”, a “teologia”… ; e que, por isso, a “Obra” cresce no exterior, e aponta que certas áreas “onde a Obra tem mais alcance” vêm dando exemplo de “Obra”, e, por isso, dão muita alegria aos irmãos pelo crescimento da “Obra” (e nunca a área, de onde João é, cresce). Parece que ele está calmo. Só parece.

112. João traz consigo nomes para a “unção” e ordenação; viu e reviu a ficha do candidato várias vezes. O “presidente da Obra” lhe coloca na parede, pergunta um monte de coisa! Alguém tem um “dom”. Problema?!

113. O “presidente da Obra” começa a falar alto, rápido, gesticular, a balançar muitos os braços, engrossando o tom de voz, não termina nem uma frase, não conclui nem um raciocínio, e continua a deblaterar… João quase não entende o que o “presidente da Obra” fala, muito roço, embolado, não fala coisa com coisa, uma empulhação de tanta “Obra”, “Obra”, “Obra”, “Obra” e “Obra”“Obra!“. Enquanto ele deblatera, de vez em quando João levanta a cabeça para ver se o “presidente da Obra” está babando, com sangue nos olhos e vermelho de tanta fúria.

114. João pensa: “Nossa como esse homem leva a “Obra” a sério! Mas por que será que ele é assim?” Então, “na revelação”, ele começa fazer contas “além da letra”: “Obra de Davi!”… hum!

1º. Rei = Davi;

2º. Rei = Salomão;

3º. Rei = Roboão.

Como era Roboão: “Assim que, se meu pai vos carregou de um jugo pesado, eu ainda aumentarei o vosso jugo; meu pai vos castigou com açoites, porém eu vos castigarei com escorpiões.” 2 Cr 10:11

João conclui: “Então é isso, o terceiro “presidente da Obra” só poderia ser assim também, é a “revelação”. “Essa Obra” é realmente profética! Obra profética! Obra é filho único! É o projeto revelado! Obra Revelada! Obra Maravilhosa! Obra Gloriosa! Obra Perfeita! Obra filho único!

115. João volta da reunião. Urgente: “Reunião de obreiros”. João, instigado e pressionado com a reunião no Presbitério, esbraveja do púlpito, bate no púlpito, está nervoso no púlpito e manda que haja envolvimento de todos na “Obra”. Imita direitinho seu mestre! Um dom na reunião: “Via um campo muito grande, era de terra fértil, mas tinha muitas pedras e tínhamos que retira-las para depois plantar”. No final cantam o hino “Há tanta terra.”

116. Ele tem imposto um fardo cada vez maior sobre seus obreiros, até mesmo impiedoso, pois eles precisam entender a “Obra como forma de vida”.

117. Faz uma convocação de todos os jovens de suas igrejas: “Reunião de jovens” – Evangelização! Diz que “o Senhor revelou que…” quer usar os jovens da igreja… João impõe, cobra, instrui, chantageia, ameaça, obriga que todos estejam prontos para viajarem a outras cidades, onde estão “abrindo trabalhos da “Obra”, e, a partir de agora, em todos os fins de semana: “Evangelizações” nos bairros da igreja! No fim da aula de jovens um “dom”: “Via que anjos

deixavam carrinhos de bebê em algumas casas das redondezas.” “Discernimento da visão”: Essas casas havia famílias que precisam ter “Obra”.

118. João ficou sabendo que um pastor em outra região questionou o Presbitério, nisso imediatamente alguns chefões da “Comissão Executiva” esteve na região, excluiu o pastor e o expôs publicamente, afirmando: “Dificuldade na “Obra” tem que sair mesmo! Temos que extirpar o “tumor” do corpo! Punições exemplares se tornam uma constante, com efeito, aterrorizado, advém a João o efeito cascata – João está fazendo isso nas suas igrejas com diáconos e obreiros insubordinados.

119. Orientado pelo Presbitério, João ocupa o lugar e função dos anjos no Dia do Arrebatamento, qual seja, de separar o joio do trigo, os bodes das ovelhas; pois como ele é um “valente da Obra” quer poupar trabalho para os anjos, e dedica muito esforço para arrancar o joio e identificar os bodes, mesmo que na maioria das vezes, arrancará muito trigo e abaterá muitas ovelhas. Afinal de contas, o Presbitério o ensinou muito bem como julgar e medir as pessoas, e é claro, como o “sinhô” ensinou que deveríamos julgar uns aos outros, e decretar a morte súbita de quem atrapalhar e tocar “nessa Obra Maravilhosa”.

120. João começa a ter algumas enfermidades, físicas mesmo – gastrointestinais, respiratórias, cardiovasculares, crises crônicas de ansiedade, depressão, de modo a deixá-lo uma pessoa rabugenta, grosseira e intolerante com a esposa, filhos e rebanho. E mais outras doenças estão a aparecer! Mas deixa pra lá, “essa Obra” não é para fracos, e sim para “valentes”!”.

121. E continua a sua situação financeira indo de mal a pior, materialmente pior ainda. Piorou depois de custear com seu próprio bolso com a gasolina e os prejuízos mecânicos do carro, de tanto deslocar para outras cidades e igrejas que dá assistência. Mas deixa pra lá: “Essa Obra não é para covardes, e sim para valentes!”

122. Sua esposa, como sempre, começa a reclamar que não recebe atenção, que não saíram mais de férias, que não viajam, que não passeiam, que não dialogam, que não brincam e nem sorriem juntos, que ele não conversa com filhos senão só os repreende, que a cada dia ele piora como ser humano (está arrogante, impaciente, intolerante e prepotente), e que ela está muito triste e não sabe explicar o porquê. Ele, de pronto, a repreende, e a diz para orar mais, fazer jejuns, ir à “madrugada”, ir aos seminários! E, termina concluindo que as brigas são porque faz tempo que não a vê indo à “madrugada” e ao culto-profético. E arremata: “Está sem Obra no coração! Está sem entendimento de Obra!”

123. Um problema em uma de suas igrejas: Um obreiro “saiu da Obra, falando mal da “Obra”, dizendo que quer viver uma tal de liberdade em Cristo, quer viver o verdadeiro Evangelho. João, instruído pelo PES, imediatamente vai à igreja, acusa e difama o obreiro. Convoca a igreja para uma reunião no sábado à noite depois do culto a respeito de Absalão, Balaão, Judas, Adonias, Alexandre, o Latoeiro, etc.. A reunião inicia, com mais dois pastores presentes: Diz que o obreiro é um “caído”, que ninguém deve ser aproximar dele; diz que ele não “entendeu a Obra”, diz que saiu de nós, mas não era um dos nossos, diz que muitos são chamados e poucos escolhidos, diz que a liberdade que o “caído” busca é, na verdade, “libertinagem”; diz que devem desligar o telefone na cara do “caído” se caso ele ligue; diz que devem bater a porta na cara do “caído” caso ele vá às suas casas; diz que não devem se misturar com “defuntos” para não se contaminar; e diz que deve bater a porta até na cara dele, de João, caso um dia ele “saia da Obra”.

124. Mais uma vez Maria, sua esposa, reclama que João trabalha demais para a “Obra”, que ambos estão sobrecarregados, exaustos. Sufocados por tanta cobrança, serviços e responsabilidades. João, como um “valente da Obra”, mais uma vez a repreende com aspereza, dizendo que ela tem que ser “coluna”, e que não poder ser um encalço no seu ministério. E dá exemplos de mulheres de outros pastores que “são uma luta”. Nesse momento ele pára e reflete: “Poxa! Não são só algumas, senão quase todas as mulheres de pastores que são “uma luta” contra a “Obra Preciosa”! Misericórdia!

125. Sua filha quer ir ao shopping e gostaria de fazer balé, e seu filho, jovem, está jogando na seleção de vôlei do colégio e ouvindo músicas da “mescla” - gospel. Ele os chama, e severamente os adverte que como filhos de pastor têm que dar o exemplo, dar testemunho, ser referência, e parar com esses tipos de coisas do mundo, de “libertinagens”, de “opressão” imediatamente.

126. Como João é da confiança do coordenador da área, ele tem conversas informais com o coordenador sobre sua situação financeira. Então, o coordenador lhe pede para lembrá-lo na próxima reunião.

127. Lembrando, João é supervisor de pólo, acima dele está o coordenador da área, o coordenador da região, e depois só o PES.

128. Agora João tem 05 igrejas, todas distantes uma da outra, além das outras funções já acumuladas.

129. Seus problemas financeiros e materiais estão grandes, mas João vem contornando a situação. Quando assiste algumas ovelhas, ele só pensa: “Meu Deus, se ela soubesse como está a minha situação, não tomaria tanto o meu tempo, nem reclamaria tanto”.

130. Algumas ovelhas fazem alguns comentários: “Nossa pastor, o senhor está com uma cara de cansado!” “Acho que o pastor não está bem, tem estado com uma expressão pra baixo.” “Pastor, acho que o senhor está estressado.”

131. João sentiu certo remorso quando chamou a atenção de um determinado diácono e foi até estúpido com ele, até o ridicularizou, debochou, mas João é um pastor e não tem nada que pedir desculpas; pois, se assim fizer, isso seria se humilhar e se rebaixar a inferiores. Mas João seguirá uma tática que aprendeu com outros pastores, pedirá desculpas de forma indireta, com comentários numa Aula Dominical: alega que pastor também é humano, pode errar, mas cabe tão-somente aos membros entender isso, obedecer e engolir calado. E, no final, arremata com um famoso e antigo clichê: “Não podemos olhar para homem!”

132. Na reunião com o coordenador regional, João está muito abatido e pede oração. O coordenador, então, questiona o que está acontecendo. João abre parte do assunto, não quer falar muito na frente de outros 40 pastores, afinal o coordenador da área já está ciente. Eles escutam João, e dizem: “Ajoelha aí! Que vamos orar por você.” Sua expectativa é grande, e vem um “dom” (do seu coordenador de área): João vai assumir mais 02 igrejas que estão com sérios problemas. Ao valente, mais serviços – diz o “companheiro”.

133. João está confuso, mas feliz: “Nossa como Deus confia em mim.” E a palavra que mais ficou marcada da reunião é: “Cuida das minhas coisas que eu cuido das tuas.”

134. Mãos à “Obra”. 06 meses se passaram, um dia na volta do “Maanaim” João conversa com o coordenador da área, que é seu amigo, que lhe confessa: “Olha, eu não abro isso a ninguém, mas minha situação com minha esposa e financeira está pior que a sua.” João é solidário e exclama: “É, companheiro, vamos orar para Jesus voltar logo, senão a gente não agüenta.”

135. O coordenador da região lhe procura, e diz que está preocupado com o coordenador da área, pois o PES recebeu umas ligações delatoras sobre a situação financeira e familiar dele, e pergunta se João sabe de algo.

136. Receosamente, João sente-se compelido a dá detalhes sobre como está a situação dele, então imediatamente o PES envia circulares ameaçadoras, manda recados e indiretas do púlpito do “Maanaim”.

137. O coordenador da área não pára em emprego nenhum, uma hora ele abre um negócio, às vezes trabalha em alguma empresa, faz bicos, tenta se virar, e ele quase não pára em casa e nem aparece mais nas igrejas, tem reunião

todos os dias, além de ter que viajar todo fim de semana em compromissos da “Obra”.

138. Arrasado e perseguido, João nem percebe o que está prestes a acontecer. Então, como de praxe, mais uma vez, reúne os obreiros e diáconos, briga, esbraveja e pede empenho para apresentar crescimento, mas no final arremata: “Não estamos preocupados com números! Essa Obra não é a religião!” (?)

139. João está sempre tenso, nervoso, com crises de ansiedades intensas, com dificuldades para dormir, inclusive já fazendo até uso de remédios. Não quer que nada aconteça a seu amigo, mas, poxa vida, ele está dando um mau testemunho, horrível para a vida particular dele, e a “Obra” não pode ser manchada por isso.

140. O Presbitério depõe o coordenador do cargo, faz uma reunião de última hora com todos obreiros, fala sobre o testemunho dos servos, que “esta Obra” não aceita “certos” comportamentos, humilha de púlpito seu amigo indiretamente através de fatos e caracteres particulares dele etc. Cargo vago, João é o indicado para a função.

141. João, agora, faz parte dos “intocáveis”, está por cima, chegou ao topo, toma as decisões, tira e coloca quem quer, diz „sim‟ ou „não‟, na sua área. João é a voz de Deus, se ele falou, está falado, está mais do que certo, não se discute, afinal, se João está nesta posição é porque o “sinhô revelou e sabe todas as coisas”, pois Deus confia nele e lhe deu sabedoria e “unção” acima dos demais.

142. João, surpreendentemente, tem lido alguns livros evangélicos, autores famosos, homens com uma profunda intimidade com Deus e fatalmente surgem questionamentos sobre a doutrina e sobre o comportamento do PES, mas João não quer se aprofundar nisso, prefere ignorar, faz de conta que não sabe de nada, mente para si mesmo, depois que começou a ficar angustiado e decepcionado.

143. João ouve dizer que tem uma tal comunidade no Orkut que expõem muita coisa e com embasamento forte, tem agora até blogs de uns “caídos”, vídeos da Obra que publicaram no youtube, e tem até também sites de uns pastores que foram da “Obra” “falando mal da Obra”. O dono da “Obra”, quer dizer, o “presidente da Obra” os odeia com ódio mortal, diz que a Obra está sendo atacada, o cerco está fechado, e os irmãos tem que serem fortes, e o Presbitério, estritamente, até disponibiliza um login e senha para João ter “idéia” das “heresias e apostasias” que estão escrevendo lá, se possível tentar até calar a boca desses “apostatas” e “hereges”.

144. O Presbitério vai fazer uma “Grande Evangelização” na sua área. Correria, correria, corre-corre para fazer mutirões para arrumar as igrejas, pintá-las e limpá-las, afinal a “Rainha de Sabá” vem com sua comitiva. João aciona aos demais pastores e lhes determinam para que os membros cheguem mais cedo aos cultos, não faltem em hipótese nenhuma, se possível, venham bem mais arrumados, afinal, de repente a sumidade pode aparecer em algum templo de surpresa.

145. “Reunião de pastores” quase todos os dias sobre o assunto “Grande Evangelização”. Ficou definido que cada “Grupo de Assistência” deverá obrigatoriamente levar um ônibus cheio, o custo de deslocamento será por conta dos participantes.

146. Como tem igrejas “pobres”, os responsáveis questionam, e João diz que cada pastor resolverá em sua igreja e cobrará que todos não deixem de faltar o encontro. Bom, sem recursos e com medo do resultado pífio de presentes, muitos pastores, diáconos e até obreiros tiram do próprio bolso para bancar a platéia.

147. Valores realmente muito altos, acima dos ganhos dos obreiros, mas eles têm que saber que pela salvação da “Igreja Fiel” todo esforço é valido. João pensa: “Cuidamos das coisas de Deus e ele cuida das nossas. Depositamos na igreja e Ele vai retribuir, é como num banco de investimentos.”

148. 02 meses de trabalho duro, arrumação, organização, sem dinheiro, obreiros e diáconos trabalhando até de madrugada para arrumar o local, irmãos limpando o dia inteiro, João já desembolsou uma quantia significativa de dinheiro para cobrir os furos. A esposa de João fica indignada, e solta uma versículo bíblico: “Como tu queres cuidar da Igreja, se num cuida nem direito dos seus?” João diz que ela está na “letra”.

149. Na véspera, João, angustiado, tenso e ansioso, até teve um princípio de desmaio devido ao nervosismo, inclusive sente febre à noite; pois conhece bem o que pode acontecer se algo falhar, Deus até perdoa, mas o Presbitério jamais.

150. Tudo pronto, arquibancadas abarrotadas, a “Grande Evangelização” começará às 19h:00min, mas o trabalho está acontecendo desde às 06h:00min, e João chegou lá às 09h00min, porque não conseguiu dormir e tem que averiguar tudo. O Presbitério veio, tapetes vermelhos estendidos, todos a postos, 08 diáconos de prontidão para atender algum pedido do panteão do Presbitério.

151. O 3º. Presidente (aquele, o Roboão, dos chicotes, lembra?) pede reunião só com os pastores da região, ao lado dele tem 02 pastores um segurando água,

outro, com uma toalha, abanando seu calor “infern…”, ops, deixa pra lá, vamos dizer só seu calor.

152. Roboão fala do momento atual da “Obra”: fala que a “Obra” é “projeto revelado”, que é a “Igreja Fiel”, afirma que sua região não está vivendo este momento, que regiões que estão muito distantes do Presbitério estão crescendo, que revelações maravilhosas só podem vir do Presbitério. Conta testemunhos de outras regiões já “dominadas” e de como prosperam, diferentemente da de João que tem pouco trabalho.

153. Afirma ainda que a área de João tem apresentado um crescimento medíocre, que a “Obra” tem crescido e invadido todo o mundo, mas João que está do lado do Presbitério não apresenta resultado.

154. Um pastor corajoso, indaga – “Mas, Vossa Santidade, em nossas igrejas, apesar de pequenas, temos tido experiências com o Senhor, temos curas, libertações, alegria, vemos uma manifestação do Espírito Santo!”

155. João abaixa a cabeça e pensa: “Coitado!” Nisso o “presidente da Obra” fixa o olhar naquele pastor e diz, furiosamente: “Não é disso que estamos falando, isso não nos interessa! Isso a religião também tem! Quer curas? Milagres? Então, vai para o movimento! Vai para mescla! Pode ir! Pode ir! Lá é assim mesmo! Deus quer templos cheios, crescimento. Quer ir para a religião? Você encontra tudo isso lá, só não tem a “revelação”, “não tem Obra”! Não têm entendimento de Obra!”.

156. O coordenador da região olha para João, pois é um pastor da área dele que fez a infeliz pergunta, esse olhar é como se dissesse: “Depois a gente vai conversar sobre esse camarada!”.

157. O palestrante vai para o púlpito logo após a exibição do super “Grupo de Louvor”, os “beethovens” de Vitória, “onde Obra tem mais alcance”. Apresenta uma série de slides de catástrofes mundiais, como furacões, tsunamis, asteróide em Júpiter, torres gêmeas, e em cada slide tenta-se achar um texto (mesmo que fora de contexto) nas Escrituras que justifique aquele acontecimento.

158. Depois começa dizendo que ninguém sabia daquilo, só a “Obra” tem esse entendimento, que a “religião” tem o “cristianismo falido”, “evangelho social”, que “os movimentos” não têm conteúdo. Diz que “Obra” tem uma mensagem que o mundo não conhece… Diz que a “Obra” não pede dinheiro… Diz que a “Obra” é revelada… Diz que a “Obra” não há dedo do homem… Diz que pastores da “Obra” não são remunerados… E João pensa: Poxa! Parece que estou num seminário de vendas, de marketing de rede! Quanta propaganda!

Pouco escutei o nome Jesus! Não escutei sequer um ensino! Só terrorismo, forçando o povo aceitar a Jesus por medo e vir para “Obra” por medo e por ela ser a melhor de todas as igrejas! Quanta propaganda da “Obra”! E Cantam o hino “Rude Cruz”.

159. No final, entregam 145 “dons”. Começa o show de adivinhações da vida alheia! Idade de Fulano, letra inicial do nome, uma pessoa que se embriaga semanalmente, um homem com uma lesão no braço, uma mulher que sofre de dor de cabeça… apontando até o quanto de dinheiro carrega no bolso, e muitos dons generalizados (que curiosamente os mais identificados, pra não dizer os únicos), e Deus estará abençoado… João, no final, soube que uns 06 homens se identificaram com os “dons”, pois todos têm o nome que começa com a letra “A”, tem problemas familiares e têm mais de 35 anos;

160. Algumas autoridades são apresentadas, só como respeito, porque a “Obra” não quer nada com eles, não! Que é isso…

161. Encerrado o evento, reunião com todos obreiros, isso mesmo, no mesmo dia. Palavra do Roboão: “Agora é com vocês, em todo lugar que passamos abrimos milhares de igrejas e ampliamos a “Obra”, quero ver o que vocês vão fazer”.

162. Feriado. João percebe que o próximo mês terá um feriado na primeira semana, e combina com Maria, sua esposa, e seus filhos a viajarem para uma casa de praia que ele deseja alugar. O feriado se aproxima, Maria, radiante, vive a comentar e combinar com João e filhos as demais coisas, e que, finalmente, eles terão um momento prazeroso, gostoso, para gozar a privacidade da família com naturalidade. Ambos estão muito felizes, também os filhos, inclusive cada um já combinara de levar um amiguinho da igreja para ir junto.

163. Uma semana antes do feriado, João vai à reunião de pastores, e seu coração já prevê algo que suspeitava que pudesse acontecer. Na reunião, os coordenadores, “orientados” pelo PES, decidem que no feriado em questão um mini-seminário será realizado para todos os membros que possuem função e cargo na “Obra”. Convocação geral! Quem faltar é “banco”! João dará aula. As aulas serão inéditas: “Heresia e Apostasia”, “Mescla”, “Obra de Saul e de Davi”, “Mordomia”, “Salvação: Ato e Processo”, “A Vinha”, “Obra como forma de vida” e “Ministério e Serviços” e “Limites do Espírito Santo”. João entristece profundamente, se angustia, e chora, como menino, no banheiro ao imaginar os rostos de sua esposa e filhos ao receberem a notícia de cancelamento dessa viagem que fariam e combinavam há um mês.

164. João explica a esposa e filhos, o clima do lar fica carregado: brigam e discutem, e Maria profundamente desgastada e consumida por tanta decepção,

sufoco, sofrimento e escravidão, desabafa aos prantos: Eu não agüento mais essa vida, João! Sempre a igreja é prioridade e atrapalha nosso lar. Não adianta reconhecer isso. É mentir para si mesmo. Estamos tão longe um do outro. Não temos mais tempo de uma intimidade natural e espontânea, de conversas saborosas, tudo é forçado, corrido, obrigatório, artificial… Teus filhos reclamam tanto de tua ausência… João, nosso lar estar sendo destruído, pois ou você está no trabalho, ou está enjaulado em tantas reuniões, afazeres, preso sob tantas obrigações e responsabilidades na “Maranata” todo fim de semana, todo feriado, todos os dias e noites… Tenho amigas de trabalho que são servas do Senhor, os meus próprios irmãos e pais que são servos, sim, do Senhor em outra Denominação – e não adianta você dizer que eles são “religiosos”, são da “tradição”, ou “não tem experiências com o Senhor”: conhecemos a árvore pelos frutos –, e são tão felizes, naturais, graciosos, e não vivem a julgar, discriminar, esnobar, desdenhar, se ensoberbecer sobre outras pessoas só porque congregam debaixo de outra placa de Denominação, e principalmente, não vivem sob o fardo e o julgo de tantos afazeres, responsabilidades, reuniões, seminários, convocações, mutirões, cultos diários, madrugadas… e mais reuniões. Eles viajam, curtem um ao outro e os filhos, passeiam no shooping, zoológico, parque de diversão, vão ao teatro e cinema (e não dizem que é “opressão”), e nem por isso deixam de transmitir a graça e o amor de Cristo. São tão amáveis, comportados, educados como servos do Senhor… Precisamos disso, João. Precisamos ser um casal, precisamos ser uma família, precisamos ser servos de Deus. Precisamos de uma Igreja! Não podemos mais ser servos do Presbitério, “servos da Obra” (como vocês mesmo falam arrogantemente), da „Maranata‟ e seus preconceitos e ganâncias… João escutando tudo isso apenas derrama lágrimas dos olhos, confirmando meneando a cabeça, mas não comentou nada… Seu silêncio significava notoriamente que concordava com sua esposa.

165. Meses depois João descobriu que ocupou o cargo de coordenador porque 02 pastores do seu pólo tinham recebido reclamações do ex-coordenador e estes pediram para várias pessoas escreverem para o Presbitério, e nestas cartas as pessoas relataram seu zelo pela “Obra”. Mas, a grande verdade é que eles não se davam com o ex-coordenador, e perceberam que ter João no topo era estratégico.

166. Como excelente fantoche do Presbitério, obedecendo tudo, sem questionar, sem discordar, sem ponderar, pressionando obreiros, enviando relatórios de crescimento “milagroso”, detonando pastores questionadores, sua carreira é longa e segura.

167. Meses ou anos depois João descobriu que outro “companheiro”, pastor novo, antigo “ungido” seu, está lhe observando a pedido do Presbitério. Esse seu amigo acabou de assumir um pólo, e foi João quem o colocou lá.

168. O ex-coordenador que foi deposto, está sofrendo muito, o Presbitério pede para manter certa distância dele, e afirma que “essa Obra é para valentes”, infelizmente ele não era um.

169. A esposa do ex-coordenador está com depressão seriíssima, os filhos fora da igreja, ele está desempregado. João pede orientação ao Presbitério que diz apenas para acompanhá-lo de longe e tratá-lo com indiferença, e que João não deve mais deixá-lo usar o púlpito.

170. João sabe que seu amigo, o seu antigo “ungido”, supervisor de pólo quer muito ser coordenador de área, nota a adulação dele com o PES, nota a vaidade dele, nota como ele idolatra a Maranata.

171. No 7º. Período falaram muito mal sobre os desertores da “Obra”, sobre pastores que dão mau testemunho, e que “esta Obra” não aceitará pastores que cometam erros ou falhem. Não aceita fracos!

172. João nunca recebeu nenhum preparo nem estudo sobre aconselhamento familiar, brigas conjugais, preparo de jovens para o casamento, como lidar com adolescentes complicados, como lidar com marido ou esposa não convertido, como lidar com “marcas do passado”, complexos, cura interior e outros assuntos. Mas o Presbitério disse que João tem a “unção” e isso é suficiente, inclusive aconselham-no a não perder muito tempo lendo a Bíblia, o importante é estar nos Seminários, assistir as aulas via satélite e ler as circulares.

173. Nos “Maanains” João ouve constantemente que todos problemas da “Obra” são os pastores que não sabem assistir nem cuidar da igreja, que são displicentes com as ovelhas. João se sente muito ofendido por isso, porque sabe que muitos pastores estão dando sua vida pela instituição, conhecendo a história da maioria deles sabe os sofrimentos de cada um deles. Chateia-se de como isso é banal para o Presbitério.

174. João sabe de pastores que dão “tristemunho” em suas famílias e principalmente nos locais de trabalho, mas eles têm muita “moral” com o Presbitério, inclusive toma conhecimento de fatos escandalosos, pecados horrendos de certos “grandões”, mas eles são preservados, pois estão apresentando bons números de crescimento ou possuem uma estima muito grande na sociedade e para a “Obra” (quem lê, entenda).

175. Outro pastor, muito estúpido, arrogante e inescrupuloso de difícil tratamento, não aceita correção, mas esse tem bom relacionamento com alguns do Presbitério, pois ele tem cargo político e tem conseguido alguns benefícios para “Obra” em sua região.

176. Tudo isso tem incomodado a João, que começou a bater de frente com esses pastores. Na última “reunião de pastores” em sua região, João comentou que não concordava com algumas doutrinas, tampouco com algumas atitudes arbitrárias e ditatoriais do Presbitério.

177. Um pastor novo, aquele seu amigo, que João colocou como supervisor de pólo, liga no dia seguinte para o Presbitério, e envia um e-mail detalhando os acontecimentos da área, e principalmente, da última “reunião de pastores”.

178. João teve um problema na empresa: um funcionário tentando se aproveitar de sua postura como “crente” leva-o à justiça trabalhista. Todos sabem que é injusto, inclusive a justiça foi a favor de João isentando-o de qualquer responsabilidade.

179. No entanto, era tudo que o Presbitério precisava para ter algo contra João, e para lhe pressionar. Inclusive o Presbitério enviou um “dom” para a região – “O Senhor revelou que tem um lobo na área”.

180. Eles precisavam de um álibi, não por causa do seu problema, mas como João tem muita influência na região, muitas ovelhas o amam, o escutam, um formador de opinião, e como ele está “murmurando”, João se tornou uma ameaça ao Presbitério.

181. João começa a ver que a Instituição “Obra” tem 02 lados: aqueles que amam ao Senhor e só querem alguém que as ajude em sua caminhada, “carentes de um pastor que dê a vida por suas ovelhas”, e João sabe que tem pastores assim; por outro lado, existem, em maioria, aqueles que são legalistas, preferem cumprir regimentos e a lei em vez da graça, pastores que se pudessem não hesitariam em levar ovelhas para a porta da cidade e apedrejá-las sob a alegação de que não estão cumprindo os mandamentos da “Obra” (inclusive alguns faltaram pouco para fazer isso), e que só pensam em galgar funções, elevar o status, adquirir o poder de cargos eclesiásticos superiores, e receber reconhecimento do Presbitério, e bajulação de membros.

182. No meio dos pastores começa haver divisão – uns falam do amor; outros procuram oportunidade para executar alguém.

183. Por mais incrível que pareça, os pastores carregados de raiva e odiosos em busca de status e posição, estão conseguindo o que querem. São exaltados e convidados pelo Presbitério para estarem próximos de lá, e para conduzir “certos” assuntos da “Obra” na região.

184. Esses pastores quase não estão presentes nas igrejas, estão sempre em reuniões, seminários, eventos, viagens etc.

185. Os demais pastores, preocupados com suas ovelhas, sugerem uma reunião para casais, seminário de namoro, filmes de documentários históricos para os jovens, e também que se intensifique o trabalho com os jovens não de tarefas e mais obrigações, senão de aulas produtivas e inovadoras, pois estão vendo que estão desamparados. Entretanto, são acusados de quererem aparecer, de “religiosos”, de vaidosos, de quererem trazer “os movimentos” para dentro da “Obra”, de “mescla”, e muitos outros pastores induzem que estão aparecendo “hereges” e “apóstatas” na “Obra”.

186. João descobre que aquele pastor amigo seu, supervisor de pólo, aquele que João orou com a mãe dele quando ele ainda era jovem, que consolou o irmão dele que tinha perdido um filho e passou a noite com eles. Sim, o próprio, tem passado diariamente e-mails para o Presbitério sobre cada passo da vida de João, palavra por palavra, inclusive começa a fazer sentido algumas perguntas capciosas que ele fez nas últimas reuniões a respeito ao ministério e a pessoa de João.

187. João está angustiado, não dorme, não come, toma 07 remédios por dia, não tem sentido o amor do casamento, não está bem financeiramente, não consegue mais ter comunhão nos cultos, então tem um colapso nervoso.

188. Em casa, de repouso, João está sozinho, e começa a andar pela casa. Vê o quarto do seu filho e descobre que ele aprecia boliche, mas João não sabia; sua filha é ótima em pinturas e tem uma capacidade incrível de se expressar por essa arte, mas João nunca tinha visto nenhum trabalho dela, aliás, quando ela comentava o assunto na mesa, João dizia que “arte era opressão”.

189. João começa a olhar os álbuns de fotografias e vê os aniversários, festas de família, presentes os pais dele, os sogros, os tios, primos… Aqueles “religiosos”, que são da “tradição”, dos “movimentos”? E João acha estranha que ele não está em quase nenhuma delas: as de aniversário dos filhos, por exemplo, todas só têm a mãe; os aniversários dos sogros, só os filhos e cunhados; no aniversário de seus pais, só sua esposa, filhos e seus irmãos, enfim. João quase nunca está presente nas fotos.

190. João tenta recordar alguma reunião de pais na escola, alguma pescaria com seu filho, algum passeio no parque para levar os filhos para andar de bicicleta, algum passeio despretensioso com sua filha, alguma viajem romântica com sua esposa, algum passeio no parque de diversões com a família, alguma ida à praia com a família, alguma sessão de cinema com a família, algum passeio no circo e zoológico com os filhos e esposa, e nada lhe vem à memória. Nada!

191. João, como pastor, assistia dezenas de jovens, senhoras, casais toda a semana, orientava-os (ao “padrão da Obra”), aconselhava-os (conforme a

entalidade de Obra”), mas nunca conseguiu fazer isso em casa, nunca encontrou tempo para assistir sua família, apenas cobrá-los, obrigá-los, repreendê-los, reprová-los, castrá-los de forma ácida e distante.

192. Como era de se esperar, ocorre o previsível: o amigo de João lhe entregou. Como pastor agora, cheio de vaidade, marra, arrogância e intolerância em nome da “Obra Maravilhosa” apontou vários problemas de João, exagerou e inventou outros através de conclusões precipitadas, baseadas em “revelações”. Mas o pior: Esse pastor tem aliados, os quais confirmarão as invenções, inclusive já tiveram alguns “dons”.

193. O Presbitério telefona e pede para não usar mais o púlpito, por fim, pede sua presença na próxima reunião em Vitória.

194. João começa a lembrar do que aconteceu com outros pastores que foram chamados para lá – execração pública -, logo, lembra do que fizeram a um pastor de Brasília, lembra do que fizeram com seu ex-coordenador.

195. Faz uma semana que João não vai à igreja, e nenhum “companheiro” sequer o telefonou. Alguns obreiros e diáconos já estão lhe olhando de maneira diferente, porque participaram de uma “reunião de obreiros” que João sequer ficou sabendo que teria, cujo assunto foi: “Morte na Panela”.

196. O Presbitério avisa que não precisa mais ir para lá, eles virão por ordem na casa… A Comissão Executiva chega, faz uma reunião com toda área no “Maanaim”. A mensagem é uma mistura de “Servo Devedor”, “Mescla”, “Mordomia”, “Sansão e Dalila”, “Obra Saul e de Davi”, “Heresia e Apostasia”, hipocrisia… Ops! Essa última não é pregada, apenas vivida.

197. Eles, principalmente o dono da “Obra”, falam de pastores “maus” que dão “mau testemunho”, e que devem ser punidos, orientam a igreja a se afastarem de pastores que foram exortados pelo Presbitério, afirma que recebê-los em casa ou lhes estender a mão é trazer maldição para dentro do lar, é se contaminar com a “síndrome da queda”.

198. O panteão e os demais começam a insinuar indiretas sobre João no púlpito, e querem dar um jeito de humilhá-lo, de destruir sua reputação, de expô-lo ao ridículo, de desconstruir sua imagem perante as ovelhas, de desmoralizar sua espiritualidade e de acabar com seu poder de influência na região.

199. Justificam suas atitudes pelo texto em I Maquiavel 5:8, o qual, estranhamente, ninguém encontra esse livro na Bíblia, apesar de ser tão obedecido pelo Presbitério, mas ninguém questiona e discorda, pois pode ser que seja um

mistério revelado ao Rei Roboão, mais um “segredo dessa Obra”, e que logo será aberto para a plebe.

200. Terminada a reunião, todos vão saindo de certa forma constrangidos sem entender nada. Há os que orgulhosamente dizem: “Nossa, como o “sinhô” está revelando coisas profundas ao PES” (essa reunião ocorreu num sábado).

201. No domingo, João vai ao culto, porém não dirige o louvor e nem prega. Sequer se assenta lá na frente. Pra “despistar” fica na porta, nos fundos do “templo”, próximo à saída. Quando o culto termina, ele nem tem tempo de esquivar-se; logo é puxado pelo braço por alguém que estava no último banco. Tratava-se de um casal recém chegado à igreja, de novos convertidos, que inclusive ele já havia assistido algumas vezes. O varão, bastante empolgado, junto com sua esposa (ambos com um sorriso inocente), cheio de expectativas e planos lhe pergunta de maneira bastante direta: “Pastor, qual será o meu futuro na “Obra”? Eu e minha esposa não vemos a hora de estarmos integrados “nessa Obra Maravilhosa”. O meu sonho é ser obreiro e o dela é ser senhora linha de frente. Queremos ser igual ao senhor e sua esposa!” João engasgou, gaguejou, e por fim deu uma resposta evasiva. Não teve coragem de responder com sinceridade. Foi tão impactado por aquela interpelação (e conseqüentemente pela omissão da sua resposta óbvia) que nem quis mais assistir ninguém. Não tinha mais nenhuma estrutura emocional para isso. Se o seu “espiritual” os doutores do PES tinham conseguido abalar, o psicológico, então, se encontrava em fragmentos, destroçado por tanta pressão! Despediu-se de alguns poucos que ele conseguiu encarar no trajeto até o seu carro. Entrou e foi embora. Estava sozinho. Sua esposa nem tinha ido nesse dia, seus filhos já não ia há tempos. Fazia força para segurar a aflição, se contendo na frente dos membros. Já em casa, não resistindo mais, se trancou no quarto e chorou copiosamente! Um pranto de lamento, de profunda decepção.

202. Dois dias depois, João, intrepidamente, busca auxílio com pastores de outras Denominações. Todos os dias conversa com um. João desabafa! Dias depois, João entrega o cargo e, com sua família, passa congregar em outra comunidade cristã. João leu, estudou, pesquisou, conversou, orou, jejuou ao Senhor, na busca de sabedoria, e sentiu que havia encontrado um lugar cristão para a sua família.

203. Anos depois, todos os problemas que a família e João sofria desapareceram. Uma nova vida, uma nova fé, real e verdadeira. Ainda que saiba que alguns de lá o acusam e o pintam como “caído” e outros adjetivos depreciativos, João só ora a eles para que o Senhor lhes dê um dia essa bênção que hoje ele desfruta.

“Se alguém ensina alguma outra doutrina, e se não conforma com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo, e com a doutrina que é

segundo a piedade, é soberbo, e nada sabe, mas delira acerca de questões e contendas de palavras, das quais nascem invejas, porfias, blasfêmias, ruins suspeitas, contendas de homens corruptos de entendimento, e privados da verdade, cuidando que a piedade seja causa de ganho; aparta-te dos tais.” 1 Timóteo 6:3-5

E ainda:

Porque muitos há, dos quais muitas vezes vos disse, e agora também digo, chorando, que são inimigos da cruz de Cristo, cujo fim é a perdição; cujo Deus é o ventre, e cuja glória é para confusão deles, que só pensam nas coisas terrenas. Filipenses 3:18-19

Por fim:

“Mas temo que, assim como a serpente enganou Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos sentidos, e se apartem da simplicidade que há em Cristo. Porque, se alguém for pregar-vos outro Jesus que nós não temos pregado, ou se recebeis outro espírito que não recebestes, ou outro evangelho que não abraçastes, com razão o sofrereis.” 1 Coríntios 11:3-4

A diferença de um homem livre para um escravo é que o primeiro faz por gratidão, num espírito voluntário, generoso. Já o segundo age por imposição, pelo peso da mão do algoz.

Que esse texto seja um instrumento de reflexão, para que muitos leitores ponderem suas atitudes. A servidão é um condicionamento mental, ao qual muitos foram submetidos durante longo período. Nesse caso em especial tratado aqui, inicia-se sutilmente. O condicionamento se dá de maneira gradativa, lentamente, até atingir seu ápice. Há os que percebem tal estratagema em sua fase inicial. Alguns durante o período de cativeiro. Esses ainda encontram forças para romperem os grilhões e se esquivarem dessa “senzala espiritual”. Outros, infelizmente, só percebem o real estado de escravismo em que se encontram já em idade avançada, num estágio praticamente irreversível, sendo praticamente impossível qualquer tipo de mudança ou alteração do quadro. Já estão tão habituados, condicionados psicologicamente à rotina que vivem que não conseguiriam adaptar-se à uma vida sem aquelas obrigações/imposições. São como os antigos escravos brasileiros que quando alforriados, ficavam sem saber o que fazer a partir de então, e por isso, pela vertigem, voltavam voluntariamente para seus “senhores”, pois não tinham expectativa de viverem fora da senzala, próximos à Casagrande. Foram condicionados a serem escravos. Nasceram escravos, morreriam escravos. Tristes esses que assim pensam e vivem.

Portanto, não sejamos escravos de homens e suas avarezas. Presas acuadas nas arapucas doutrinárias, produtos de vãs filosofias e tradições. Não nos submetamos à servidão mecânica e programática com fins de alimentar um Sistema

Denominacional, comprometido consigo próprio em detrimento aos que o fazem funcionar.

O Senhor Jesus nunca foi, não é, e nem jamais será uma “Religião” (pejorativamente falando). Quanto mais uma Denominação e seu arcabouço doutrinário e costumeiro!

“Se pois o filho vos libertar, verdadeiramente sereis livre. Conhecerei a verdade e a verdade vos libertará”. João 8:32 e 36

E:

“E isto por causa dos falsos irmãos que se intrometeram, e secretamente entraram a espiar a nossa liberdade, que temos em Cristo Jesus, para nos porem em servidão; aos quais nem ainda por uma hora cedemos com sujeição, para que a verdade do evangelho permanecesse entre vós.” Gálatas 2:4-5

Sigamos o conselho de Paulo.

A Paz do Senhor Jesus

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CASADOS NA ICM: A DOR DA SOLIDÃO

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“A ciência sem fé é loucura, e a fé sem ciência é fanatismo.”(Martinho Lutero.)

Não é de hoje que muitas mulheres se queixam de seus maridos, “varões valentes da Obra”, por causa da dedicação extremada que eles concedem à ICM, instituição religiosa da qual são obreiros, diáconos e pastores. Com a instalação definitiva de um governo escravocrata e ditatorial, várias famílias, não raras vezes, são conduzidas ao fundo de um buraco escuro, por uma escada de mão-única, construída pelas mesmas mentes insanas que através de sua malévola liderança, semearam o caos interpessoal no seio dessas famílias, e seguem oferecendo, cinicamente, seu “braço amigo”, cujo propósito único é mantê-las enterradas e sem forças (sem esclarecimento bíblico) para explorar a situação em busca de uma saída.

Esse quadro de insatisfação conjugal gerado pelo pesado fardo icemita, maltrata, sobretudo, as esposas de diáconos, pastores ou obreiros bem engajados, e está inegavelmente presente em todo o universo maranático. Ao final das contas, frente à inevitável crise, a ICM atribui a falência de um casamento à infantilidade dos cônjuges, quando, na verdade, a causa preponderante de tal infortúnio é a “mentalidade de Obra”, padronizada, alienante, ensinada enfaticamente em seminários em que os membros são programados para o trabalho exaustivo e incondicional em prol da famigerada “Obra”, abdicando de sua vida pessoal, social e familiar, para atender, unilateralmente, aos interesses do Presbitério.

Lares estão sendo destruídos gradativamente. Brigas e discussões surgem progressivamente entre casais que tenham sido “levantados” para algum serviço do templo, ao qual abraçam ingenuamente, sem enxergar o prejuízo a que estão prestes a se submeter. Assim, sob o treinamento maligno do PES, pessoas são enganadas e têm sua felicidade literalmente sugada. Em suas mentes, a voz de seus feitores ecoa incessantemente dizendo: “Obra”!!!, “Obra”!!!, “Obra”!!!

A mulher, via de regra, é sempre a mais prejudicada, uma vez que o sistema quadragenário, além de escravagista, é altamente machista. Em suas reuniões exclusivas para “varões”, a mulher é execrada, desvalorizada, reputada, até mesmo, por endemoninhada. Lá, ensina-se que a mulher representa grave obstáculo ao bom desempenho dos maridos na santa, imaculada e toda-poderosa “Obra”.

Na ICM as mulheres são tratadas como seres desprezíveis (tanto em sabedoria quanto em entendimento espiritual). Se forem casadas com pastores, diáconos ou obreiros, recebem, imediatamente o rótulo de “seres perigosos” para a “Obra”. Nas tais reuniões exclusivas para homens, onde uma pandilha de “sábios   espirituais” destila seu veneno preconceituoso, não faltam gargalhadas e piadinhas maledicentes acerca do comportamento feminino, que insinuam ser a mulher um ser ignóbil, patético, desprovido de razão, cujos “pitis” devem ser relevados. Os homens icemitas são ensinados a não dar ouvidos às manifestações próprias da personalidade feminina, tendo em mente tratar-se de pessoas desprovidas de capacidade para “viver a Obra”, dominadas por cargas hormonais que as fazem ter emoções e carências exageradamente afloradas.

É maravilhoso termos nossos corações voltados para trabalho de Deus, mas é necessário cumprirmos corretamente uma escala de prioridades, qual seja: 1ª Deus; 2ª Marido/Mulher; 3ª Filhos; 4ª Trabalho; 5ª Igreja ou “Obra”. Alterações na ordem de nossas prioridades podem acarretar numa falta de controle generalizada, com risco grave de não conseguirmos executar com sucesso todas as nossas tarefas. Dizemos isso por experiência própria: ao tentarmos viver a “Obra como forma de vida”, concluímos que, ao contrário, estaríamos vivendo uma “Obra de destruição de relacionamento familiar e profissional”, e, fatalmente, uma “Obra de destruição espiritual”. Isso explica as frequentes ocorrências de lares divididos, incompletos, adultérios, divórcios, desafeto e desamor entre casais e filhos icemitas. Tudo porque estão invertendo as prioridades que por Deus mesmo foram estabelecidas. Quer consertar a sua vida espiritual? Quer consertar o seu casamento? Quer consertar a sua vida familiar? Quer consertar a sua vida profissional? Quer consertar a sua vida na igreja? Enquadre-se na escala de prioridades apresentada!
Na vida do cristão, a igreja (institucionalmente falando) é a última das prioridades. Obviamente não estamos aqui sugerindo que devamos nos negar ao serviço do Reino. A Bíblia nos ensina a termos Deus sempre em primeiro lugar, e nos promete que as demais coisas nos serão acrescentadas. Isso quer dizer que devamos exercitar nossa fé, buscar ao Senhor antes de qualquer outra coisa, e Ele nos capacitará para conduzirmos nossos compromissos diários, inclusive aqueles de cunho eclesial, sem prejuízo de uma ótima convivência no lar e no trabalho.

Priorizar Deus em nossa vida é sempre andar junto dEle, em confiança, fé e oração, suplicando ao Senhor que sempre esteja à frente de nossas vidas, livrando-nos de tudo aquilo que porventura vá de encontro aos valores do evangelho genuíno. Isto nada tem a ver com interesses e determinações denominacionais, que distorcem a sã doutrina, banalizando-a e desmoralizando-a, como fazem muitas instituições.

“Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela,” Efésios 5:25
“Igualmente vós, maridos, coabitai com elas com entendimento, dando honra à mulher, como vaso mais fraco; como sendo vós os seus co-herdeiros da graça da vida; para que não sejam impedidas as vossas orações.” 2Pedro 3:7

Nos versículos mencionados acima, Paulo e Pedro admoestam o cristão casado a cuidar de sua mulher como um vaso frágil que requer toda atenção de cuidado, assim como Jesus – note a importância – ama e cuida de sua igreja. A mulher, por conseguinte, deve amar o marido como a Igreja ama a Jesus. Seja, portanto, o lar cristão, dotado de mútua lealdade, fidelidade recíproca, companheirismo, atenção, paciência, amor, carinho e compreensão.

Marido e mulher são definidos pela Palavra como sendo “uma só carne”. Não é difícil, então, compreendermos a necessidade de estarem em plena sintonia um com o outro, no que tange à prioridade. Os filhos vêm a seguir, e devem ser alvos da mesma atenção e amor. Depois, devemos cuidar de nosso trabalho, pois representa o sustento, sem o qual, uma família não pode sobreviver neste mundo competitivo e capitalista. O provimento é um dos requisitos básicos para a manutenção do lar, e sem ele a felicidade torna-se incompleta por razões óbvias. Por fim, nos dedicamos aos trabalhos eclesiais. Certos de que nossos compromissos com o lar e com o trabalho estão cumpridos, temos tranqüilidade para prestar nossa contribuição para com a congregação, de forma salutar e eficiente.

“Que governe bem a sua própria casa, tendo seus filhos em sujeição, com toda a modéstia (Porque, se alguém não sabe governar a sua própria casa, terá cuidado da igreja de Deus? );” 1 Timóteo 3:4-5
“Mas, se alguém não tem cuidado dos seus, e principalmente dos da sua família, negou a fé, e é pior do que o infiel.” 1Timóteo 5:8

Na ICM, contudo, a programação mental exercida pelos “engenheiros adoradores da Obra”, atropela brutalmente o ser humano, e anula os efeitos do Evangelho, pois ele deixa de ser pregado em seu contexto.

Para os mestres do “sinédrio maranático” a “Obra” é sinônimo do próprio Deus. Para eles, seus templos são a expressão terrena do Reino de Cristo. Assim sendo, concluem que, se Deus deve está em primeiro lugar, logo, a sua “Obra” também deve. Isso é heresia, não tem fundamento bíblico. Não se pode cometer o insano equívoco de equiparar uma denominação religiosa ao próprio Deus ou a Seu Reino. Eis o ponto a que chega a infantilidade do PES: A “Obra” usurpa o primeiro lugar na escala de prioridades do servo, e se posiciona AO LADO DO PAI. É por isso que muitos apaixonadamente adoram ICM, pois ela se anuncia como a representante única de Deus na Terra (vicarius fili Dei). Como conseqüência, mulher, filhos, e trabalho são preteridos, prejudicados, desgastados e derrotados.

Não há como negarmos que a mente avarenta e ávida por cifrões dos dirigentes e idealizadores da “Obra” esteja por trás de tamanha esculhambação. Tomam para si toda a atenção e dedicação devidas a Deus, numa demonstração escandalosa de engodo e politicagem, que visa tão somente dar suporte aos interesses dessa denominação-empresa religiosa, farisáica e adoradora de si mesma.

Observemos atentamente ao que nos diz a Bíblia, em I Coríntios cap. 7:
“Não vos priveis um ao outro, senão por consentimento mútuo por algum tempo, para vos aplicardes ao jejum e à oração; e depois ajuntai-vos outra vez, para que Satanás não vos tente pela vossa incontinência.” 1 Coríntios 7:5

O texto nos informa, de início, que seria bom o homem não tocar em mulher, mas, para evitar o pecado, cada homem deve escolher a sua esposa, para que seja ele dela e ela dele. No versículo em epígrafe, verificamos uma recomendação muito coerente de Paulo: Não se prive o casal um do outro, salvo se forem jejuar ou orar, por consentimento mútuo e MOMENTANEAMENTE, para desviarem-se da tentação de Satanás.

Mulher se priva do marido ou vice-versa, corre o risco de incorrer em adultério, tristeza, separação e inimizade. Contudo, é mister compreendermos que “se privar” não significa simplesmente abster-se de sexo. As mulheres, muito mais do que os homens, precisam de carinho e companheirismo. Elas são mais frágeis emocionalmente, e precisam sentir-se seguras nos braços de seus maridos. O sistema escravocrata e sufocante da ICM as tem privado de um convívio familiar saudável, despedaçando seus corações e promovendo crises.

O versículo nos faz entender que não dar atenção ao cônjuge é algo ANTI-BÍBLICO. É um desacato à Palavra de Deus não dispensar tempo para a família sob o pretexto de estar atendendo a uma revelação, pois Deus jamais revelaria algo contrário às Sagradas Escrituras, Seu ensino.

“Todavia, aos casados mando, não eu mas o Senhor, que a mulher não se aparte do marido.” 1Coríntios 7:10

Analisemos a rotina típica de um casal-padrão da “Obra”: O marido acorda 05h00min para estar na igreja às 06h00min. Por volta das 07h00min, ele passa em casa para tomar café ou se dirige imediatamente ao trabalho. Depois de um dia estressante de labuta, chega em casa por volta das 18h:30min, já atrasado para o Culto-Profético (muitas vezes ele vai direto do trabalho para a igreja), permanecendo no templo até pouco depois das 21h:00min. Chega em casa por volta das 22h:00min (isso se não houver reunião ou visita pós-culto). Finais de semana quase sempre são recheados de reuniões, seminários, ensaios, mutirões, convocações, evangelizações ou visitas, além dos cultos normais.

À esposa, quando ela não trabalha ou estuda (a maioria dos casos), cabe acompanhar o marido de manhã e à noite na igreja, além de esquentar a comida depois das 22h00min, horário que o marido costuma jantar. Para ela, a rotina do fim-de-semana se assemelha ao do esposo, uma vez que a maioria das reuniões de senhoras se dá aos sábados, o que gera um inconveniente enorme quando o marido não é da igreja, e não entende a razão pela qual uma igreja o está privando da própria companheira, que mesmo aos domingos não chega em casa antes das 11h30min. Assim é a rotina das pessoas da “Obra”, afastadas do convívio familiar em troca das rotinas desgastantes da igreja, o que torna seu casamento monótono e pesado, fadado à ruína total.
Apenas como abordagem didática, gostaríamos de fazer um paralelo entre a Maranata e a Católica, pois neste assunto a ICM consegue errar muito mais do que a ICAR. Observemos os seguintes versículos:

“Digo, porém, isto como que por permissão e não por mandamento. Porque quereria que todos os homens fossem como eu mesmo; mas cada um tem de Deus o seu próprio dom, um de uma maneira e outro de outra. Digo, porém, aos solteiros e às viúvas, que lhes é bom se ficarem como eu.” 1 Coríntios 7:6-8

E ainda:
“E bem quisera eu que estivésseis sem cuidado. O solteiro cuida das coisas do Senhor, em como há de agradar ao Senhor; mas o que é casado cuida das coisas do mundo, em como há de agradar à mulher.

Há diferença entre a mulher casada e a virgem. A solteira cuida das coisas do Senhor para ser santa, tanto no corpo como no espírito; porém, a casada cuida das coisas do mundo, em como há de agradar ao marido.” 1 Coríntios 7:32-34

O casamento é um compromisso muito sério, e Paulo entendia isso. Eis porque ele fez questão de destacar a importância do marido agradar sua esposa e vice-versa. Não foi uma crítica aos casados, mas uma constatação muito clara de que a manutenção de um casamento depende de agrado mútuo (vs. 33 e 34).

Um dos grandes males da ICM, é que ela quer tratar o casado como se fosse solteiro, como se ele fosse capaz de cuidar das coisas do Reino como Paulo, que era solteiro. Erra grosseiramente o casado que se propõe a viver como se solteiro fosse, sob qualquer pretexto. Isso não agrada nem a(o) companheiro(a) e nem ao Senhor. Portanto, mesmo cuidando das vontades da denominação, da satisfação do pastor e da própria aparência diante da congregação, estará desagradando ao Senhor, que é perfeito e quer que sejamos plenamente felizes.

Convém, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma mulher, vigilante, sóbrio, honesto, hospitaleiro, apto para ensinar; (…) que governe bem a sua própria casa, tendo seus filhos em sujeição, com toda a modéstia (Porque, se alguém não sabe governar a sua própria casa, terá cuidado da igreja de Deus? );” 1 Timóteo 3:4-5

A carta escrita a Timóteo reitera que quem não cuida da esposa e dos filhos, quem não se preocupa em manter o bem-estar da família e a união de um casamento, não cumpre o propósito bíblico. Este desagrada ao Senhor enquanto nutre os interesses empresarias de seus líderes religiosos, dando lugar ao diabo.

Mas, o que tem a ICAR com tudo isto? Não, não somos defensores do celibato, tampouco das aberrações da Igreja Romana, pois em nenhum momento a Bíblia apóia tal prática. Paulo emitiu uma opinião pessoal. Não há também, mandamento que obrigue o pastor a ser casado (o texto em 1 Timóteo 3 vs. 2 não fala isto, basta analisarmos com parcimônia as palavras de Paulo). Na realidade, as duas instituições incorrem no mesmo erro, porém se prendem a extremos opostos. Mas por qual motivo o erro da ICM é maior do que o da ICAR? Meditemos:

Na ICAR, apesar da obrigatoriedade do celibato, não há imposições para que seu adepto se torne um padre e passe a viver uma vida casta. Já na ICM, há uma grande expectativa em torno do jovem para que ele se interesse pelos cargos da igreja, além de um incentivo veemente aos para que encontrem logo uma companheira que tenha o perfil da “Obra”. Alguns pastores cometem o absurdo de promover a aproximação entre jovens moços e moças, indicando-os uns aos outros, até mesmo com ligeiras determinações autoritárias.

Enquanto na primeira existe uma disposição voluntária do membro para o cargo de padre (vocação), na segunda o jovem é induzido desde cedo a almejar o cargo de pastor (treinamento). Há, também, uma espécie de “treinamento informal” para as mulheres candidatas a se casar com obreiros, que consiste em ensiná-las a reverenciar o companheiro por ser um “pilar” da “Obra”. A Palavra de ordem é: Tudo pela “Obra”, quase nada pela vida pessoal! Temos notícia de casos em que pastores se gloriavam porque suas esposas os chamavam de “senhor”.

Na igreja católica, o jovem sabe que, apesar de ter que carregar para sempre o voto de castidade, ele vai ter todo o seu sustento vindo do Vaticano. Não precisará se preocupar com quase nada na vida, terá uma vida legítima de solteiro, com tempo para fazer o que quiser, inclusive passar o resto da vida dentro de uma igreja se assim desejar, sem ter que se ocupar com esposa, filhos e a construção de heranças materiais para outrem, mas apenas com a vida de suas ovelhas. O Vaticano não exige nem que o mesmo trabalhe, adotando o padre como se fosse seu próprio filho, tornando-se o novo provedor de seus recursos. Até os estudos passam a ser custeados pela igreja.

Já na Maranata, o pastor também se submete a uma exigência, só que oposta ao celibato: ser casado. E, diferente da Católica, o pastor da ICM não será sustentado pela igreja. O PES pouco ou nada fará por ele em toda a sua jornada. O pastor será obrigado a trabalhar, e, nos momentos que não estiver trabalhando, sua atenção será preferencialmente voltada para a instituição. Ele terá que lidar com sobejas atividades, obrigando-o a viver como se fosse solteiro, mesmo tendo obrigações de casado. Ora, se for para arrastar o pesado fardo do pastorado maranático, melhor é permanecer solteiro, celibatário como os padres. Pelo menos é mais humano e racional. Triste ironia!

O PES, como sempre, quer dar passos maiores do que as próprias pernas. No universo da ICM, há duas ou três igrejas por bairro ou pólos (mais, em alguns casos), e não há pastores para todas elas. A conseqüência disso é o “stress” a que se expõem os poucos pastores, que acabam assumindo várias igrejas, algumas até em outras cidades, o que lhes obriga a viajar freqüentemente. O título de pastor, na ICM, acaba sendo comparado ao de governador, uma vez que não há pastoreio, senão uma verificação periódica da situação da unidade local, entregue, efetivamente, aos cuidados dos obreiros e diáconos. Pastorear não é isso, ser auditor de congregações, ou corregedor de rebanhos.

Pastorear é cuidar, de forma personalizada, de cada membro. É inteirar-se da vida ESPIRITUAL de cada um deles, e oferecer sua (suposta) maior experiência como auxílio à caminhada do servo. Isso nada tem a ver com os padrões vistos na ICM, em que pastores levam até mais de duas semanas para “visitar” uma determinada igreja, chegam atrasados, discutem assuntos dos quais não estão inteirados, e saem correndo ao final do culto. Imagino que o grau de tensão dessas pessoas chegue a beirar o limite tolerável. Aí chega o arrogante PES, diz que ele está fazendo pouco, diz que sua família é algo secundário, que sua esposa fala demais, cobra demais, e ainda o orienta a explicar isso pra ela! Não há casamento que resista a tamanha mesquinhez.

O resultado disso é: 1) Igrejas sem pastor; 2) Esposas sem marido (embora casadas); 3) Pais distantes dos filhos; 4) Fardo pesado e inútil sobre os ombros de pessoas que até têm potencial para realizar trabalhos mais eficientes, sem desprezar a base da sociedade, que não é a “Obra-ICM”, como muitos enganados possam pensar.

Neste sentido, a ICM é MACHISTA e escraviza duas vezes a mulher: Uma no próprio lar, e outra na “unidade local”, onde ela realiza os mais difíceis trabalhos (limpeza, cuidado com as crianças, flores, etc.), enquanto os maridos são instruídos a pensar que para nada mais servem as mulheres, senão para lhes satisfazerem carnalmente e dar-lhes o “status” de casados, sem o qual não podem tornar-se pastores ou diáconos.

Em função disso, a maioria das mulheres de pastores é corroída pela ANSIEDADE e DEPRESSÃO. Estão vazias espiritualmente, secas e frias, pois não têm mais ânimo de viver na ICM, sendo, ao mesmo tempo obrigadas, por seus maridos, a viver numa mentira, numa hipocrisia, sob uma maquiagem, um disfarce que esconde a verdade de sua realidade, tendo que sorrir para tudo e todos, mesmo cheias de ansiedade e sufocante tristeza. A maior prova do que afirmamos, é que elas são as mais ausentes nas igrejas, e as mais escassas no cumprimento das orientações, ordenanças e atividades da “Obra”.

A falta de lazer, a carência de tempo livre para estar com o marido e os filhos, o impedimento de ter momentos de “folga” em casa para descanso e tranqüilidade ou para um bate-papo familiar, leva as mulheres a um sentimento de abandono. Sua vida transforma-se em um corre-corre assim como a do próprio marido. Tornam-se reféns do sistema.
Mesmo assim, a ICM promove seminários voltados à família, em que, com inexplicável cinismo, apregoam em alto e bom som que as mulheres são “o pior bicho do mundo”, pois atrapalham a caminhada de seus maridos na “Obra”. Entendemos ser isso uma afronta a Deus, que criou a mulher para ser ajudadora do homem, pessoas a quem devemos todo o nosso respeito, por termos nascido delas, e termos recebido de suas mãos o cuidado que somente as mães podem nos proporcionar

Mulheres jamais podem questionar a falta de atenção, a falta de amor, a falta de viagens e brincadeiras, a falta de tempo para o casal, sob pena de serem acusadas de dar lugar ao diabo, ou estarem “oprimidas” e “desacertadas”, precisando de uma “libertação”, por estarem atrapalhando o ministério do marido. Desesperadas, entregam-se à ansiedade e à depressão.

“Irmãos, os pastores estão passando uma luta com suas esposas. Essas mulheres são uma luta!” Onde houver uma ICM, sempre ouviremos esta queixa. Ora, lutas são esses pastores que abandonam seus lares e famílias para enredar-se diariamente nos liames das atividades da “Obra-ICM”, seja no âmbito local, ou em seminários, maanains, encontros, ensaios, inúmeras reuniões, viagens e mais reuniões… e as pobres mulheres ficam sozinhas em casa, ociosas, ansiosas e abandonadas! Para quem já vive o dilema do abandono, uma olhadela de um garotão no trabalho, na faculdade, pode desencadear sentimentos espúrios, mas até certo ponto, compreensíveis, infelizmente. As desgraças do adultério e da separação são conseqüências naturais dessa mentira apregoada pelo sistema escravocrata e ditador da ICM. Certamente, mulheres da “Obra” que abandonam sua vida profissional ou tem desempenhos pífios nos estudos, se arrastando nas faculdades, não é por outra coisa, senão pela crise de ANSIEDADE que as corrói. A falta de liberdade, a angústia, o sufoco, a falta de lazer com o marido, a falta de atenção, DESANIMA a mulher em suas tarefas seculares. Ela se torna consumida, suas forças se acabam, e ela não tem ânimo de estudar, de trabalhar, está totalmente refém dos interesses dos velhacos e mesquinhos do PES, e de seu próprio marido, que agora é uma cópia de seus mestres.

Assim funciona a mente humana. Psicologia! Uma pessoa infeliz, abandonada, com crises de ansiedade e depressão não tem ânimo de fazer nada, não dorme direito. Vive a pensar no divórcio, na separação, e em como seria uma eventual vida pós-divórcio. No fundo, ela ama o marido, mas não quer mais ser infeliz, não quer mais sofrer tanto por causa da ICM. Muitas vezes, torna-se inibida, porque não quer ser perseguida, discriminada, difamada pelos membros da ICM, os quais darão, cegamente, total apoio ao pastor, dizendo ter sido ele injustiçado, não compreendendo o estado de opressão em que se encontra a mulher.

Em adição a tudo o que já dissemos, há também o famoso terrorismo emocional (uma verdadeira “marca registrada” da ICM), inevitável nesses casos: “Mulher que acaba com o ministério do marido, Deus pesará a mão sobre ela. Viverá para sempre na desgraça.”. É como se a mulher tivesse culpa de ter seu marido preso aos grilhões da “Obra”. Quem observa imparcialmente a situação, a entende perfeitamente. E a dissimulação do PES não fica por aqui. Seu trabalho de formatação mental segue destruíndo mentes. Pastores são treinados com requintes de “talibanismo”, ouvindo continuamente de seus instrutores coisas do tipo “Se eu sair “desta Obra”, minha família pode bater a porta na minha cara. Não troco “esta Obra” nem pela minha família.”

O que inicialmente possa parecer uma declaração qualquer, traz consigo a intenção maligna do PES, que é a de colocar a mulher em desvantagem frente a seu marido. Se ela porventura resolver deixar a “Obra”, seu marido é aconselhado a abandoná-la, numa irresponsável demonstração de que ela (e os filhos, por que não dizer) vale muito menos que a ICM. O marido, dominado e infantilizado pela “mentalidade de Obra”, considerará que se até o sumo-sacerdote ama muito mais a ICM do que sua própria família, não será ele, mero pastor, que vai decepcionar a “Caifás”, “Anás” e demais prosélitos maranáticos.

“Porque os tais não servem a nosso Senhor Jesus Cristo, mas ao seu ventre; e com suaves palavras e lisonjas enganam os corações dos simples.” Romanos 16:18

Porque muitos há, dos quais muitas vezes vos disse, e agora também digo, chorando, que são inimigos da cruz de Cristo, cujo fim é a perdição; cujo Deus é o ventre, e cuja glória é para confusão deles, que só pensam nas coisas terrenas. Filipenses 3:18-19

Tudo é bem calculado e engendrado. Muitos pastores estão cegos e envaidecidos com o “status” pseudo-sacerdotal, mas não abandonam a “Obra-ICM” para não perderem justamente esse poder que tanto afaga seu ego. Ora, se o Senhor lhes concedeu o dom do apascentamento, ele pode muito bem ser exercido em qualquer outra denominação, pois o Corpo de Cristo não é a ICM, mas um grupo de cristãos verdadeiros, dividido entre as várias denominações que conhecemos.
Mulheres e irmãos pastores, portanto, amados, vocês que acabaram de ler este artigo, acordem dessa opressão! Saibam que ela se origina do farisaísmo maranático, que nada tem a ver com o Evangelho de Cristo. O casamento é uma bênção de Deus. Não permitam que ideais religiosos o destruam. Coragem! E vençam os lobos-sacerdotes icemitas! Tomem posse da mente de Cristo!

“Ó preguiçoso, até quando ficarás deitado? Quando te levantarás do teu sono?” Provébios 6:9
A paz de Cristo

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A ICM E SEU CONCEITO DE “OBRA”

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OBRA MARANATA – SEITA E HERESIAS

A ICM E SEU CONCEITO DE “OBRA”
As justificativas tentam negar, mas atitudes são as provas do exclusivismo e idolatria
“Aquele que começa a amar o cristianismo (a religião) mais do que a Verdade acabará por amar a sua seita ou a sua igreja mais do que o cristianismo, e depois por amar a si mesmo mais do que qualquer outra coisa.”

                                        Samuel Coleridge

                                                                    PARTE 1
A regra é que os membros da ICM acreditam que formam o grupo religioso que vive a mais exata e fiel expressão de Igreja de Deus; os mais extasiados acreditam, ainda que inconscientemente, que a ICM é a personificação ou representatividade do próprio Reino de Deus aqui no mundo. Creem ser um grupo de pessoas mais espirituais, fiéis e obedientes àquilo que Deus deseja em detrimento dos demais cristãos do mundo.

Por isso, como estivessem à parte, alimentam pretensiosamente a sensação de que foram selecionados à dedo pelo Altíssimo, para compor um scratch ou uma “tropa de elite” espiritual que aguarda o arrebatamento, enquanto se jacta de si mesmo observando, de cima, em seu pedestal, “a religião”, “a mescla”, “os movimentos”, “a tradição”, enfim, todas as demais denominações e cristãos ordinários e inferiores iludidos pelo mundo. Esse é o entendimento que permeia, em regra, o coração condicionado à “mentalidade de Obra”, que caracteriza um membro de fato da ICM.
A propaganda e o culto de si mesmo são tão intensos que, além de reforçarem a idéia que a ICM é uma revelação de Deus para os últimos dias, sentem-se bem à vontade, cheio de autoridade, para generalizar erros de outras Denominações, a fim de, indiretamente, engrandecerem aquilo que eles vivem e fazem parte, que eles denominam de “a Obra”. Fora de seus arraiais é “deserto”, é “religião”, é “mescla”, é “água turva”, é “pneu furado”, é “barco à deriva”, é “meia-sola”, é “meia-verdade”, “são mobrais, mas a Obra é nível superior” – acreditam por doutrinação assim, seus membros.
O ensino partidarista e o narcisismo religioso não são apenas ministrados nas nas exaustivas, repetitivas e  tediosas aulas de seminários, mas, além no convívio corriqueiro e diário no sistema, também reforçados por “dons”, tanto pela cúpula, como também pelos elementos mais devotos, membros da “Obra”.

Podemos também observar que há um comportamento “padrão” entre os membros da ICM, cuja dinâmica convencionou-se na famigerada “assistência”, que nada mais é do que um acompanhamento diário para a “formatação” de um novo convertido aos moldes da “Obra como forma de vida”. Um acompanhamento insistente e pegajoso para que a pessoa de fato se sinta muitas vezes pressionada e constrangida a aceitar os convites e sugestões religiosas, as quais provocam nos desinformados visitantes um sentimento de culpa e inferioridade espiritual, caso não aceite os convites e sugestões dos insistentes membros da ICM.

   PARTE 2

Funciona assim: a princípio ficam ao seu lado durante os cultos, por vezes, até sendo inconvenientes e invasores de privacidade, depois de realizarem um discurso altamente propagandista das práticas religiosas da ICM (proselitismo), o estimulam e o levam para os “Maanains” (sítios da ICM onde os neófitos e os adeptos ficam isolados do contato social, durante um fim de semana ou mais, recebendo doutrinamento sobre as “descobertas” exclusivas e únicas da “Obra”), lá a “Obra” é vendida como algo maravilhoso, completo, perfeito, algo que você nunca encontrará senão ali nos arraiais da ICM.

Assim, numa salada doutrinária totalmente confusa, com ar de sofisticação doutrinária e autoridade espiritual, eles conseguem convencer de que a tal “Obra” é a personificação da própria pessoa ou da mais exata expressão da própria obra do Espírito Santo resumida em uma série de compromissos e burocracias: reuniões, ensaios, costumes, visitas, tarefas, horários, serviços, mutirões etc. Isolam trechos da Bíblia, pincelam acontecimentos isolados no mundo e constroem doutrinas baseadas em fragmentos de textos, com versículos isolados e descontextualizados, e seduzem pessoas despreparadas a se arregimentarem ao sistema.

Mas como e por que disso tudo? Para entendermos do motivo que levou os líderes e membros da ICM a agirem dessa forma, é necessário voltarmos no tempo e explicar o buraco em que a liderança cavou na década de 60 despertando um ídolo o qual eles nunca imaginaram que iriam despertar. A verdade é que esse ídolo se desenvolveu paulatinamente até ganhar proporções megalomaníacas, tanto na forma material, quanto na forma espiritual no coração dos líderes e membros.

          1) A IDOLATRIA

Os fundadores da ICM desgostosos com o cenário evangélico de seu tempo romperam com a Igreja Presbiteriana de Vila Velha-ES na tentativa de buscar uma aproximação maior do Senhor Deus e uma vivência mais plena de Seu Evangelho. Em tese, louvável. Mas acabaram por incorrer no equívoco de isolar-se em sua própria autosuficiência e razão religiosa (a que chamam pretensiosamente de “revelação”), rendendo-se ao falso messiânico entendimento de que foram escolhidos por Deus para estarem realizando um “projeto” profeticamente descrito desde o Antigo Testamento, e que consiste em restaurar o Corpo de Cristo, e formar a tal da “Igreja Fiel” (outra alcunha da ICM). Acreditam piamente que todo o cristianismo tenha se corrompido e perdido a “revelação”, da qual, no presente tempo, somente eles são detentores. Nascia, então, a Igreja Cristã Maranata.

Logo, devido a esse desejo narcisista, soberbo e carnal, canalizaram todas as suas ações, imprudentemente, para a criação de um ídolo. Nessa “aventura” obstinada de arquitetar a uma Instituição Religiosa com um sistema religioso perfeito, uma “igreja fiel”, através da qual recorreriam para uma vida espiritual perfeita, desviaram o foco e o fundamento da Salvação em Cristo Jesus para a uma “Igreja”, reputada em seus corações como a “salvadora da pátria”, a “bendita sois vós entre as Instituições”, que seria a única que levaria o crente ao Jesus Vivo e Verdadeiro. Em outras palavras, “mudaram a verdade de Deus em mentira, e honraram e serviram mais a criatura do que o Criador, que é bendito eternamente” (Rm 1:25).

Os fundadores começaram a inclinar para um perfeccionismo doentio, um zelo religioso paranóico, um formalismo extremo para com o sistema institucional, preocupando-se, de forma intolerante e legalista, com mínimos detalhes de aparência e pormenores fúteis, acreditando que esse afeto e mimo para com o sistema, ostentariam compromisso e seriedade espiritual (fidelidade a Deus), de modo que, involuntariamente, passaram a servir, logo, adorar o sistema religioso. Perderam o foco do Evangelho e a da Igreja – que é o próximo – e passaram a servir não a Deus, mas às necessidades da nova Instituição. Esse zelo extremo ao sistema culminou em sua adoração, que, por sua vez, resultou na criação de um ídolo abstrato, uma entidade que personificou a organização e o sistema da ICM, um egrégoro a que chamaram de “A OBRA” (alcunha da própria denominação ICM enquanto sistema religioso).

Esse ídolo, “A Obra”, na realidade, é um conjunto de procedimentos que inclui, desde um figurino próprio, a um jargão particular, usado para a disseminação de uma certa “palavra-revelada-alem-da-letra”. O ídolo “OBRA” ganhou vida própria com o cultivo cego de sua ideologia e filosofia no coração de seus devotos. Tornou-se sistematicamente vivo na mente de seus embriagados (de paixão) membros, que o proclamam, orgulhosamente, de “Forma de Vida”. Para esses, o ídolo “Obra” passou a ser, além de exclusiva propriedade da ICM, indissociavelmente, passou também a ser reputado como a personificação e expressão da própria pessoa do Espírito Santo em forma de sistema religioso. Desenvolvia, então, a Igreja Cristã Maranata.

O ídolo “OBRA” (o sistema da ICM) passou a ser tão adorado e venerado que se tornou maior que seus próprios criadores. Cresceu tanto que extrapolou também as fronteiras de seu nome. Esse ídolo passou a exercer um poder de indução tão avassalador sobre as pessoas que ainda que o seu grande mentor, o Presbitério Espírito-santense (PES), negue tudo o que pregou na tentativa de subverter os seus adeptos ao arrependimento, ele continuará a existir nos corações e nas mentes de muitos de seus seguidores, que prosseguirão adorando e defendendo-o até mesmo com a própria vida.

Um exemplo material do que falamos é que muitos dissidentes da ICM, que não saem por sede, amor ou zelo pelo Evangelho, mas sim por causa de desavenças, libertinagens, escândalos, enfim, esses que não saem por conversão ou abertura dos olhos, ou seja, convencidos das contradições bíblicas e da distância do Evangelho que a ICM se encontra, fatalmente ainda cultivarão esse ídolo em forma de sistema religioso em suas almas, de modo a desembocarem suas ações, cedo ou tarde, numa vida eminentemente regrada pelos mesmos dogmas e costumes da “Obra” ou, quando mais, na fundação de uma nova instituição que professa a mesma índole, filosofia e política da ICM, divergindo somente a placa denominacional. Sair da ICM não é o suficiente para o crente desvincular da adoração desse ídolo “Obra”, mas sim abandonar todas as tradições, caprichos, dogmas, enfim, todos os entulhos e tralhas que o sistema lhe submeteu e que estão sobre a Palavra de Deus, para assim, passar a vivê-la de forma pura e genuína.

Com essa paixão ao egrégoro “Obra” implantada no coração de seus adoradores, pessoas que até antes de ingressarem na ICM demonstravam possuir um caráter sociável, agradável e fraternal (seja ímpio ou não) junto à sociedade como todo (famílias, amigos, empregos etc.), agora, paradoxalmente, tiveram o caráter transformado de forma totalmente oposta. Ficaram até pior nas relações sociais; pior do que um próprio ímpio. À proporção que se engajavam no sistema e participavam mais ainda dos doutrinamentos, as pessoas desenvolviam um caráter arrogante, orgulhoso, pernóstico, pedante, altivo, mesquinho, debochado, insensível, ciumento e nervoso, tudo em função do ídolo “Obra” (Mat 23:15). O culto à instituição, ou ao sistema, ou ao ídolo “Obra”, ou à “Igreja Fiel”, como queira, era diariamente realizado, seja nos seminários, seja nas reuniões fechadas, seja nas conversas informais, seja nas relações entre os membros, de sorte a impregnar e engessar essa paixão mais ainda no coração e na mente dos adeptos. A “Obra” sempre era ovacionada. A “Obra” era a ânfase de toda e qualquer discurso da liderança dos membros – “Não existe uma Obra como essa!” – “Fazemos parte de uma Grande Obra” – “Aí fora, na religião, não há milagres e testemunhos como na Obra!” etc.

Os membros passaram a viver gravitando em função dos caprichos e melindres desse egrégoro “Obra”. A vida das pessoas era anulada para satisfazer os mimos e carências dessa entidade “Obra”, que as obrigavam e estimulavam a uma severidade de horários, compromissos, costumes, atividades – diariamente. O sistema religioso “Obra” não media esforços para a satisfação de seu regime, por isso, reclamava, “revelava”, emitia “dons”, dava “orientação”, através do coração inebriado de seus apaixonados líderes e subalternos pastores das “unidades locais” (que diziam ser o próprio Deus falando), arregimentando as “formiguinhas” a trabalharem, a cirandarem e a tocarem tambor em função da “Obra”, almejando viverem a “Obra como forma de vida”, a se tornarem verdadeiros “Valentes da Obra”, adquirindo a “mentalidade de Obra”, seguindo piamente as “orientações” com “entendimento de Obra”, para, no fim, o coração ficar “cheio de Obra”.

Embora a dedicação dos “valentes da Obra” para a satisfação do sistema seja de uma doação nervosa e ofegante, de sorte a refletir negativamente no trâmite das necessidades da vida secular, o ídolo “Obra”, verdadeiramente, pouco está preocupado com a vida espiritual ou secular de seus “valentes”. O sistema “Obra” funciona tal como uma empresa comercial que só está interessado com aquilo que o “valente” pode lhe ser útil. Se o “valente” não tem o que oferecer para a “imagem da Obra”, para a manutenção do arquétipo nervoso do sistema, a pessoa do “valente” é esnobada, como um copo descartável de plástico depois de usado. Por isso, inevitavelmente, desperta um sentimento carnal de competição entre os membros, a saber, de quem será ali, naquela panelinha religiosa, o mais prestigiado e estimado “varão valente” do sistema “Obra”. Uma religiosidade de méritos religiosos!

Os membros ativos, ou seja, os “valentes” são forçados a viver nessa condição de ganância, pois são constantemente avaliados por seus superiores e colegas, que não têm misericórdia de ninguém para zelar pela “imagem da Obra”, e assim se torna um ciclo em que, como no mercado de trabalho competitivo e feroz, o membro não é avaliado pelo que é (uma vida para qual Cristo se crucificou), mas pelo que pode oferecer a eles, amantes do sistema “Obra”. O ídolo “Obra”, verdadeiramente, tem as pessoas como “coisas”, como “bens” de propriedade de seu sistema, que podem ser usadas do modo como ele bem aprouver. E na hora que estas “coisas”, “instrumentos”, “engrenagens” já estão bem “gastas” ou que não lhes é útil para suas conveniências e interesses do sistema, o ídolo “Obra” as subutilizam ou jogam fora sem o menor pudor ou remorso. Há pessoas que dão a vida lá, anulam sua vida secular e sentimental muito em função do que a “Obra” incute na mente das pessoas, de quanto mais se trabalha, mais fácil é de alcançar méritos e justificação por parte de Deus; e depois, quando conveniente, são tratados como cachorros de rua, com toda indiferença e exclusão.

Então, com essa enormidade de tarefas e valores mesquinhos e religiosos, por conseguinte, implicou aos adeptos numa vida infeliz – tensão, nervosismo, frustração, sentimento de culpa, estresse, marasmo, esgotamento físico e mental – somando-se à paixão desenfreada à instituição ICM. Os membros tiveram seu caráter talhado para algo totalmente distinto do espírito que compõe a nova criatura, não apenas remida, mas transformada pelo Espírito do Senhor (a saber: Mat 5:44-48; 1Co 13:4-8; Efe 4:2; Flp 2:3-9; Gal 5:22; Rm 12:9-21; 1Pe 1:22). Em vez dos membros da ICM exalarem o bom perfume de Cristo, ter palavras temperadas com sal e ter uma presença agradável, doce e terna junto ao próximo, passaram a exercer, a rigor, tais atributos só entre si mesmos (e olhe lá), muitas das vezes num fingimento politiqueiro visando, lá na frente, sua elevação ou permanência no status religioso dentro desse universo “obral”. Em outras palavras, pelos valores que o sistema da ICM cultiva, os membros gravitavam todos em razão não das necessidades do próximo, como Jesus nos ensina (Gal 6:2), mas daquilo que essa atmosfera e contexto religioso lhes açulavam a fazer para a satisfação do ídolo “Obra” – a Instituição ICM enquanto sistema religioso.

Os mais radicais e ferrenhos adoradores desse ídolo “Obra”, movidos por essa paixão, causaram desgraças nos lares, na família, no trabalho, e,principalmente, entre si mesmos – cobra engolindo cobra, embalados nessa competição religiosa, com intolerâncias e requintes de crueldade, alimentados cada vez mais, na medida em que eles se doavam para a satisfação dos mimos e caprichos do sistema religioso. Como toda essa idolatria, o ídolo “Obra” investiu diretamente contra aquilo em que o Evangelho e o Espírito de Deus visam, na prática, ao ser humano: a construção de relacionamentos fraternais, de amor puro e não fingido, sem torpes ganâncias, entre as pessoas com um objeto de construir, em amor, a família de Deus.

A paixão ao sistema gerou uma índole distorcida nos membros radicais para com os seus próprios familiares que não aprovavam a instituição ICM. Passou a ser comum o surgimento de casamentos deteriorados e desfeitos por causa do fanatismo à “Obra”. Namoros sólidos foram destruídos. Noivados foram desfeitos. Amizades de anos foram rompidas. Relações paternas tornaram-se geladas e secas. Sogros cultivando inimizades com o genro ou nora. Mulher abandonando o marido e seu lar para satisfazer as cobranças dos caprichos do sistema. Avós afastando-se dos netos. Filhos rejeitando e abandonando os pais fraternal e socialmente. Essa situação negativa era até mesmo contra familiares servos de Deus de outros grupos evangélicos, que eram reprovados, inferiorizados e discriminados pela arrogância, orgulho e soberba religiosa dos membros da ICM.

Se algum familiar da “religião” comentasse das bênçãos de Deus recebidas em sua congregação, os da “Obra” duvidavam, esnobavam e menosprezavam. Se algum conhecido elogiava e reconhecia virtudes de alguma igreja que não fosse a “Obra”, os membros da ICM ficavam desconfortáveis e enciumados. Se deparassem com alguém que “saiu da Obra”, cheio de alegria, felicidade espontânea e vida resolvida, o “dia acabava para eles”, pois ficavam se remoendo e refletindo sobre a razão pela qual aquele “caído” não se encontrava infeliz por ter “saído da “Obra”; num sentimento que misturava frustração, decepção, inveja e ciúme. A idolatria “Obra” corrompia tanto o caráter das pessoas de tal maneira que se algum amigo ou familiar emembrado em outra Instituição falassem muito bem sobre o Senhor e a Palavra de Deus, em vez de se regozijarem, ficavam, de fato, constrangidos e enciumados, perceptível em seus olhares e feições – porque, em seu interior corrompido pela religiosidade, não podiam admitir que esse “religioso” (crente de outra Denominação) fosse reconhecido como homem edificado espiritualmente, e não podia ter a pretensão e desenvoltura de falar de Deus, se ele não era da “Obra” (pois só os membros da ICM conheciam plenamente a “Palavra Revelada”).

Porque acompanhado do amor doentio está o ciúme. Isso não é caso isolado, mas um sentimento que desce de cima para baixo, da própria liderança central aos adeptos, em que os membros viam neles exemplos da idolatria e do ódio religioso e, acostumando-se com esses sentimentos, passaram (por que, não?) a imitarem os líderes nos valores, palavras e ações. Ataques de ciumeira contra aqueles que saem e abandonam à devoção ao ídolo “Obra” era praxe entre eles. Líderes passaram a utilizar até os púlpitos para difamar a vida alheia, numa verdadeira demonstração de “dor de cotovelo”, inclusive a “perseguir” a vida dos dissidentes, fuxicando e bisbilhotando, a fim de saber notícias dos mesmos para desmerecerem posteriormente, utilizando-s como exemplos negativos. Se não bastasse, demonstravam profundo desconforto, ciúmes mesmo, quando obtiam notícias de ex-membros que se encontravam com uma vida feliz, bem resolvida e estruturada, engajados em outros grupos cristãos de forma muito positiva, espiritualmente falando.

Toda essa divisão e desconstrução de relacionamentos extra “Obra” causada pelo partidarismo religioso (porque consigo mesmos, a panelinha se firmava cada vez mais, pelo menos politicamente – numa grande representação teatral para manter a conveniência do sistema) é porque o ídolo “Obra” implantou esse sentimento de eleição em seus devotos, e corrompeu o caráter deles, com orgulho e ódio religioso. Não a eleição divina, mas uma eleição narcísica, na formação uma raça “ariana espiritual”, para o estabelecimento de uma “Prússia espiritual”, declarando, praticamente, guerra, indiferença e ojeriza a todos os demais “mestiços” e “judeus” (crentes em Cristo Jesus). Bem como, uma eleição em que todos aqueles que não fossem partidários e militantes do ídolo “Obra,” não seriam dignos da salvação em Cristo e da plenitude do Espírito de Deus, senão se filiassem à instituição ICM e passassem a vivê-la “como forma de vida”.

De fato, os membros da ICM foram adestrados a olhar para o espelho e a arrazoar consigo mesmos: “Espelho, espelho nosso, existe alguma outra Denominação melhor do que a Obra?” E assim, viviam nesse “mundo de Alice”, isolados em sua alta jactância, gabando-se entre si, batendo no peito e jogando confetes um no outro, por se sentirem os melhores e mais espirituais de todos os homens.

E essa religiosidade adoecida continua sendo suscitada pelo ídolo “Obra”, arregimentando cada vez mais adoradores e mão-de-obra barata para satisfação de suas melindres. E muitos, na sua inocência, continuam comprando esse pacote religioso que os líderes da ICM lhes vendem, o qual lhes vai, num futuro próximo, lapidar sua personalidade para uma criatura totalmente distinta daquela almejada pelas Palavras de Jesus, mas perfeitamente harmoniosa com os valores mesquinhos da religiosidade farisaica da ICM. Tal criatura passa a ser uma projeção ou “holograma” dos próprios valores da liderança, dos grandes arquitetos do ídolo “Obra”.

Sendo assim, podemos concluir que tais pessoas que se deixam ser subjugadas à corrupção do caráter e personalidade, como o que ocorre na ICM, têm a ação caracterizada, sobretudo pelos reflexos e instintos. A ação instintiva é regida por leis sociais idênticas neste tipo de pessoa, e quase, invariável de individuo para individuo. A rigidez do Sistema lhes dá a ilusão de perfeição, por isso todos agem, falam e pensam da mesma forma – padrão! Convenhamos dizer que o sistema operacional deles é aos olhos de muitos críticos tido como “formidável”. Todavia essa forma de pensamento e de agir não se renovam e são os mesmos em todos os tempos, num ciclo programático e vicioso (madrugada, cultos ao meio-dia, seminários, mutirões, ensaios, etc.), voltado tão-só para a satisfação do sistema religioso ICM-Obra.

Esse ídolo abstrato em forma de sistema religioso é o mesmo que corrompeu o coração do grupo dos fariseus nos idos de Jesus. O sistema elegeu e rotulou seus adeptos como “fariseu” (cujo significado é “separado”), forjou suas particularidades doutrinárias e passou a desdenhar da espiritualidade de todos os demais judeus que não compunha a sua patota religiosa. O sistema religioso ganhou vida própria cultivada nos corações daqueles homens que faziam de tudo para preservar a sua autoridade e imagem, as quais estavam sendo desconstruídas pela sinceridade, autenticidade e pureza do Evangelho de Jesus. Movidos por essa paixão pelo sistema, do qual retiravam poder e prestígio religioso, os fariseus não poderiam admitir que o “movimento” causado por “aquele simplório nazareno” ganhasse mais fieis, pois, cedo ou tarde, culminaria no descrédito total da seita dos Fariseus. Logo, arquitetaram o plano para crucificarem o Senhor. Esse é o exemplo concreto da idolatria a sistemas religiosos.

A “Obra” é só mais um, dentre tantos que conhecemos hoje, de sistemas religiosos de instituições sectárias que priorizam a necessidade de seu ventre em desfavor do ser humano. A Parábola do Bom Samaritano destruiu os caprichos que envolvem esses sistemas ao apregoar que os valores tradicionais e religiosos, cultivados por anos num sistema como aquele, não são os mesmos apreciados pelo Senhor Deus. Impendente de quanto você ostenta e lustra as suas práticas religiosas, elas não têm valor nenhum para Deus, senão só o amor, demonstrado por aquele samaritano. Um samaritano, um homem de uma estirpe religiosa idólatra, pagã e errática, totalmente desprovido das tradições judaicas; entretanto, embora isso, havia um resquício de Deus em seu coração – o amor.

Então, em sua dissimulação e sutileza, o ídolo “Obra” tenta tirar o fundamento da salvação e a mediação por Cristo Jesus, trazendo-o para si próprio. Tenta imitar a Cristo e usurpar-Lhe sua glória, colocando-o, agora, como secundário ou um mero acessório para a Salvação – pois o fundamento agora é “a Obra”. A ICM apregoa, sim, a salvação em Cristo Jesus, prega supostamente a Palavra de Deus, mas há por detrás disso algo sutil e imperceptível para os devotos desse ídolo. Os membros da ICM só agem com tamanha belicosidade para com aqueles que não “são da Obra” porque acreditam piamente na particularização e restrição da Salvação só (ou quase certa) entre eles da “Obra” – devido às invencionices doutrinárias da ICM que lhes posicionam como exclusivos. Ou quando não acreditam na Salvação exclusiva aos membros da ICM, acreditam que estão bem a frente dos demais. Ou seja, podem até acreditar que há Salvação fora da ICM, mas certamente cultivam em seus corações altivos e arrogantes que a “Obra” facilita, dá uma mãozinha a mais, à Salvação aos que são membros da ICM. Quer queira quer não, o seu sistema religioso da ICM é posto, portanto, como mediador entre os membros da ICM e o Filho e Pai.

Para isso, o ídolo “Obra”, na pessoa de seus devotos, utiliza de um discurso diferente ao do Senhor. O Mestre Jesus fala pela Sua Palavra de forma simples, direta, sincera, pura e genuína, mas que penetra até a alma, eliminando tudo de ruim que está no coração do homem. Para alguns, isso é até doloroso, todavia eficaz. Já o ídolo “OBRA” fala aparentemente pela Palavra de Deus, mas utiliza-se de seu próprio evangelho, a “palavra-revelada-além-da-letra”, pois não se contenta com a simplicidade e pureza das Escrituras Sagradas, fermentando seus ensinos, enchendo-a de tradições, opiniões, entulhos, corrompendo-a e distorcendo-a em prol de seus interesses egocêntricos (denominacionais), tal como os fariseus e escribas do tempo de Jesus (o fermento dos fariseus).

O ídolo icemita desacata as diretrizes simples, porém plenamente eficazes da Bíblia, rotulando-as como mera “letra”, e concede a autoridade às sofisticações dos malabarismos exegéticos feitos com versículos descontextualizados e forçadamente “espiritualizados”. Retiram a mensagem primária, real e central da Escritura para aquilo que o homem quer escutar, de modo a saciar-se de orgulho religioso, por tantos “segredos” e arranjos interpretativos e metafóricos, somente revelados à “Obra” (ICM).

O objetivo da “palavra-revelada-além-da-letra” é abastecer o ego humano, inflar de jactância e orgulho religioso o coração do homem, concedendo-o a sensação de segurança e privilégio por pertencer a “essa Obra”. Cultivam orgulho de estar ali, ouvindo os extraordinários joguetes de numerologia e tipologias revolucionárias, só encontradas na ICM. A “palavra-além-da-letra” foi o mesmo ardil utilizado pelo Diabo ao investir contra o Senhor Jesus, quando afirmou: “não foi assim que Deus disse?”
Para tanto, os membros são lobotomizados, corrompidos e ludibriados pela linguagem do não-pensamento ou programação neuro-linguística (ensino por saturação e exaustiva repetição de jargões). É nisto que se baseia a pregação icemita. Vejamos alguns exemplos de expressões amplamente repetidas e utilizadas no clichê da “Obra”, da linguagem do não-pensamento, que formata e implanta essa paixão na mentes das pessoas:
A Obra é filho único!
 Obra é Obra, o resto é sobra!
 A Obra tem que está em primeiro lugar!
 Só a Obra tem a palavra-revelada. Segredos dessa Obra!

 Para aonde iremos nós, se só na Obra alcançamos a revelação?
 Assim como Israel foi escolhido entre as nações, a Obra foi escolhida entre as denominações.
 Quem discorda da revelação, não entendeu a Obra!
 Falar mal da Obra vai trazer um juízo para sua vida!
 Saiu da Obra perdeu a salvação!
 O destino de quem sai dessa Obra é a morte e a sepultura!
 Se eu sair da Obra, bata a porta na minha cara! Não fale comigo! Não liguem para mim! Nem minha família fale comigo!
 Eu não troco essa Obra nem pela minha família!
 Assim como temos um Pai, também temos uma mãe: A Obra é nossa mãe!
 Dormimos a Obra, acordamos a Obra, almoçamos a Obra, jantamos a Obra, vivemos a Obra. Obra é Obra. É a Obra, meus irmãos. Se não for assim, não é Obra.
 Temos que ter Obra no coração! O coração cheio de Obra!
 A Obra é minha vida, a minha vida é a Obra!
 Essa Obra é filho único. Não existe Obra igual a essa. Não há outra Obra para aonde ir.
 A Obra é o nosso trem para a Eternidade.
 A Obra é nosso bem maior.
 A Obra é tudo para nós.
E outras expressões que convergem diretamente na Instituição, ratificando o viés de idolatria:
  Obra Maravilhosa;
 Obra Gloriosa;
 Obra Perfeita;
 Obra Completa;
 Obra Vitoriosa;
 Obra Profética;
 Obra Redentora;

 Obra Preciosa;

 Obra Revelada;
 Obra Filho Único.

Percebamos que esses atributos acima citados são todos atributos de DEUS. Maravilhoso, Redentor, Glorioso, Completo, Perfeito e Vitorioso – só Deus. Ao se autodenominar “maravilhosa”, esse maligno ídolo tenta usurpar o título messiânico do Senhor Jesus Cristo, vaticinado pelo profeta Isaías, onde podemos ler os atributos: Maravilhoso, Conselheiro, Deus forte, Pai da eternidade e Príncipe da Paz. E o pior: “Filho Único”. Sendo assim, fica notório o quão contraditório é esse ensino pervertido que exalta essa famigerada “Obra”, essa deusa falsa, esse embuste ofensivo ao verdadeiro Deus. Esse ser que passa a dividir a glória de Deus e o fundamento da Salvação entre os membros da ICM.

Quem há de negar isso que escrevemos? Qual dentre eles, sejam líderes ou membros, pode vir desmentir-nos dessa infame prática idólatra, denunciadas nesse artigo, expostas através dos clichês supracitados em destaque?
Ficamos impressionados de como não atentam para esse viés de idolatria que se enveredaram esses que propagam, defendem e divulgam essa ideologia “Obra”. Saturadamente repetem esses jargões nas pregações, nas orações, e os ouvintes, naturalmente, começa a também a repetir por consciência coletiva, por osmose, de tal sorte que um ouve, e outro ouve de alguém, que ouve de alguém… E o pior: ensina a alguém, que vai ensinar a outro alguém…

Assim como no Catolicismo Romano há uma 4ª pessoa integrando a TRINDADE, que é a figura de Maria. Nota-se claramente que, por sua vez, a ICM adicionou também esse 4º elemento, de mesmo gênero (feminino), porém de nome diferente (“Obra”), cujo peso e importância têm o mesmo que Maria tem para os Católicos. A “Obra” se tornou tal qual como o ídolo católico – mediadora dos membros da ICM para com o Filho e o Pai.

Notem as sutilezas: Cristo nos ensina que não mais vivemos nós, mas Ele vive em [dentro de] nós, porque para nós o viver é Cristo, e o morrer é ganho; o ídolo “OBRA”, por sua vez, ensina-nos a tê-lo como “forma de vida”, a entendê-lo (será que é possível?). Cristo é o primogênito de Deus; por outro lado, a “OBRA” se autoproclama “filho único”. Cristo é o caminho, a verdade e a vida, e como o próprio evangelho lhe atribui a declaração “ninguém vem ao Pai senão por mim”; a “OBRA” por sua vez se apresenta como a nossa condução para a eternidade. Cristo é a vida. Entretanto, na ICM, todos dizem: a “OBRA” é minha vida. Cristo nos ensina a guardar a Sua Palavra, de modo que o Pai nos amará, e Ele e o Pai farão em nós morada; a ICM, a seu turno, ensina que devemos ter o coração cheio de “OBRA”. A Escritura nos ensina que devemos ter, através do Espírito Santo, a mente de Cristo; já o ídolo icemita nos impõe a absorção da “mentalidade de OBRA”.

“Quem fala de si mesmo busca a sua própria glória; mas o que busca a glória daquele que o enviou, esse é verdadeiro, e não há nele injustiça.” João 7:18
“Para que, como está escrito: Aquele que se gloria glorie-se no Senhor.” 1 Coríntios 1:31
“Porque não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus, o Senhor; e nós mesmos somos vossos servos por amor de Jesus.” 2 Coríntios 4:5
Porque não ousamos classificar-nos, ou comparar-nos com alguns, que se louvam a si mesmos; mas estes que se medem a si mesmos, e se comparam consigo mesmos, estão sem entendimento. 2 Coríntios 10:12
“Porque não é aprovado quem a si mesmo se louva, mas, sim, aquele a quem o Senhor louva.” 2 Coríntios 10:18

Portanto, entendemos que a “OBRA” é apenas mais um anticristo. É só um ensaio do mistério da injustiça que há de vir (e aí já está), tal como são seus demais co-irmãos, os sistemas religiosos, econômicos e políticos, que forjam ídolos e arrebanham adoradores para si ou para suas criações. O tal ídolo “Obra”, semelhantemente ao anticristo, ganhou um nome, ganhou espírito e vida. É adorado!

              2) O TERMO

Por causa do narcisismo e exclusivismo religioso, cremos que um “fenômeno” que ocorre com aqueles que saem da ICM, é uma tentativa pueril de demonstrar para os ex-correligionários que, apesar de terem saído de lá, continuam mantendo o mesmo “nível espiritual” dos que lá permanecem. Na maioria das vezes, nós, em nossa imaturidade e concepção espiritual de outrora, devido aos ensinos maniqueístas da ICM de que pertencer ou não a determinada Instituição se traduz na mesma coisa de ser ou não um servo fiel a Deus, incorremos nessa bobagem para dar certa satisfação a eles, com receio de usarem nossa pessoa como objeto de mentiras, alvo de difamações ou um troféu de exemplo a não ser seguido.

É uma atitude geralmente inerente e involuntária do dissidente de um grupo com tal índole sectária para querer transparecer que ele continua crente em Deus, com os resquícios do comportamento adquirido enquanto membro doutrinado naquele segmento. Aconteceu isso conosco, por isso cremos ter acontecido com outros também…
Uma característica que identifica esse processo seria uma frase bem comum, dita por quem sai(u) da ICM:

“Eu saí da ICM, mas eu tenho Obra”;

“Eu não estou fora da Obra, eu estou fora da ICM”.

E outras assim, de mesmo teor…
Analisando essa nossa própria fala, buscamos fundamentar tal afirmativa. Ficamos a pensar no sentido intrínseco dessas expressões, ditas assim, da forma que relatamos. Levamos em consideração o conceito ICM de “Obra”, e concluímos que reproduzir essa(s) frase(s) é uma grande incoerência.

Por mais que os membros da ICM tentem demonstrar, cinicamente e por uma humildade fingida, principalmente advindo da cúpula (tanto no sentido PES ao da igreja local) que quando falam em obra de Deus, não estão se referindo à “Obra”, mas a verdade é que a “Obra” que se referem é nada mais nada menos que a própria Igreja Cristã Maranata. Alguns chegam ao extremo do cinismo, dizendo que isso é invenção nossa, o que é uma grande mentira! Na verdade, devido ao crescimento avassalador de comentários sobre a péssima fama da índole messiânica e narcisista que perfaz os membros para com a ICM-Obra , o PES tenta dissociar o jargão “Obra” da Instituição ICM. Mas, tal conceito já está tão enraizado na cabeça dos subalternos dessa “Obra”, que fica difícil essa separação, assim como o açúcar se dissolve na água.

Não obstante, portanto, os membros da ICM tentarem se justificar, a verdade é que essas palavras se perdem ao vento, pois é de conhecimento material de todos cristãos que professam a fé do Senhor Jesus (somente segundo as Escrituras), que o termo “Obra” está associado diretamente à Instituição ICM. E ponto final!

A “Obra” seria todo conteúdo doutrinário da ICM, com suas particularidades e “segredos”, bem como sua execução a risca pelos membros. A ICM seria uma espécie de recipiente, onde a tal “Obra” se processa. Ainda assim, mesmo o “recipiente”, segundo a liderança, foi uma revelação de Deus, tanto a denominação, como também o arquitetura dos templos, o modelo da mobília, objetos de culto etc. Contrariando, drasticamente, os preceitos da Nova Aliança (Gal 1:6-9).
Explicaremos logo abaixo, e concluiremos, de fato, que a realidade é exatamente que estamos afirmando. Antes, precisamos ver a ICM de duas óticas: pessoa jurídica¹ e bojo doutrinário².

1 – Igreja Cristã Maranata como uma instituição religiosa voltada a adoração monoteísta, dita cristã, a qual, logicamente, é uma pessoa jurídica, logo, com estatuto, CNPJ, escritura pública e patrimônios, cuja sigla é “ICM-PES”.

2 – Igreja Cristã Maranata enquanto sistema doutrinário, ou seja, todo seu arcabouço de dogmas, práticas, usos, costumes e doutrinas, cuja totalidade desse sistema convergem numa só definição ou alcunha – “A Obra”.
Eis as evidências:
 Emembrar-se na ICM é “fazer parte da Obra”;
 Sair da ICM é sinônimo de “sair da Obra”;
 Concordar com as doutrinas da ICM é ter “discernimento de Obra”;
 Seguir a rotina da ICM é viver a “Obra como forma de vida”;
 Obedecer aos dogmas da ICM é ter “entendimento de Obra”;
 Não seguir os conformes do sistema da ICM é “não entender a Obra”;
 Apregoar a ideologia da ICM é ter “mentalidade de Obra”;
 Linguajar carregado de jargões e clichês da ICM é ter “padrão de Obra”;
 Elogiar a ICM é ter “Obra no coração”;
 Criticar ou discordar da ICM são “falar mal da Obra”;
 Relatar o histórico da ICM é falar da “História da Obra”;
 Submeter às ordens e afazeres da ICM é ser “Valente da Obra”;
 Pregar os dogmas e doutrina da ICM é pregar a “Doutrina da Obra”;
 Falar do crescimento da ICM no estrangeiro é falar da “Obra no exterior”;
 Falar de uma congregação da ICM é falar de uma “igreja da Obra”;
 Cantar louvores de autoria da ICM é cantar “louvores da Obra”;
 Deputados e empresários que cooperam com a ICM são “amigos da Obra”;
 Os dogmas exclusivos da ICM são “segredos da Obra”;
 Ser um membro da ICM é ser um “servo da Obra”;
 O trabalho com surdos na ICM é o trabalho com os “surdos da Obra”;
 Etc.

Sendo agora mais específico, tirando exemplos corriqueiros dos atos e expressões dos adeptos, vejamos quando eles falam em “Obra”, verdadeiramente, estão se dirigindo à instituição ICM, bem como ao seu campo doutrinário, demonstrando, assim, todo espírito sedicioso e exclusivista deles:
 Fulano “saiu da Obra”, foi para “religião” – ICM e outra denominação;
 Antes da “Obra”, você era do “movimento”, varão? – Idem;
 Há quanto tempo você está na Obra? – ingresso na ICM;
 Uma intercessão para o “crescimento da Obra no exterior”, para o levantamento de novos obreiros e ordenação de ungidos e pastores, e para construções de novos templos – ICM e seus patrimônios e cargos;
 “A Obra” foi revelada na década de 60, erguida com muito esforço pelos irmãos, que jejuavam até 03 dias diretos. – ICM e sua história da fundação;

 “Essa Obra” é perfeita e completa, não é o movimento. – ICM em relação a outros grupos religiosos;
 Tudo “na Obra” é feito na revelação, não há dedo do homem, como a “religião” que é obra de homens. – Idem
 Os templos da “Obra” são padronizados, revelados pelo “sinhô”. – Patrimônios da ICM;
 A “Obra” não é seita! – referindo ao status da ICM;
 Aqui na “Obra” não tem pastores remunerados, como na “religião” – ICM em relação a outros grupos religiosos;
 A “Obra” está adquirindo mais “Maanains” no Brasil! – ICM e seus patrimônios;

 Esse ano a “Obra” fez 40 anos! – ICM e seu quadragenário em 2008;
 A Obra é nível superior, a religião é mobral! – ICM em relação a outros grupos religiosos;
 Só na Obra o “sinhô” fala. A religião não escuta a revelação! – ICM e seus dogmas;
 Só a “Obra” fala sobre a volta do Sinhô! – ICM e suas ignorâncias;
 Em Vitória, a “Obra tem mais alcance”! – Local onde fica a sede da ICM;
 Só a “Obra” tem culto-profético! – ICM e sua doutrina;

 Na “Obra” em tal lugar, eu estava como ungido. Hoje estou como pastor da “Obra”! – ICM e seus cargos;
 Só a “Obra” alcançou a revelação de Cantares. – ICM e suas doutrinas;
 A “religião” é um balde emborcado; a Obra é um balde para cima que apara todas as bênçãos do Espírito Santo! – ICM em relação aos demais grupos;
 Temos as 05 armas do servo de Deus, os meios de graça. Só a “Obra” conhece esse segredo. A “religião” não alcançou essa revelação! – ICM em relação a outros grupos religiosos;
 Os cultos da “Obra” são de apenas 30 min. – ICM e seus costumes;
 O Fulano quer voltar para a “Obra”. Mas o “sinhô” não permitiu! Ele não tem mais parte nessa Obra! – ICM em se tratando de casos com dissidentes;
 Quem sai da “Obra”, perde a salvação! O destino é a morte e a sepultura! – ICM e seu exclusivismo;
 A “Obra” caminha a velocidade da luz! Não é como a religião! – ICM em relação a outros grupos religiosos;
 Para aonde iremos nós, se só na “Obra” temos revelação? – ICM e seus dogmas;
 Não podemos “falar mal da Obra”. É blasfêmia! Cuidado, hein?! – ICM ou líder sendo discordado ou criticado;
 Essa é a “Obra de Davi”. A Religião é o tipo de Saul. – ICM em relação a outros grupos religiosos.
Poderíamos dar outros tantos exemplos assim, mas não é necessário. Aplicando esse “senso comum” (acima relatado e que provamos pelos exemplos de fala e comportamento dos adeptos), então, se torna muito particular a eles esse tipo de expressão “ter Obra” ou “fazer parte da Obra”. Nós, enquanto cristãos precisamos ter a Palavra de Deus em nosso coração, bem como a marca do sangue redentor de Cristo em nossas vidas e o selo do Espírito Santo. Precisamos, sim, é fazermos parte da Igreja cristã. Ficar repetindo esses clichês e bordões, de que “temos Obra” ou “que fazemos parte da Obra”, talvez seja uma profunda falta de conhecimento bíblico, no mínimo.
Revendo o conceito de obra nas Escrituras observamos que:
 Nunca aparece como substantivo de nome próprio (Ex: Obra);
 Não representa nenhuma “entidade física”, muito menos “jurídica”;
 Não nos remete a nenhuma localidade específica (tal qual templos,

A palavra “obra”, biblicamente falando, é trabalho no Reino de Deus, é atividade espiritual de divulgação do Evangelho. Tanto no Novo como no Velho testamento, a palavra “obra”, se refere ao empenho dos servos em pregações, curas, libertações, adoração ou ainda o ato de transformação que o Espírito Santo opera na vida dos convertidos.
Analisemos os textos neotestamentários que utilizam essa expressão de “realizar” ou “fazer” a obra, e em nenhum deles veremos o sentido partidário e/ou institucional; tampouco em referência a uma doutrina ou mentalidade que se subentendem nos exemplos dados nesse texto e que outrora foi nos transmitidos como doutrina. Tal palavra não é grafada com inicial maiúscula, em referência a uma entidade espiritual ou pessoa natural, ou local, ou seja, como um substantivo próprio, como se faz na ICM, em todas as suas apostilas, circulares, avisos fazendo, em regra, referência ao sistema da ICM.

É claro que os outros grupos denominacionais utilizam também esse termo “obra”, porém de maneira bem diferente ao que a ICM adotou, que, de forma perniciosa, condiciona e formata o corpo de membros a crer. É muito comum entre os assembleianos, por exemplo, alguém dizer que está fazendo a obra (quando está numa distribuição de folhetos evangelísticos, ou visitando um enfermo, um presidiário, etc…). Mas observemos que eles usam essa palavra no sentido de tarefa, realização de trabalho, e não se referindo à Instituição Assembléia de Deus*. Na ICM eles dizem “Evangelização na Obra” – ou seja, evangelização da forma com que ela (ICM) faz (dita “revelada”). E veja o paradoxo – evangelizar já é um trabalho, uma atividade, então, seria o mesmo que dizer: “Realizar a obra na Obra” (?). Isso faz sentido?

Se alguém, por exemplo, discorda ou critica os rumos doutrinários da Assembléia de Deus, é praticamente impossível (particularmente desconhecemos exemplos) algum membro de lá arrematar, automaticamente, com o jargão religioso: “Não podemos falar mal da Obra!” Porque quando alguém critica os rumos doutrinários da Assembléia, critica o sistema religioso da Instituição, e não a obra de Deus propriamente dita ou o próprio Espírito de Deus. Uma coisa é totalmente diferente da outra. Já na ICM ninguém consegue dissociar o “falar mal da Obra” do “falar mal da ICM”, porque ambos significam a mesma coisa, na mente cauterizada dos membros.

Na ICM, as pessoas estão completa e hermeticamente bitoladas a associar a obra de Deus com o próprio sistema doutrinário da ICM. O que é um absurdo. É a prova material do exclusivismo e do sentimento de eleição que eles acreditam que a ICM – enquanto corpo de membros e sistema doutrinário – recebeu de Deus – como bem relatamos no início desse artigo. É a prova cabal que eles acreditam que a ICM é a personificação do próprio evangelho em forma de instituição religiosa. Delírio! Para não dizer heresia e idolatria mesmo! Enquanto os católicos personificam Jesus em imagens, os membros da ICM personificam a pessoa do Espírito Santo no sistema religioso. É fácil demais perceber isso.
 Eu tenho tantos anos de “Obra” – tempo como membro na ICM.
 Fulano entendeu a “Obra” – se submeteu acatando aos ditames doutrinários da ICM.
 Beltrano tem “mentalidade de Obra” – apregoa a ideologia ICM.
 Ciclano falou mal da “Obra” – discordou ou criticou a ICM.  

Negar isso, com certeza, é faltar com a verdade. Quem pode dizer que nunca ouviu isso? Só alguém muito insincero consigo mesmo, ao melhor estilo “me engana que eu gosto”, um cínico de “carteira assinada”, é que não admite isso.

E não é dito por um ou outro de maneira esporádica, não – É DISCURSO PADRÃO. Desde o membro sem função ao presidente do PES, todos exprimem feitos papagaios essa índole narcísica e exclusivista, por esse idioma “maranatês” encharcado de bordões e clichês sem personalidade. Em determinados casos, até pessoas que ainda não batizaram já absorveram esse linguajar carregado de jargões adquiridos por efeito de consciência coletiva e por força de inclusão social.
E o mais pernicioso disso tudo é quando começam a destilar esse pensamento meticulosamente calculado através de estudos excêntricos que sutilmente encantam os ouvintes, apaixonando-os cada vez mais pela Instituição, que é reconhecida IMEDIATAMENTE por estes como “a Obra”. Estudos estes como:
 Obra X Religião – Paralelo tendencioso entre a ICM e todas as demais denominações;
 Obra como forma de vida – Testemunhos altamente místicos e apoteóticos daqueles obedientes ao sistema da ICM;
 Obra de Saul e Davi – Comparação desonesta da ICM (Davi) e as demais denominações (Saul);
 Evolução da Obra – Fases da Igreja que definem como 1-Primitiva, 2-Romana, 3-Protestante, 4-Evangélica, 5-Pentecostal e a última – “Fiel” (ICM);
 Histórico da Obra – Relatos distorcidos e exagerados da fundação da ICM, com alto apelo místico e espiritual para fascinar os novos convertidos;
 Valentes da Obra – Aula altamente carregada de testemunhos e discursos chantagistas e alienantes para o adepto se dedicar cegamente, cada vez mais, ao sistema da ICM;

 Fundamentos da Obra – Exposição dos “segredos” da ICM (dogmas particulares – “clamor”, “consulta à palavra”, “madrugada” etc.)
 Obra Revelada – Aula que ludibria os neófitos de que tudo na ICM é revelado por Deus, desde a arquitetura dos templos, a mobília, os terrenos adquiridos e as novas doutrinas que a ICM inventa.

Qual Denominação apresenta as características dessa dita “Obra” citada em tais estudos? Seria a Metodista, a Presbiteriana, a Batista, a Assembléia de Deus, qual dentre tantas? Evidente que a ÚNICA que se enquadra nesses estudos é a ICM. E assim, ao analisar o escopo desses estudos, podemos notar, seja no texto ou então na fala dos que ministram que a real intenção é exaltar e engrandecer esse ídolo “Obra” (que no fim é o sistema da ICM), reduzindo em valor os demais grupos religiosos. O problema não está em usar esse termo “obra” (porque até o Senhor Jesus o usou), mas sim usá-lo de forma desonesta, tendenciosa, soberba, exclusivista, presunçosa, enfatuada, altiva, narcísica, sectária, referindo-se a um ser próprio, um sistema, uma instituição, assim, contrariando  as Escrituras.

Portanto, é inadmissível utilizar de dissimulação, humildade fingida e falácias para justificar que a “Obra” existe em outros lugares. Se assim fosse, se a tal “Obra” existe em outras denominações, por que cultivam a facção ou o partidarismo institucional nos corações dos membros da ICM em relação aos demais grupos? Ora, se na denominação da ICM contém a palavra “cristã”, logo, por que não permitir que seus membros mantenham relação afetiva, conjugal e espiritual com os tais cristãos que eles dizem “ter Obra”? Afinal, se dizem que eles “têm Obra” é porque nada esses grupos têm a dever à ICM, correto? E por que censuram seus membros de congregarem com eles? Por que aliciam seus membros mentalmente, ameaçando-os com punições sob o nome de Deus, caso mantenham contato com outras denominações? E por que não aceitam convites para lá visitar, mas, na maior hipocrisia, tentam, por outro lado, arrebatar crentes de outros grupos evangélicos para si? Por que pescam no “aquário dos outros”, se o irmão já “tem Obra” em outra denominação? Concordamos que há realmente instituições cheias de misticismos e teologias fajutas, essas, de fato, tem que ser abominadas, mas e essas que supostamente “têm Obra”, poderiam os membros da ICM, dizer quais são?
Estaria Jesus dividido (1 Co 1:13)? Seriam os membros de outras denominações não filhos do mesmo Pai Celestial (Efe 4:6)? Seriam eles alimentados senão pelo Espírito Santo (1 Co 6:17)? Estariam eles compondo outro Corpo de Cristo (1 Co 12:13; Efe 4:4)? Se estão, por que, então, permanecer a inimizade e separação? Não são todos da mesma família de Deus?

                                    “Mas, se tendes amarga inveja, e sentimento faccioso em vosso coração, não vos glorieis, nem mintais contra a verdade. (…) Porque onde há inveja e espírito faccioso aí há perturbação e toda a obra perversa.” Tiago 3:13-14
“Quem não é comigo é contra mim; e quem comigo não ajunta, espalha.” Lucas 11:23   

Utilizar de recursos desonestos para dar uma resposta sofista e cínica, não passa de um artifício do pai da mentira. A covardia de não admitirem o caráter exclusivista e sectário que brota em seu coração nada mais é do que conseqüência desse engodo que os membros da ICM se meteram. Mentem para si mesmos, vivem nesse “faz de conta”, lutam consigo mesmos cultivando na mente um mundo imaginário e utópico para resistir à Verdade, que está estampada na sua frente, que bate todo o dia na sua porta, mas resistem à Verdade para manterem a fidelidade à idolatria ao sistema “Obra”, fazendo vista grossa, “de que não é com eles” e relativizando essas contradições religiosas apregoadas por esse ídolo egocêntrico, permanecendo no seu comodismo, subjugado aos conveniências desse instituição arrogante e presunçosa.

Para defenderem o ídolo “Obra” lançam mão até da maior arma do diabo – a mentira (cinismo, sofismas, hipocrisia, dissimulação, fingimento) – provando, assim, o grau do erro que estão vivendo. Como não conseguem perceber isso? Em seminários e conversas particulares, desfazem de todas as formas das demais denominações religiosas para exaltarem a si mesmos, contudo, não aceitam, na maior cara-de-pau, que sua “Rainha” passe também pelo mesmo crivo que eles submetem as outras instituições. Os devotos dessa “Igreja Fiel” esperneiam contra os que “falam mal” dessa “Rainha” dissimulada, que hora apresenta sua supremacia – dizendo que não se importa com as críticas – e hora se apresenta como a coitadinha – dizendo que está sendo atacada e torturada pelos “caídos”, os quais deviam – observemos a hipocrisia – respeitar a “religião” dos outros ou ter tolerância religiosa, justificam agora. Quanta contradição.

Seria mais nobres eles pararem com essa representação e hipocrisia, e tirarem essa máscara política. São muito mais nobres os Testemunhas de Jeová, os Católicos, os Mormons, os Adventistas, porque, ainda que sejam seitas totalmente apartadas da coerência bíblica, admitem o que vivem, não negam ou escondem aquilo que acreditam. Por mais incrível que pareça, Deus enxerga muito mais virtude neles no que na dissimulação e fingimento teatral dos membros da ICM. Quando se isolam em seus “maanains”, tripudiam de tudo e todos, proclamam em alto e bom som que a ICM é a “Obra do Espírito Santo” e que fora dela não há salvação, vida ou outro lugar para ir. Depois, quando de lá saem, e passam a viver com outras pessoas, representam um personagem mentiroso, dizendo que não é nada disso, e que as pessoas estão equivocadas, pois a ICM não é sectarista, não é exclusivista, não escarnece de outras denominações. Desde quando essa postura é parecida com Jesus? É pertencente a uma Igreja de Deus?

A ICM sempre demonstrou verdadeira REPUGNÂNCIA pela “Religião” (o universo geral de todas as denominações cristãs), tanto que sempre bradaram aos quatro ventos que NÃO ERAM “Religião”, e sim “a Obra”. “Religião gera morte. Religião é carne. Religião não salva.” Sempre afirmaram isso em alto e bom som, de maneira categórica. Todavia, “a Obra” sendo alvo de críticas como tem sido já há algum tempo, resolveu por intermédio dos seus representantes (sejam esses oficiais ou não), APELAREM para Lei de “Tolerância Religiosa.” Eles, nesse “darwinismo maranático”, evoluíram tanto que já não se consideram “Religião” há décadas; porém, agora, querem voltar ao status religioso, e tentarem adaptar-se a essa Lei? Afinal, a ICM é “Obra” ou “Religião”?

E outra, desde quando discordar de dogmas, doutrinas, práticas de usos e costumes em debates ABERTOS, passíveis de contra-argumentação, é ato de “Intolerância Religiosa”? Todas as denominações religiosas passaram pelo crivo das Escrituras ao longo do tempo. Isso faz parte do aparamento das arestas. Mas a “Obra” se coloca como a única que não pode ser contestada. Assim, mais intolerante, em verdade, não seriam eles, que entre tantas difamações nos classificaram até mesmo como PEDÓFILOS, CAÍDOS, LIBERTINOS, ADÚLTEROS, LADRÕES DE DÍZIMOS só pelo fato de criticarmos os rumos administrativos e, principalmente, bíblicos e ter saído de lá?

Não bastasse isso, mentem sobre nosso caráter, fomentam ódio religioso contra pessoas dissidentes, pregam a segregação, o “racismo denominacional”, o exclusivismo, dentre outros males. Falam tantos absurdos dos ex-adeptos, mas, para qual desses ex-adeptos foi dado o direito de resposta em um Seminário, ou até mesmo numa congregação local? Quem são os intolerantes? Quem IMPÕE aos membros que esses NÃO VISITEM e NEM SE RELACIONEM com quem saiu do rol da “Obra” e não é da “Obra”? Acaso não são eles próprios?

Pensam que as pessoas são desinformadas, leigas, tapadas. Pensam que não conhecemos Lei, História, Sociologia, Teologia, Psicologia, etc. Pensam que não conhecemos as Escrituras! Pensam que não conhecemos “a Obra”. Estão enganando a eles mesmos. Nesses momentos, então, ser “Religião” é CONVENIENTE para “Obra”… Essa hipocrisia, esse fermento dos fariseus, é intragável, impossível de digerir.

  “Porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te.” 2 Timóteo 3:2-5

Então, anos se passam e os dissidentes da ICM estão aumentando, cristãos em busca de uma vida espiritual sincera, natural e autêntica. Esses podem confirmar essa índole exclusivista e messiânica da ICM. Por outro lado, até hoje não apareceu ninguém para nos provar o contrário, contrariando os artigos expostos. O máximo que fazem é, cinicamente, afirmar que “Obra” é um projeto de Deus na vida do homem (o que, por certa ótica, é verdade, mas não é praxe na vida deles), ou que é apenas uma forma de reconhecimento ou elogio à ICM, o que, de fato, não passa de um eufemismo de admissão da idolatria ao sistema da ICM. Puro cinismo.

Desafiamos alguém a trazer um trecho das Escrituras onde a palavra “obra” estivesse fazendo inferência a uma Instituição, partido, grupo. Sabe por que ninguém trará? Porque não existe na Bíblia Sagrada! Sempre que aparece tal palavra, seja nos evangelhos, seja nas cartas, está se referindo a atividade no Reino de Deus, trabalho (tal qual a expressão usada pelos assembleianos, por exemplo, e outros evangélicos em geral). Por isso, é REPROVÁVEL essa distorção da ICM, insinuando ela ser essa “Obra”, num tom de exclusivismo e prepotência religiosa, que nem sequer a Bíblia Sagrada menciona existir como Instituição.

E mais, acreditamos que de igual modo à ICM, há outros grupos, sim, nesse frenesi narciso-exclusivista louco, de usar essa palavra nesse sentido messiânico, tais como, as famigeradas Opus Dei e Maçonaria. Instituições que, como sabemos, de sadias e idôneas ao Evangelho e ao ser humano não têm nada. Portanto, é errado também. Equívoco proposital! E não seria porque tem outras pessoas agindo errado que justificaria o erro. Se tiverem 100 Denominações usando esse subterfúgio para arrogarem para si um status de perfeição, inerrância, infalibilidade, incontestação, eleição, messianato, sob essa alcunha “Obra”, TODAS as 100 estão incorrendo à APOSTASIA, que é o desvio da verdadeira fé, a fé cristã, bíblica, que não endossa tal prática. Afinal, como a Palavra nos ensina, a maioria nunca está com a Verdade.
Precisamos todos nós, estarmos atentos a tais repetições por modismo, não só verbal, mas principalmente conceitual, a fim de que uma vez entendendo o sentido bíblico deste termo nós não venhamos a usá-lo de forma indevida. Sobre isso, vale reportar sobre o que é realizar a obra de Deus para os adeptos da ICM-Obra:
 Ir para os cultos todos os dias;
 Ir para a madrugada de seu grupo;
 Ir para o culto de meio-dia de seu grupo;

 Ir para o culto profético de seu grupo;
 Seguir o jejum da lei do domingo;
 Vestir-se com roupas “da revelação”;
 Não faltar reuniões e ensaios;
 Ir a seminários;
 Pagar o dízimo;
 Trabalhar no mutirão de limpeza do Maanaim e templos;
 Obedecer às “orientações”, “revelações” “infalíveis” dos líderes.

Eis a “Obra como forma de vida”. Se ao perguntamos a um membro da ICM se realizar a obra de Deus é exatamente esse rol de atividades na ICM, elencando todos esses rituais, ele, certamente, irá dizer: “Com certeza, varão! Viver a “Obra” é exatamente, isso. Você está com mentalidade de Obra! O irmão alcançou a “revelação”. Entendeu o projeto!” Fazer a obra, segundo a concepção da “Obra”, seria o cumprimento rigoroso das atividades do sistema. Dessa forma o membro “alcançou a revelação”, e é reputado por eles como um “nobre”, um “valente da Obra”, um “varão valoroso”, alcançou um nível superior de espiritualidade. Assim, depois que o membro adquire a “mentalidade de Obra”, está apto a ser levantado para as funções eclesiásticas do sistema denominacional.

Pela pobreza na leitura e compreensão da Palavra de Deus (pois alguns, ainda que lendo, não absorvem nada, por causa dos olhos revestidos de lentes embaçadas pelo fermento e da mente já embriagada de “Obra”, “Obra”, “Obra”, “Obra”, “Obra”…), são persuadidos, induzidos, moldados, doutrinados saturadamente a associarem, involuntariamente, “Obra” à ICM. Triste!

Soube que depois de algum tempo que eu já havia saído da ICM comentaram entre eles que eu não tinha mais “mentalidade de Obra”, que eu estava “fora da Obra”, que eu não tinha “entendido a Obra” etc. Sabedor dessa notícia, a princípio, fiquei aborrecido, triste, mas depois, analisando de forma racional essas colocações da maneira que apresentei, tais pessoas estavam corretíssimas! Ainda que a frase fora dita em tom reprovatório e na tentativa de denegrir-me, essa frase foi totalmente verídica e coerente.

Hoje, tenho plena consciência que de fato não tenho nada “de Obra”. E nem faço nenhuma questão de ter. Uma vez fora de lá é porque não compactuo com as doutrinas e os procedimentos deles. Muito menos com essa ideologia fermentada. Não estou “nesta Obra”. Então por que dizer que “estou”? Por que dizer que “tenho”?
Ora, eu quero é fazer, realizar, segundo a definição do Mestre:
“Disseram-lhe, pois: Que faremos para executarmos as obras de Deus? Jesus respondeu, e disse-lhes: A obra de Deus é esta: Que creiais naquele que ele enviou.” João 5:28-29
Como a resposta do Senhor Jesus foi no singular, logo não há outra senão a que Ele mesmo nos legou em ensino.
Quem lê entenda:
“Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço, e as fará maiores do que estas, porque eu vou para meu Pai.” João 14:12
A paz de Cristo a todos.

OBS: Assembléia de Deus* – ao usarmos essa Denominação como exemplo em algumas partes do presente artigo, elucidamos ao leitor que não estamos de forma nenhuma agindo como propagandistas da mesma, divulgando-a como se fosse melhor que a Denominação A ou B. Em verdade, nós que participamos diretamente na confecção e revisão desse artigo nem mesmo somos membros de tal grupo em questão. O usamos mais pelo fato de a ICM em toda oportunidade que tem, através de seus líderes, divulgar que os assembleianos “perderam a Obra”, devido a falta de sabedoria, a qual foi transferida para o seleto grupo primitivo que deu origem a ICM no fim da década de 60. Sendo a Assembléia de Deus um exemplo sempre dado pelos ICM’s em se tratando de argumento de auto-exaltação, aproveitamos o ensejo, todavia não com a mesma distorcida intenção icemita, mas tão somente para exemplificar o meio evangélico em geral.

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Aula Limites do espirito santo ( 4 periodo)

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“Que, como te jurei pelo SENHOR Deus de Israel, dizendo: Certamente teu filho Salomão reinará depois de mim, e ele se assentará no meu trono, em meu lugar, assim o farei no dia de hoje. Então Bate-Seba se inclinou com o rosto em terra e se prostrou diante do rei, e disse: Viva o rei Davi meu senhor para sempre.” I Reis 1: 30 e 31

1 –  Introdução

Nós falamos sobre limites nesta Obra com muita segurança porque o nosso padrão a respeito de limites é a Palavra do Senhor.

Nós não temos regras como religião, mas temos uma palavra revelada ao nosso coração e isso nos dá muita segurança e muita responsabilidade também, porque quando nós falamos em revelação isso implica dizer que nós temos que estar sensíveis ao Espírito para sabermos se ultrapassamos ou não os limites dados por Ele.

A Palavra é exemplo para todas as coisas que possamos imaginar, ela é padrão de moral, de ética, de conduta, até mesmo para o mundo, mas nós usamos a Palavra revelada, algo que vai além da letra.

O nosso povo, de uma maneira geral, entendeu muito bem aquilo que é do Espírito Santo, nós sabemos, por exemplo, o que é hierarquia, o que é presbitério, etc. Para o povo que vai chegando, o Espírito Santo também tem dado o entendimento, Ele vai colocando este ensino em nosso coração.

Um exemplo disso é a unção. Você tem um companheiro que entrou na Obra com você, caminharam juntos por muitos anos, são amigos que têm muita liberdade entre si, têm muitas brincadeiras juntos, muita camaradagem, Depois de algum tempo o Senhor levanta os dois para o diaconato e logo adiante, levanta apenas um para a unção. Como proceder? O que mudou? Por que mudou?

Mudou porque agora houve uma unção ordenada pelo Espírito Santo.

Isso nós entendemos, esses limites são sutis e nós conseguimos discerni-los quando estamos em comunhão.

2 –   O Reinado de Davi

Davi foi um homem ético, ele respeitou os limites, e nós sabemos disto porque estamos numa Obra que é conhecida como Obra de Davi.

Ele foi rei, poeta, guerreiro, pastor, um homem sensível e, às vezes é difícil de conciliar tudo isso numa só pessoa, ser guerreiro e, ao mesmo tempo, ser sensível ao Senhor, fazer salmos, tocar instrumento, compor. Qualquer um de nós aqui que sentasse perto de Davi iria absorver um ensino precioso porque ele tinha grandes experiências com o Senhor, ele era um vencedor, um vitorioso, Deus tinha-lhe dado vitórias desde a sua infância, desde que ele era tenro até ao final da sua vida.

O texto fala do final do reinado de Davi. Aqui estão os nomes de algumas pessoas que estavam no reino de Davi, mas que não conseguiram absorver este ensino, não conseguiram discernir quem era Davi e aproveitar esta bênção para si mesmas, tais como:

3 –   Adonias

Davi já era idoso e estava prestes a passar para o Senhor. Adonias agora era o filho mais velho e herdeiro natural do trono, por isso resolveu antecipar tudo e arquitetou uma revolta porque entendeu que, como era o mais velho, logicamente seria o rei e decidiu garantir o seu lugar no trono, mas a revelação era que Salomão seria o rei. Adonias estava na razão e não na revelação.

Adonias era inteligente e buscou o apoio de pessoas ligadas ao rei, ele tinha um acordo com Joabe (que era o general de Davi) e com Abiatar (que era o sacerdote).

Adonias se levanta e diz: Eu reinarei, e preparou carros e cavaleiros e cinqüenta homens para que fossem adiante dele. Depois disso ele faz um banquete, fora de Jerusalém e se proclama rei, estando Davi ainda vivo e no trono de Israel. Adonias mata muitas ovelhas para oferecer neste banquete, e não podia ser diferente porque ele estava com a razão.

Adonias ultrapassa o limite, e nós sabemos que quando nós elegemos a razão para governar, só tem um resultado, que é a morte de ovelhas.

Adonias armou uma revolta, mas no entanto, não houve nenhuma batalha, nenhum confronto com o exército de Davi, ele simplesmente se proclamou rei e se considerou rei, se instalou nesta posição.

A razão faz exatamente isso, ela vai-se instalando. A razão de Adonias, o excesso de autoridade de Joabe e a falta de discernimento de Abiatar proporcionaram isso.

Neste momento se levanta o profeta Natã, ele tinha a revelação, ele conhecia o segredo da parte do Senhor, ele sabia quem deveria subir ao trono, ele sabia que o Senhor queria que Salomão fosse rei e não Adonias.

Natã procura Bate-Seba, mãe de Salomão, e lhe diz: Vai até Davi e faz com que ele se lembre daquilo que o Senhor disse a respeito de Salomão ser o rei, e não Adonias e quando você estiver conversando com ele, eu entro e confirmo tudo.

Bate-Seba foi lá e expõe a situação a Davi e, enquanto ela ainda conversava com o rei, o profeta Natã entrou e confirmou a revelação.

Davi, então, dá uma ordem a Zadoque (o sacerdote), a Natã (o profeta) e a Benaia (capitão da guarda), dizendo: Coloquem Salomão na minha mula e leve-o até a fonte que está em Jerusalém e unge-o como rei de Israel.

Neste momento, a festa que Adonias havia promovido em sua própria honra ainda estava acontecendo junto à pedra de Zoelete (que significa reptil).

Benaia, então, foi puxando a mula do rei Davi, levando Salomão até Giom e todo o povo se alegrou de tal maneira que a terra tremeu, e não podia ser diferente porque Davi estava vivo e pôde ver seu filho Salomão subir ao trono, conforme a promessa do Senhor, ele viu aquele a quem Deus tinha escolhido subir ao trono, a Obra estava estabelecida.

Naquele tempo, quando o rei morria, o filho mais velho assumia o trono, mas com Davi foi diferente. Davi (que é tipo do Senhor Jesus) estava vivo quando Salomão (que é tipo do Espírito Santo) assumiu o trono. E Davi glorificou ao Senhor por isso.

Nós estamos nesta Obra, nós estamos debaixo de um governo que é do Espírito Santo, é Ele quem dita os nossos limites, as hierarquias, aquilo que devemos respeitar, salvaguardar.

E o que é mais agradável para todos nós é saber que o Espírito Santo governa esta Obra, mas também (e principalmente) que Jesus está vivo no nosso meio.

O povo se alegrou assim como nós nos alegramos hoje, e se alegrou de maneira tal que a terra tremeu com a sua glorificação, com os louvores, com as músicas, com as gaitas, com as trombetas, com as aclamações de Viva o rei Salomão!

Adonias e seus convidados (que estavam fora de Jerusalém, fora da comunhão) ouviram aquele ruído que o povo fazia em Jerusalém.  Foi quando chegou o mensageiro naquela festa, que era a festa da razão (Adonias), do excesso de autoridade (Joabe) e do ministério sem orientação (Abiatar, da linhagem de Eli).

Adonias perguntou o que estava acontecendo na cidade, que barulho era aquele.

Então o mensageiro lhe disse: Olha, o rei Davi ungiu a Salomão rei sobre Israel.

Quando os convidados escutaram aquilo, que Adonias não era o rei, saíram dali e foram para as suas casas, até Joabe e Abiatar fugiram dali. Adonias ficou sozinho e correu para dentro do tabernáculo para pegar nas pontas do altar e não morrer, ele teve medo de Salomão.

Quando Salomão (agora rei) soube que Abiatar estava no tabernáculo, ele disse: Se for homem de bem, nada lhe acontecerá, mas se eu achar maldade nele, morrerá. Então Abiatar saiu dali.

Meus irmãos, nós estamos numa Obra que é do Espírito Santo e Ele tem uma hora para agir. O governo de Salomão foi um governo de paz assim como o governo do Espírito Santo é um governo de paz. O Senhor conhece o homem, Ele conhece cada um de nós e Ele tem uma hora certa de executar o seu juízo. A vontade do Senhor é dar sempre um tempo para que o homem se arrependa, para que ele possa discernir bem a sua situação e consertar o erro.

Aquelas pessoas se levantaram e voltaram para as suas casas, mas aquilo ficou registrado diante do Senhor. O levante, a revolta, nem sempre é uma guerra, às vezes ela se instala suavemente, mas não passa desapercebida perante o Senhor.

Salomão teria que trabalhar, identificar certas mentalidades que estavam dentro do reino de Davi e que não podiam continuar. A preocupação de Davi era orientar Salomão para retirar isso do reino.

4 –        Joabe

Davi tinha três sobrinhos, Joabe, Abisai e Asael, filhos de Zeruia, sua irmã. Eram homens tão duros, tão difíceis que um dia Davi fez uma declaração a respeito deles, dizendo assim:

“Que eu hoje estou fraco, ainda que ungido rei; estes homens, filhos de Zeruia, são mais duros do que eu; o SENHOR pagará ao malfeitor, conforme a sua maldade.” 2 Samuel 3:39

Corações fechados e resistentes

Joabe era general de Davi, um homem duro de coração, homem solitário, morava no deserto, longe de Davi.

Esta Obra tem tudo para desfrutarmos da multiforme sabedoria do Senhor, mas às vezes nós começamos a ver certas mentalidades assim, a pessoa é solitária, não consulta a Palavra, está fora do corpo.

Joabe era um homem sem misericórdia e desobediente, ele não obedecia a Davi.

a)  O Episódio com Absalão

Houve um fato antes dessa revolta de Adonias em que Joabe também participou de uma maneira errada.  Absalão, filho de Davi, se levantou contra o seu pai e houve uma batalha. Como Davi queria evitar que o povo sofresse, ele saiu de Jerusalém. Mas houve um momento que a guerra iria decidir quem ia ficar no trono, Davi ou Absalão. Então Davi deu uma ordem a Joabe, dizendo: Olha, vocês vão lá guerrear, mas não toquem no meu filho Absalão, não toquem no menino. Davi estava agindo como pai.

Mas Joabe foi lá e matou Absalão que estava indefeso, pendurado numa árvore pelos cabelos.

Davi chorou amargamente pela morte do seu filho, andava de um lado para o outro lamentando-se: Absalão, meu filho!

Joabe foi lá e repreendeu o rei, dizendo: Mas o que é isso?  Chorando desse jeito? Você está magoando o coração do povo, eles lutaram ao seu lado porque Absalão tinha tomado o seu reino e agora você fica aí chorando desse jeito por causa dele?

Há pessoas que estão na Obra de Davi, mas não conseguem absorver, elas continuam duras. Davi estava chorando por causa do seu filho que havia morrido e Joabe vai e repreende o ungido. Joabe ultrapassou os seus limites, mostrou quem ele era.

Nesta Obra, às vezes, com apenas uma palavra, nós mostramos quem somos. Você fala com uma ovelha e quando ela responde, você fica assim… Não sabia que era assim… tão bonitinha… cabelo branquinho… Mostrou quem era.

b)  O Episódio com Abner

Ele era o general-chefe dos exércitos de Israel. Naquela época Israel estava dividido em dois reinos, Judá (Davi) e Israel (Isbosete). Houve uma batalha e Davi venceu Abner.

Quando Abner fugia, Asael, um dos irmãos de Joabe, começou a perseguí-lo, mas Abner advertiu-o para que parasse com aquilo porque não queria matá-lo. Asael não quis ouvir e acabou sendo morto por Abner, que o matou em legítima defesa.

Depois disso Abner teve uma discussão com Isbosete, rei de Israel e decidiu dar o seu apoio a Davi.  Eles conversaram em paz, Davi fez um banquete para ele, mas quando Abner foi embora, Joabe vai até Davi e o repreende, dizendo: Mas o que você fez?  Como mandou Abner embora livremente? Não vê que ele veio espionar?

Então Joabe (sem que Davi soubesse) mandou dizer para Abner (que já ia a caminho) que ele voltasse e o esperasse porque queria ter uma conversa amistosa com ele, mas quando Abner se aproximou dele, Joabe (com a ajuda de seu irmão Abisai) o matou traiçoeiramente, ferindo-o na quinta costela com a sua espada, para vingar o seu irmão Asael.

Davi queria governar em paz, Abner veio em paz, mas Joabe o mata em tempo de paz.

5 –        Simei

Quando Davi estava fugindo de Absalão, ele ia subindo o monte das Oliveiras e, veio um homem da casa de Saul e começou a amaldiçoar e apedrejar o rei e a todos que estavam com ele.

Nós podemos imaginar aquela cena, Davi chorando, cabeça coberta, pés descalços, e aquele homem jogando-lhe pedras e o amaldiçoando: Bem-feito! O Senhor está pagando você pelo que fez com Saul! Sai, sanguinário, usurpador! O Senhor deu o seu trono ao seu filho Absalão.

Que ousadia!  Ele estava dizendo aquilo que o Senhor não tinha falado.

Então Abisai disse: Deixa eu resolver este problema, eu vou lá e arranco a cabeça dele.

Os irmãos vejam como tem pessoas tão mansas nesta Obra, não é?  Há pessoas que querem executar o juízo depressa, rapidamente… Pastor, tem que resolver aquilo hoje.  Se eu fosse pastor, botava no banco três meses.

Mas Davi disse assim: Deixa pra lá. Quem sabe se foi o Senhor que mandou ele me apedrejar? Quem sabe se eu não estou precisando passar por isto para aprender?

Davi estava sendo expulso naquele momento, mas quando voltou da batalha, alguém disse para Simei: Olha, você se lembra de Davi, aquele que você apedrejou e amaldiçoou?  Pois é, ele venceu e está voltando.

Simei ficou apavorado… Ele está voltando?

Simei correu e se ajoelhou… Meu senhor, perdoa-me, esqueça o que aconteceu. Não me guarde rancor pelo que eu fiz naquele dia.

Aí chega Abisai (aquele obreiro) e diz no ouvido de Davi:  Mas ele merece morrer. Não seria o caso de tirar a cabeça dele agora?

Abisai chegou de mansinho… Olha, Davi, vamos tirar a cabeça dele.

Mas Davi disse: Eu não tenho nada com você, filho de Zeruia.

Naquele momento Davi não fez nada contra Simei, mas quando ele passou o reino para Salomão, ele alertou o filho. Davi sabia que o reinado de Salomão seria diferente porque seria um reinado de paz, por isso ele fez questão de dizer isso ao filho.

Meus irmãos, para nós estarmos num reinado de paz, esta mentalidade tem que sair do nosso coração, da nossa vida.

6 –        Reinado de Salomão

Salomão começou a reinar, tudo estava correndo bem, ele estava avisado sobre aquelas pessoas, os avisos de Davi estavam bem registrados em sua mente.

Nós precisamos considerar o que o Espírito Santo fala a respeito de certas pessoas porque você olha para elas e não vê, mas o Espírito Santo vê. Você vai consultar alguma coisa e o Senhor dá uma visão a respeito, mas humanamente falando você não enxerga aquilo. Os anos passam e aí é que você vai ver a confirmação daquilo que o Senhor já tinha falado a respeito daquela pessoa.

Salomão estava avisado.

7 –        Juízo sobre Adonias

O tempo passou. E a Palavra diz que algum tempo depois da morte de Davi, Adonias chegou para a mãe de Salomão e pediu que ela fosse a mediadora entre ele e o rei a respeito de um pedido, ele queria casar-se com Abisague, aquela donzela que cuidou de Davi nos seus últimos dias de vida.

Quando Salomão ouviu aquilo, disse:

_ Mas a senhora só quer isso?  Por que a senhora não pede também o reino para ele, para Abiatar e para Joabe? A senhora sabe o que está-me pedindo?

Ela deve ter levado um susto. Mas o problema era com Adonias, não era com Bate-Seba, ele tinha provocado aquela situação.

Salomão então dá uma ordem a Benaia, que agora era o general: Mata  Adonias.

O juízo sobre a razão, sobre a carne, foi imediato.

Por duas vezes Adonias cobiçou o reino. A primeira vez foi com a sua razão, mas isso foi perdoado. Agora ele faz uma nova investida, agora ele quer casar com a esposa de Davi. A investida agora é contra a esposa, é contra esta Obra e isso o Espírito Santo não permite porque a missão dele é levar esta Obra imaculada para a eternidade.

Davi perdoou porque o alvo era ele mesmo, mas o Espírito Santo não perdoou porque o alvo agora era a Igreja, e pra isso não tem perdão. Adonias morreu.

8 –        Juízo sobre Abiatar

Salomão começou a “limpar” o reino daqueles problemas.

Ele manda chamar Abiatar, que era o sacerdote e lhe diz: Olha, você traiu meu pai, você se juntou a Adonias naquele dia. Eu só não vou-lhe matar porque você acompanhou meu pai em outra ocasião, quando ele havia sido afligido, mas você está expulso daqui, de hoje em diante você vai trabalhar para viver.

Salomão sabia que a fraqueza de Abiatar estava no material, ele era sacerdote, tinha ministério, mas estava preocupado com o lado material.

Salomão sabia disso e falou para ele: Pois é, Abiatar, o seu negócio é dinheiro não é? Então, fora, você vai trabalhar para ganhá-lo.

Não há lugar para esse tipo de preocupação no ministério desta Obra, o dinheiro não é nossa preocupação, se ele for preocupação, então vai trabalhar.

Abiatar foi expulso da presença de Salomão.

Abiatar era da casa de Eli e havia uma profecia contra aquela família. O Senhor havia dito que aquele que ficasse iria humilhar-se por causa de um pedaço de pão e por uma moeda de prata.

Este era um sacerdócio profissional, um ministério profissional e essa mentalidade não pode ficar no nosso meio.

9 –        Juízo sobre Joabe

Quando Joabe soube que Salomão tinha começado a fazer a limpa, ele correu para o tabernáculo e pegou nas pontas do altar. Imaginem, aquele homem duro, traiçoeiro, que matou o filho do rei e dois generais, agora estava com medo, ele que repreendia a Davi, não ousou fazer o mesmo com Salomão.

Alguém disse a Salomão: Olha, Joabe está no tabernáculo segurando nas pontas do altar, ele está com medo de morrer.

Salomão chamou Benaia e deu a ordem: Vai lá e mata ele.

Vejam os irmãos o que é o limite. Benaia foi lá e da porta do templo gritou mandando que ele saísse, mas Joabe disse: Eu não saio daqui de jeito nenhum, se quiser me matar vai ter que me matar aqui mesmo.

Benaia voltou e disse para o rei: Joabe disse que não sai lá de dentro não, disse que vai morrer lá dentro mesmo.

Salomão disse: Perfeitamente, pode fazer a vontade dele, volte lá e mate-o lá dentro mesmo.

Aquela mentalidade dura de Joabe acabou ali, aquela mentalidade de desobediência, de enfrentar o ungido, de extrapolar, de repreender, tudo acabou ali no altar.

10 –    Juízo sobre Simei

O saldo até agora era de dois mortos e um banido (dispensado).

Salomão mandou chamar Simei e lhe disse: Você vai para Jerusalém e não sai de lá em hipótese nenhuma, edifica uma casa ali e fica em casa porque se você sair para ir a qualquer lugar, você morre.

Simei achou aquilo muito bom, viver em Jerusalém era muito bom, ele só tinha que ficar em casa, ele não ia morrer, ele disse: Só isso?  Muito boa esta palavra.

Ele foi para Jerusalém. Três anos depois, dois dos seus escravos fugiram e ele, de madrugada, sem que ninguém visse, saiu de Jerusalém, atravessou o ribeiro de Cedrom, e foi na captura deles.

A notícia chegou aos ouvidos de Salomão: Simei saiu de Jerusalém, ele desobedeceu a sua ordem.

Salamão ordena a Benaia: Mata ele.

Simei tinha apedrejado Davi, tinha amaldiçoado Davi num momento de extrema dificuldade para aquele rei.

Nós viemos para esta Obra numa situação difícil, e o Espírito Santo nos deu um limite, que é: Fiquem na comunhão. Fiquem debaixo do sangue de Jesus. Fiquem em Jerusalém.

Os dois escravos representam aquilo que o Espírito Santo mandou que você tirasse da sua vida. Eles saem, mas você, contrariando o Espírito Santo, vai atrás para reaver aquilo tudo de volta.

11 –    Conclusão

A pessoa passa três, dez anos dentro de Jerusalém e, de repente, vai buscar os escravos que saíram.

Eu não sei o que o Espírito Santo mandou você tirar do seu coração, mas cada um sabe de si, e nós não podemos fazer voltar estas coisas porque assim nós estaremos ultrapassando os limites do Espírito Santo.

Simei desobedeceu e morreu ali mesmo.

E os irmãos poderiam perguntar: Mas estas coisas são assim tão duras?

São sim, mas nesta Obra, tudo isso é positivo para nós porque a Palavra diz que depois que Salomão fez isso, o reino se fortaleceu na sua mão.

O reino de Salomão era um reino de paz. O Espírito Santo quer reinar sobre nós com paz, a nossa única preocupação é manter os nossos limites guardados até a volta do Senhor Jesus.

Deveriam parar e rever seus conceitos, porque hoje querendo ou não voces são religião sim!

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Deixar bem claro, nada contra as moças, talento elas tem de sobra

Como minha avó dizia, a lingua é o bacalhau do corpo .Ai está  a prova!
Como eu gosto de ver os tiros que estão dando nos pés, na cabeça enfim para todos os lados.

São as famosas irmandades que eles tem ali dentro. São os negócios de familia, de chegados, E o circulo dos mais pobre é pequeno.

Quantos levaram banco por querer ter uma carreira profissional dentro e fora da igreja e era convidado a sair?

Mas por pura estratégia deixaram isso acontecer logo após os escandalos para segurar os musicos na igreja, já que muitos sairam e eles não queriam perder mais.

Por essas e outras que eu acho que ainda tem gente ali dentro criticando as igrejas que não são obra, que não são isso nem aquilo.

Deveriam parar e rever seus conceitos, porque hoje querendo ou não voces são religião sim!